Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Lauren POV
Hoje é aniversário da minha mãe, dona Clara, e, como sempre, eu esqueci de comprar o presente. Nunca fui muito boa com datas - não sei explicar bem, mas acho que vivo com a cabeça tão cheia de coisas que acabo esquecendo em que dia da semana estamos, qual a data do mês, ou até mesmo em que mês estamos. Marquei de encontrar com minhas amigas Keana, Vero, Lucy e Dinah no shopping, já que vamos juntas ao jantar de aniversário da dona Clara. Todas nós resolvemos comprar os presentes por lá.
Estava esperando o bonequinho verde do sinal de pedestre acender. O trânsito, hoje, até que estava calmo - poderia muito bem ter vindo de carro, mas prefiro caminhar, ainda mais porque o lugar para onde estou indo fica a apenas algumas quadras daqui. Ergui os olhos e me peguei encarando uma floricultura. Não me lembrava de já ter visto uma por ali. Franzi as sobrancelhas, intrigada, e, nesse momento, alguém bateu no meu ombro. Só então percebi que o bonequinho já estava verde — eu podia atravessar.
Atravessei a faixa de pedestre e parei na esquina, olhando o grande letreiro que dizia: "Floricultura Meraki". Isso nunca esteve aqui. Pensei que poderia comprar um arranjo de flores para minha mãe, além do presente - ela com certeza ficaria muito feliz. Faz tempo que não recebe flores.
Atualmente, ela mora com meu irmão. Meu pai já não vive com ela há anos; tem até outra família. Sei que tenho uma irmã por parte dele, mas nunca cheguei a conhecê-la.
A última vez que minha mãe recebeu flores foi quando o novo vizinho do apartamento ao lado resolveu paquerá-la. Resultado? Minha mãe fingiu estar em um relacionamento — até hoje, o vizinho acha que ela namora um homem mais novo. No caso, meu irmão.
Caminhei até a porta de vidro e me surpreendi com a quantidade de flores que tinha ali dentro, eram cinco corredores de flores em bancadas e prateleiras e até mesmo no teto, parecia um paraíso, fechei a porta atrás de mim e caminhei pelo primeiro corredor sem prestar muita atenção em outras coisas ao meu redor que não fosse flores, parei em frente a uma flor vermelha com detalhes branco, muito bonita.
— Posso ajudar? — Me assustei com a voz atrás de mim e dei um pulo, me virando com a mão no peito.
— Eita, carambolas! — falei um pouco alto demais, e a mulher à minha frente abriu um sorriso grande e lindo. — Moça, não faz isso! Eu quase morri. Posso dizer que minha alma quase saiu do corpo.
— Me desculpa — ela ainda sorria — não foi minha intenção te assustar.
Ela inclinou a cabeça para o lado, fazendo com que seus belos cachos curtos balançassem.
— Eu trabalho aqui. Me chamo Normani.
— Muito prazer — segurei a mão que ela me estendeu e apertei — me chamo Lauren.
— Lauren, você já tem alguma flor em mente?
Ela soltou minha mão, e aproveitei pra analisá-la melhor. Usava uma calça jeans clara, bem ajustada ao corpo, uma blusa amarelo-clara e um avental preto pequeno amarrado na cintura, com tesouras de poda e luvas. Nos pés, tênis brancos. Os cabelos, soltos, eram curtos e bem cacheados.