Karen volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
Karen perguntou ao irmão Josué se tinha visto Felipe e ele disse que o viu entrar no banheiro.
— Ele devia estar bem apertado - O velho padre sorriu divertido - passou aqui feito um foguete.
Karen nem deu tempo do padre dizer mais nada, agradeceu, olhou em volta para ver se estava livre, e correu na direção do banheiro masculino, torcendo para que Felipe estivesse lá sozinho.
O padre Josué se benzeu aflito.
— Minha nossa senhora! O que essa menina pensa que está fazendo? Esqueci de avisar que o banheiro não é unissex!
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Quando Karen entrou, Felipe estava sentado no chão, com o rosto escondido entre os joelhos. Seu olhar estava vago, e os pensamento voavam longe dali.
Karen afagou-lhe os cabelos, e Felipe ergueu para ela seus lindíssimos olhos azuis. Karen se assustou com o desamparo que viu neles.
— O que deu em mim, Karen!!! Você viu o que eu fiz com o Carlos? Como eu pude fazer uma coisa assim?
Karen ajoelhou-se de frente com ele e pegou suas mãos num gesto de consolo.
— Não fique assim, Felipe! Carlos mereceu. Eu, no seu lugar, teria feito a mesma coisa. Carlos deu sorte de ser você... Se fosse outro, talvez ele não tivesse tanta sorte.
— Você não entende, Karen! — Felipe estava ainda mais desamparado — quando eu ataquei Carlos, não era ele que eu queria ferir! Eram os vultos do meu passado, e não são poucos! Eu sinto que tem um monstro dentro de mim, esperando um motivo pra sair do controle. Eu sou perigoso, Karen!
Um enorme sentimento de ternura invadiu o peito de Karen. Olhando para Felipe, sentiu uma vontade imensa de protegê-lo, e não conseguia ver nele mais que um garotinho indefeso.
— Você precisa aprender a relaxar, Felipe! Você se cobra muito! Está aqui, se destruindo de remorso, enquanto Carlos está lá fora, sorridente da façanha e pronto pra outra.
Karen abraçou Felipe e amparou a cabeça dele em seu peito, afagando-lhe o cabelo. Felipe a muito não sentia um abraço tão caloroso, e a muito não se sentia tão amparado.
— Virgem Maria puríssima! O que pensam que estão fazendo??? —Padre Josué invadiu o toalete e flagrou os dois naquele abraço.
Karen se colocou de pé num pulo e tentou se explicar.
— Acalme-se padre, por favor! Não é nada disso que o senhor está pensando! Felipe está com problemas, estava passando mal, e eu só tentei ajudar!!
— Cale-se, mocinha! — O padre foi categórico — A senhorita já está bastante encrencada! Sabia que isso aqui é um toalete masculino?? Vocês tiveram sorte. Se alguém da imprensa entra aqui e vê essa cena, vocês estariam perdidos. Agora se retire daqui que preciso falar a sós com Felipe!