Perpétua - Casa de Camila

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Lauren POV

Sai do meu antigo quarto segurando uma blusa e fui em direção à cozinha, onde minha mãe estava com meu irmão. Entrei na cozinha e Chris estava cortando algumas verduras enquanto minha mãe pegava os pratos para colocar na mesa.

— Quem fez isso na minha blusa favorita, mamãe? — Ergui a blusa aberta, mostrando a mancha bem no meio dela.

— Foi seu irmão — minha mãe respondeu sem ao menos me olhar.

— MAMÃE! — Chris falou assustado e olhou na minha direção, apontando a faca. — Eu juro que foi sem querer...

— Não foi nada — mamãe falou, e Chris arregalou os olhos. — Ele estava lá no seu quarto querendo dar um de pintor e limpou a tinta na sua blusa...

— Mulher, você me odeia? — ele perguntou, jogando a faca na pia. — Me dá que eu vou lavar e deixar ela como nova.

— Mas eu queria usar ela hoje — joguei a blusa na direção do meu irmão. — E eu não quero mais saber de você dentro do meu quarto.

— Você nem mora mais aqui — ele disse, olhando a mancha na minha blusa.

— Mas o quarto ainda é dela — mamãe falou. Eu mostrei a língua pra ele, que revirou os olhos e me mostrou o dedo do meio.

— Se eu ver isso mais uma vez, eu corto a língua e os dedos de vocês — disse mamãe, séria.

— Não faz isso, pois a Lauren precisa dessas duas coisas — minha mãe jogou um pouco de água no meu irmão, que correu rindo.

— Idiota — resmunguei. — Eu vou procurar outra blusa para vestir...

— Cuide que o almoço já está pronto e eu vou servir — ela saiu da cozinha, e eu fui em direção ao meu antigo quarto.

Tirei a calça jeans clara que eu estava vestindo e fui até o guarda-roupa procurar algo para vestir. Peguei uma calça branca de pano folgadinha e a blusa que era conjunto (a roupa do clipe "Nada"), me vesti e deixei meu cabelo solto.

— Você vai para onde, que fez mamãe trocar o jantar por almoço? — Chris perguntou assim que me sentei à mesa.

— Não é da sua conta — peguei um prato e comecei a me servir. Ele não perguntou mais nada depois de ter batido dois soquinhos com as mãos na minha direção, evitando mostrar o dedo do meio com medo de mamãe, e então ele imitou o Ross da série Friends.

Naquela mesma semana, alguns dias atrás, eu tinha saído com Camila, e no dia seguinte, no meu apartamento, o barulho foi grande da Vero, Keana, Lucy e Dinah, querendo saber o que tinha acontecido. Eu quase fiquei surda quando disse que Camila tinha me beijado; acho que até hoje os gritos delas ecoam dentro do meu apartamento.

Hoje eu iria até a casa de Camila; ela já havia me passado o endereço dela mais cedo pelo telefone, e, por ironia ou não, a casa dela não ficava muito longe do apartamento da minha mãe.

Terminei de almoçar e ajudei mamãe com a louça, já que Chris ajudou a preparar o almoço.

— Depois quero saber quem é essa garota, viu, dona Lauren — mamãe falou quando eu já estava no corredor para ir embora. — Você não me engana, e eu sei que tem rabo de saia nessa sua saída repentina...

— Mamãe — falei baixo, e ela olhou por cima do ombro para ver se Chris estava ouvindo. — Depois eu te falo sobre isso...

Ela deu um sorriso e negou com a cabeça, me deu um abraço e um beijo na bochecha e fechou a porta.

Entrei no elevador e desci até o saguão do prédio e fui em direção à saída, à procura de um táxi. Não demorou muito, e um apareceu. Eu falei o endereço, e minutos depois ele parou em frente a uma casa muito charmosa. Paguei ao homem e fui em direção à porta, subi alguns degraus até chegar à pequena varanda e então dei três batidas leves na porta. Esperei um pouco e ouvi o barulho da tranca, e logo a porta se abriu.

Camila tinha um sorriso no rosto e seus cabelos estavam presos, mas não todo, apenas metade de seu cabelo e uma parte descia por seus ombros e costas, ela usava um vestido soltinho na cor azul claro, tinha um pequeno decote e parecia amarrado em seu pescoço.

— Você veio mesmo - ela segurou em minha mão e me puxou com cuidado até que eu estivesse dentro de sua casa e então fechou a porta - por um momento eu achei de verdade que você não fosse vir.

— Meu irmão estava me enchendo o saco, acho que por isso a demora - falei olhando sua sala que tinha apenas um sofá de três lugares e uma mesa de centro que parecia um tronco muito grosso de madeira cortado, uma enorme tv bem à frente do sofá e dois puf da cor do sofá bem abaixo da janela da sala.

— Eu vou te levar até a cozinha - ela apertou minha mão e puxou até sua boca deixando um beijo demorado ali.

Do outro lado da sala tinha uma estante do tamanho da parede cheia de livros e duas poltronas que estavam acima de um tapete fofinho, Camila me puxou pelo pequeno corredor, havia uma escada ali que dava ao primeiro andar, chegamos a cozinha que tinha um balcão bem no meio dividindo o lado onde ficava a mesa de jantar e o lado onde tinha os armários, fogão e geladeira.

— Você vai me ajudar a fazer as pipocas e o brigadeiro - ela disse e eu franzi o cenho.

— Brigadeiro? - perguntei e me escorei no balcão assim que ela soltou minha mão e foi na direção dos armários.

— É uma receita brasileira que eu vi um dia por acaso na internet - ela disse colocando algumas coisas em cima do balcão - eu testei umas vezes e gostei muito.

— Você gosta de cozinhar? - eu não sabia o que perguntar e nem tinha pra onde fugir dali, eu estava dentro da casa dela.

— Qualquer tempo livre que eu tenha eu estou na cozinha - ela pegou uma panela - eu não vou fazer pipoca de microondas pois eu não gosto, pode ser?

— Por mim tudo bem - afirmei com a cabeça e ela sorriu.

— Abre essa latinha de leite condensado pra mim por favor - ela me deu a pequena lata e o abridor.

Eu abri a lata e Camila despejou dentro da panela e em seguida colocou chocolate em pó e um pouco de manteiga, levou até o fogo e me chamou com o indicador.

— Mexe pra mim? - ela me estendeu a colher de pau e eu segurei e comecei a misturar o que tinha dentro da panela - eu vou fazer a pipoca.

— Quando fica bom? - vi que a manteiga começou a derreter.

— Quando ficar na consistência daquela cobertura do cupcake de chocolate lá da sua cafeteria - ela colocou outra panela em cima do fogão.

Ela colocou manteiga e óleo na panela e esperou derreter, em seguida ela despejou uma quantidade milho na panela. Eu continuava a mexer o tal do brigadeiro que já estava pegando consistência, ouvi o primeiro milho estourar na panela e Camila baixou o fogo.

Alguns minutos depois ela já estava colocando a pipoca pronta em uma vasilha redonda, eu desliguei o fogo do brigadeiro e ela me deu um prato dizendo que se colocasse ali esfriaria mais rápido, espalhei o chocolate no prato e ela me deu duas colheres. Fui atrás dela até a sala e deixei o prato ao lado da vasilha da pipoca em cima da mesa de centro.

Camila tinha fechado as cortinas da janela deixando a sala bastante escura, mas não tão escura que não desse pra enxergar nada e ficou menos escura quando ela ligou a tv, tenho certeza que hoje pode ser uma ótima tarde ao lado dela, assim como aquele dia no campo de girassóis.

Vontade de comer brigadeiro agora, que ódio, e pipoca também! aaaaaaaa

Soul Meraki.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora