Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Lauren POV
A pergunta saiu por entre meus lábios e, no mesmo instante, eu quis cortar minha língua fora. Eu não deveria ter perguntado aquilo. O que ela vai pensar de mim? Mas também... foi só uma perguntinha, né? Uma curiosidade.
Ela estava me encarando, e eu, por incrível que pareça, não conseguia desviar o olhar do dela. Não queria que ela pensasse que eu estava envergonhada — embora estivesse —, além de que... o olhar dela era hipnotizante.
— Você não vai responder? — perguntei, fazendo uma pequena careta e inclinando a cabeça para o lado.
— A Billie é minha amiga — ela disse, cruzando as pernas enquanto passava as pontas dos dedos pela mesa, sem desviar o olhar de mim.
— Muito bonita ela — comentei por fim, sem saber mais o que dizer. — Foi com ela que você saiu aquele dia? — Maldição de boca frouxa.
— Uhum — ela murmurou.
Desviei o olhar para algumas pessoas que Normani estava atendendo.
— Eu queria comprar flores — falei, sem pensar, e vi um sorriso enorme se abrir no rosto dela.
— Eu posso te ajudar a escolher, se me disser para quem pretende presentear — disse, apoiando os braços sobre a mesa.
— Eu... é... bom... — me remexi na cadeira, engolindo em seco ao vê-la arquear as sobrancelhas, esperando minha resposta.
— Assim fica mais fácil — ela continuou, com um sorriso leve. — Se for uma amiga, um parente, ou... algum pretendente — listou, se levantando em seguida.
Ela espalmou uma das mãos sobre a mesa e, com a outra, apontou para um corredor:
— Está vendo? Aquele corredor é só de flores para ocasiões mais românticas...
— Não! Quer dizer... — pisquei várias vezes, tentando organizar as ideias. — Eu não vim comprar flores... quer dizer — mexi as mãos no ar, atrapalhada — eu vim, sim, comprar flores, mas... não é para ninguém específico. É só para enfeitar meu apartamento?
— Você está me fazendo uma pergunta? — ela perguntou, abrindo um pequeno sorriso e cruzando os braços abaixo do peito.
— Não — respondi rápido demais.
Passei os dedos pela testa e fechei os olhos, deslizando-os até as pálpebras, tentando me recompor.
— Na verdade... eu vim ver você. — Abri os olhos, meio sem jeito. — Você meio que me convidou, lá na cafeteria... Mas, se eu estiver atrapalhando, eu posso...
— Hey — ela disse, pousando a mão delicadamente no meu ombro, chamando minha atenção. — Eu gostei da sua visita. Vou ali na salinha fazer um chá e trazer alguns biscoitos. Tudo bem assim?