Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Lauren POV
Sai do meu antigo quarto segurando uma blusa e fui em direção à cozinha, onde minha mãe estava com meu irmão. Entrei na cozinha e Chris estava cortando algumas verduras enquanto minha mãe pegava os pratos para colocar na mesa.
— Quem fez isso na minha blusa favorita, mamãe? — Ergui a blusa aberta, mostrando a mancha bem no meio dela.
— Foi seu irmão — minha mãe respondeu sem ao menos me olhar.
— MAMÃE! — Chris falou assustado e olhou na minha direção, apontando a faca. — Eu juro que foi sem querer...
— Não foi nada — mamãe falou, e Chris arregalou os olhos. — Ele estava lá no seu quarto querendo dar um de pintor e limpou a tinta na sua blusa...
— Mulher, você me odeia? — ele perguntou, jogando a faca na pia. — Me dá que eu vou lavar e deixar ela como nova.
— Mas eu queria usar ela hoje — joguei a blusa na direção do meu irmão. — E eu não quero mais saber de você dentro do meu quarto.
— Você nem mora mais aqui — ele disse, olhando a mancha na minha blusa.
— Mas o quarto ainda é dela — mamãe falou. Eu mostrei a língua pra ele, que revirou os olhos e me mostrou o dedo do meio.
— Se eu ver isso mais uma vez, eu corto a língua e os dedos de vocês — disse mamãe, séria.
— Não faz isso, pois a Lauren precisa dessas duas coisas — minha mãe jogou um pouco de água no meu irmão, que correu rindo.
— Idiota — resmunguei. — Eu vou procurar outra blusa para vestir...
— Cuide que o almoço já está pronto e eu vou servir — ela saiu da cozinha, e eu fui em direção ao meu antigo quarto.
Tirei a calça jeans clara que eu estava vestindo e fui até o guarda-roupa procurar algo para vestir. Peguei uma calça branca de pano folgadinha e a blusa que era conjunto (a roupa do clipe "Nada"), me vesti e deixei meu cabelo solto.
— Você vai para onde, que fez mamãe trocar o jantar por almoço? — Chris perguntou assim que me sentei à mesa.
— Não é da sua conta — peguei um prato e comecei a me servir. Ele não perguntou mais nada depois de ter batido dois soquinhos com as mãos na minha direção, evitando mostrar o dedo do meio com medo de mamãe, e então ele imitou o Ross da série Friends.
Naquela mesma semana, alguns dias atrás, eu tinha saído com Camila, e no dia seguinte, no meu apartamento, o barulho foi grande da Vero, Keana, Lucy e Dinah, querendo saber o que tinha acontecido. Eu quase fiquei surda quando disse que Camila tinha me beijado; acho que até hoje os gritos delas ecoam dentro do meu apartamento.
Hoje eu iria até a casa de Camila; ela já havia me passado o endereço dela mais cedo pelo telefone, e, por ironia ou não, a casa dela não ficava muito longe do apartamento da minha mãe.
Terminei de almoçar e ajudei mamãe com a louça, já que Chris ajudou a preparar o almoço.
— Depois quero saber quem é essa garota, viu, dona Lauren — mamãe falou quando eu já estava no corredor para ir embora. — Você não me engana, e eu sei que tem rabo de saia nessa sua saída repentina...
— Mamãe — falei baixo, e ela olhou por cima do ombro para ver se Chris estava ouvindo. — Depois eu te falo sobre isso...
Ela deu um sorriso e negou com a cabeça, me deu um abraço e um beijo na bochecha e fechou a porta.
Entrei no elevador e desci até o saguão do prédio e fui em direção à saída, à procura de um táxi. Não demorou muito, e um apareceu. Eu falei o endereço, e minutos depois ele parou em frente a uma casa muito charmosa. Paguei ao homem e fui em direção à porta, subi alguns degraus até chegar à pequena varanda e então dei três batidas leves na porta. Esperei um pouco e ouvi o barulho da tranca, e logo a porta se abriu.
Camila tinha um sorriso no rosto e seus cabelos estavam presos, mas não todo, apenas metade de seu cabelo e uma parte descia por seus ombros e costas, ela usava um vestido soltinho na cor azul claro, tinha um pequeno decote e parecia amarrado em seu pescoço.
— Você veio mesmo - ela segurou em minha mão e me puxou com cuidado até que eu estivesse dentro de sua casa e então fechou a porta - por um momento eu achei de verdade que você não fosse vir.
— Meu irmão estava me enchendo o saco, acho que por isso a demora - falei olhando sua sala que tinha apenas um sofá de três lugares e uma mesa de centro que parecia um tronco muito grosso de madeira cortado, uma enorme tv bem à frente do sofá e dois puf da cor do sofá bem abaixo da janela da sala.
— Eu vou te levar até a cozinha - ela apertou minha mão e puxou até sua boca deixando um beijo demorado ali.
Do outro lado da sala tinha uma estante do tamanho da parede cheia de livros e duas poltronas que estavam acima de um tapete fofinho, Camila me puxou pelo pequeno corredor, havia uma escada ali que dava ao primeiro andar, chegamos a cozinha que tinha um balcão bem no meio dividindo o lado onde ficava a mesa de jantar e o lado onde tinha os armários, fogão e geladeira.
— Você vai me ajudar a fazer as pipocas e o brigadeiro - ela disse e eu franzi o cenho.
— Brigadeiro? - perguntei e me escorei no balcão assim que ela soltou minha mão e foi na direção dos armários.
— É uma receita brasileira que eu vi um dia por acaso na internet - ela disse colocando algumas coisas em cima do balcão - eu testei umas vezes e gostei muito.
— Você gosta de cozinhar? - eu não sabia o que perguntar e nem tinha pra onde fugir dali, eu estava dentro da casa dela.
— Qualquer tempo livre que eu tenha eu estou na cozinha - ela pegou uma panela - eu não vou fazer pipoca de microondas pois eu não gosto, pode ser?
— Por mim tudo bem - afirmei com a cabeça e ela sorriu.
— Abre essa latinha de leite condensado pra mim por favor - ela me deu a pequena lata e o abridor.
Eu abri a lata e Camila despejou dentro da panela e em seguida colocou chocolate em pó e um pouco de manteiga, levou até o fogo e me chamou com o indicador.
— Mexe pra mim? - ela me estendeu a colher de pau e eu segurei e comecei a misturar o que tinha dentro da panela - eu vou fazer a pipoca.
— Quando fica bom? - vi que a manteiga começou a derreter.
— Quando ficar na consistência daquela cobertura do cupcake de chocolate lá da sua cafeteria - ela colocou outra panela em cima do fogão.
Ela colocou manteiga e óleo na panela e esperou derreter, em seguida ela despejou uma quantidade milho na panela. Eu continuava a mexer o tal do brigadeiro que já estava pegando consistência, ouvi o primeiro milho estourar na panela e Camila baixou o fogo.
Alguns minutos depois ela já estava colocando a pipoca pronta em uma vasilha redonda, eu desliguei o fogo do brigadeiro e ela me deu um prato dizendo que se colocasse ali esfriaria mais rápido, espalhei o chocolate no prato e ela me deu duas colheres. Fui atrás dela até a sala e deixei o prato ao lado da vasilha da pipoca em cima da mesa de centro.
Camila tinha fechado as cortinas da janela deixando a sala bastante escura, mas não tão escura que não desse pra enxergar nada e ficou menos escura quando ela ligou a tv, tenho certeza que hoje pode ser uma ótima tarde ao lado dela, assim como aquele dia no campo de girassóis.
—
Vontade de comer brigadeiro agora, que ódio, e pipoca também! aaaaaaaa