Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Camila POV
Tinha acabado de chegar na floricultura e fui direto para os fundos da loja, onde costumava arrumar as mudas e os arranjos. Falei rapidamente com Mani no caminho — ela parecia bastante ocupada com um grupo de mulheres. Me sentei à mesa e, quando comecei a retirar algumas mudas dos vasos pequenos de barro, senti dois dedos tocarem as laterais da minha cintura, acompanhados de um "Buh!", o que me fez dar um pequeno pulo por causa da minha sensibilidade naquela região.
— Não me fez medo — falei, olhando para a garota à minha frente, que agora exibia uma expressão chateada e um enorme bico nos lábios.
— Mas você até deu um pulinho — ela encenou meu pulo e eu revirei os olhos, sorrindo, e ela me acompanhou no sorriso.
— Você sabe que essa região aqui — apontei para as laterais da minha cintura — é muito sensível, sinto cócegas facilmente.
— Trouxe isso aqui pra você — ela ergueu um saco de papel branco e estendeu para mim. — Rosquinhas da melhor cafeteria — falou, orgulhosa.
— Duvido que seja da melhor cafeteria — brinquei, sabendo que não era da cafeteria da Lauren. — Não estou dizendo que as rosquinhas são ruins! — arregalei os olhos quando vi ela semicerrar os seus.
Deixei o saco sobre a mesa e ela começou a me contar o que tinha acontecido com ela na noite passada — uma história tão engraçada que, como a boa besta que sou para rir, já estava com a barriga doendo. Ela contava que acordou de madrugada, com fome, e foi mexer na geladeira sem acender as luzes. Acabou levando um susto quando sua mãe apareceu com um cabo de vassoura, achando que havia um ladrão na cozinha. Deixei minha cabeça cair para trás e dei uma risada alta, levando as costas da minha mão direita até a boca numa tentativa de parar de rir.
— Para de rir de mim, palhaça — ela reclamava, mas sorria junto comigo. — Você é muito bobinha, Camila.
Ela se inclinou em minha direção e deixou um beijo demorado em minha bochecha. Quando se afastou, ouvi um barulho vindo do meu lado e, instintivamente, olhei na direção. O que vi — ou melhor, quem eu vi — me surpreendeu. Lauren estava ali, com uma mão pousada no ombro de uma mulher, falando algo de forma visivelmente acanhada. Então, seus olhos encontraram os meus. Eu ainda carregava um pequeno sorriso nos lábios, e vi a expressão dela mudar — parecia assustada, como se estivesse prestes a sair correndo dali.
Me levantei rapidamente do banco, ergui o dedo em direção à garota à minha frente e fiz um sinal para que ela me esperasse. Então, fui na direção de Lauren, que dava pequenos passos para trás até se chocar levemente contra uma prateleira de flores.
— Fiquei me perguntando quantos dias eu teria que esperar até você resolver aparecer aqui — falei, enquanto passava um tecido marrom-claro nas mãos sujas de adubo.