O baile começou e não houve nem sinal de Daniel. Karen estava com um belo vestido de noite, mas estava constrangida demais por não ter um acompanhante, então ficou bem quietinha em um canto.
Silvana estava acompanhada de um amigo, e veio lhe fazer companhia
Quando Carlos entrou no salão, a festa literalmente parou, e todos os olhares convergiram para ele. Carlos era um moreno estonteante, de cabelos fartos, e sorriso largo, e vestia um fraque branco, destacando ainda mais seu bronzeado.
Ao ver que Karen estava desacompanhada, ele atravessou o salão direto na direção dela.
— O que uma beldade como essa faz desacompanhada numa festa tão animada?
Silvana e Karen estavam admiradas de só então reparar o quanto Carlos era irresistivelmente belo.
— Meu parceiro não apareceu até agora — Karen suspirou desanimada — acho que levei o maior bolo.
Carlos apanhou a mão de Karen num galanteio, e a beijou.
— Então hoje é meu dia de sorte! Ele deve ser um tremendo idiota de deixar uma beldade como você, solta por aí!
Karen estava cansada de ficar parada, esperando por Daniel, e resolveu aceitar a companhia de Carlos.
Silvana estranhou a atitude da amiga, que sempre teve medo de ficar mal falada, e agora estava aceitando a companhia do cara mais galinha da festa, mas resolveu ficar quieta pois queria que a amiga se divertisse.
— Acho que no fim das contas, não estamos tão sem sorte assim. Somos dois solteirões numa festa badalada. — Karen estava decidida — Vamos dançar um pouco?
Carlos conduziu Karen até a pista de danças. Olhando em volta, Karen falou em tom brincalhão.
— Reze pra eu não quebrar a perna!
— Você dança tão mal assim? — Carlos perguntou curioso.
— Pelo contrário! — Karen sorriu — danço maravilhosamente bem. Mas estou sentindo a inveja do salão inteiro sobre as minhas costas.
— Até parece! As meninas do curso não me suportam.
— Você se subestima, Carlos! — Karen conversava enquanto rodopiavam pelo salão como um casal apaixonado — Hoje você está de tirar o fôlego de qualquer uma.
— Até o seu? — Carlos perguntou malicioso.
— Carlos! Olha o respeito! — Karen deu um piparote na testa dele — Se continuar assim, vou achar que você inventou toda essa história pra tirar proveito de mim. Mas só pra satisfazer o seu ego, se eu não soubesse das suas preferências, também estaria sem fôlego.
Os dois riram deliciados, deixando aos desavisados a impressão de que estavam apaixonados. Os dois dançavam muito bem. Com Karen correspondendo com perfeição todos os movimentos dele, com naturalidade, como se já fossem parceiros de dança de longa data.
A multidão assistia fascinada. Num dado momento, Karen perguntou intrigada.
— Com tanta garota mais bonita na festa, por quê você escolheu justo eu?
Carlos sorriu deliciado.
— Você acha que eu ia perder a oportunidade de ter em meus braços a menina mais linha dura do nosso curso? Vou virar um mito depois de hoje! Imagina as vantagens que vou poder contar aos outros na segunda-feira?
— Carlos! Você não ousaria fazer isso comigo!! — Karen estava incrédula com o que ele disse.
— Claro que ousaria! — Carlos sorriu divertido — Esse é meu personagem, o contador de história! Mas o pessoal começaria a desconfiar se eu não contasse vantagem. Mas não se preocupe, ninguém acredita em nada do que eu falo.
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Caleidoscópio
RomanceKaren volta ao litoral, para tentar desvendar seu passado, e para isso, vai contar com a ajuda do puro e singelo amigo Felipe, mas não imagina que está abrindo uma verdadeira caixa de pandora que irá abalar a sociedade litorânea!
