Margarida - Me Decorando

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Lauren POV

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Lauren POV

Acabamos de tomar nosso café da manhã e eu quis limpar a mesa e deixar tudo arrumadinho para ajudar a dona Sandra. Sei que, se ela estivesse aqui, estaria pegando no meu pé, dizendo para eu não mexer em nada, que podia deixar que ela limparia tudo. Mas eu não conseguia resistir à vontade de contribuir, de fazer parte desse espaço, que, de alguma forma, já começava a se sentir como um pequeno lar para mim. Arrumar a mesa era uma forma de mostrar minha gratidão por tudo que ela e o senhor Anderson faziam por mim.

Eu sabia que a dona Sandra ficaria insistindo que era trabalho dela, mas por dentro, eu sabia que ela ficaria feliz em ver que eu me importava. Eu cresci com essa sensação de que pequenas atitudes fazem a diferença, e não poderia deixar de retribuir de alguma forma. Quando terminei, olhei ao redor e, por um momento, me senti em paz. Estava tranquila, confortável, e ao mesmo tempo animada para continuar o dia com Camila. Esse lugar, esse ambiente, estava me fazendo sentir uma conexão que há tempos eu não sentia com nenhum outro.

— Podemos ir no centro do campo ou não tem como chegar até lá? - Camila me perguntou assim que deixei a última louça suja em cima de uma pia que tinha ali.

— Podemos sim - me aproximei apenas um pouco dela - vem comigo que eu vou te mostrar o caminho...

— Estou bem atrás de você - ela disse com um ar risonho e eu olhei por cima do ombro, vendo-a ajeitar a pequena bolsa no seu ombro.

Caminhei em passos lentos até um pequeno "beco" que havia no início do campo, um caminho estreito entre os girassóis, que nos levaria até o centro. Camila vinha logo ao meu lado, e eu senti quando ela passou seu braço por dentro do meu, apertando levemente o corpo na lateral do meu. Aquilo me pegou de surpresa. Meu maxilar travou, e meu coração começou a bater mais rápido. Tentei manter a calma, mas o calor de sua presença ao meu lado era inegável.

Ela permaneceu em silêncio enquanto caminhávamos, o único som era o estalar das folhas ao nosso redor e o farfalhar suave das flores balançando com o vento. O cheiro dos girassóis no ar me fazia querer ficar ali para sempre. Chegamos ao centro, e eu logo reconheci o local, o mesmo lugar onde encontrei Sandra da última vez. Uma toalha estendida na grama e uma pequena tenda para dar sombra estavam no centro do campo. Era o local perfeito para um piquenique ou, como eu pretendia, para um pouco de tranquilidade.

— Se eu morasse aqui, eu jamais sairia desse campo de girassóis - ela disse, seu olhar se movendo para os lados, absorvendo cada detalhe do campo ao nosso redor. O sorriso em seu rosto era genuíno, e isso fez meu peito aquecer.

— Podemos passar um tempo aqui se você quiser, e eu também posso tirar fotos suas com seu celular - falei rapidamente, apontando para o espaço ao redor. Eu queria que ela se sentisse à vontade, como se aquele fosse um momento só nosso.

— Eu acho uma ótima ideia - ela respondeu, retirando o celular de sua bolsa e estendendo-o em minha direção. Eu o peguei, olhei para a tela de bloqueio, e vi uma foto delicada de flores. Por um momento, senti um sorriso involuntário surgir. Era como se ela compartilhasse um pedacinho de si mesma naquela imagem.

Soul Meraki.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora