Solução inusitada.

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Felipe e Karen foram transferido para o andar de cima, onde as suítes eram duplas.

Apesar do ambiente ser compartilhado, tinha suas próprias dependências privativas, tudo em dobro, e um biombo de divisória que podia ser puxado a qualquer momento, para manter a privacidade do paciente.

Uma equipe extra de enfermeiros foi designada para dar assistência aos dois ilustres pacientes.

Todos os dias Karen conversava com o psicólogo, então, pouco a pouco foi voltando ao que era antes, recuperando sua sagacidade e rapidez de raciocínio. O psicólogo estava fascinado com a mente brilhante que ela possuía.

Ela entendeu, finalmente, que tudo não passou de um grande susto, e já relembrava das coisas como se fossem apenas um filme.

Passava horas recaptulando tudo que aconteceu, tanto do seu ponto de vista, quanto no de Felipe, pra ter certeza que não era nenhuma peça da sua imaginação, e com a ajuda de Felipe, foi reconstruindo toda a cena.

A única parte que Karen nunca teve coragem de recaptular, era o momento em que estava nos braços de Felipe, e ele se declarou.

Felipe sempre ficava apreensivo, esperando que ela tocasse no assunto, mas ela simplesmente fingia ter esquecido essa parte e nunca falava nada sobre isso.

Karen adorava observar Felipe, enquanto ele dormia, e adorava ver seu sorriso logo pela manhã. Achou que enjoaria disso em algum momento, mas a cada dia que passava, ela se apaixonava ainda mais por ele.

Gostava também de observá-lo em silêncio quando ele estava fazendo suas preces, rezando silenciosamente o terço, ou enquanto estava compenetrado em suas leituras.

Era um Felipe totalmente diferente, e sentia-se privilegiada de conhecer esse seu lado espiritual, mas ao mesmo tempo sabia o quanto era difícil concorrer com isso.

Às vezes Karen implicava com Felipe para tirar o seu foco, mas Felipe não se abalava.

— Felipe! Me empresta sua bíblia pra eu ler um pouquinho?

Felipe respondia sem nem tirar os olhos do livro.

— Lamento Karen! Mas isso não é um brinquedo.

— Mas eu não vou arrancar um pedaço, Felipe! Só quero aprender um pouco mais sobre a palavra de Deus.

— Se está mesmo interessada, eu te ensino.

— Mas Felipe! Eu prefiro ler sozinha, assim economizo seu tempo.

Felipe sorria rendido e tentava explicar.

— Karen, a bíblia não é apenas um livro. É preciso ter inspiração divina para entender. Por isso, nós, padres, dedicamos nossa vida a Deus. Em busca dessa inspiração.

Karen sorria e encerrava a discussão. Felipe sacudia a cabeça e retornava a leitura.

Só o que Felipe não sabia é que Karen possuía a própria bíblia, e que já tinha estudado ela de capa a capa, e conhecia mais de seus mistérios do que ele próprio.

***

A hora da visita era sempre uma festa. Fernando e a noiva eram presenças garantidas. Karen passou a conhecer melhor a noiva do amigo, e criaram um belo vínculo de amizade.

Vitória adorava discutir os detalhes do casamento com Karen, e contava empolgada que esperava a recuperação do cunhado até lá, pois ele celebraria a união do casal.

Paulo aproveitava o tempo disponível pra contar todos os detalhes sobre sua vaga no departamento de ciências da computação na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

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