Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Camila POV
O clima hoje está tão gostoso que eu demorei mais do que o normal para sair da cama. Sabe quando o tempo está fechado e, ao abrir os olhos, você tem a impressão de que ainda nem amanheceu? Então, o dia hoje está exatamente assim. Demorei para me levantar, demorei para tomar banho, demorei para comer.
Vesti uma calça jeans marrom escuro e uma blusa branca de gola alta e mangas compridas, calcei uma bota de cano baixo e peguei meu sobretudo. Não vou secar o cabelo — vai que pego chuva no caminho. Deixarei ele secando ao natural. Peguei as chaves da floricultura e as coloquei no bolso, peguei a bolsa e o celular, andei apressada até a porta e saí pelo corredor.
— Bom dia, menina Camila — o porteiro me cumprimentou sorrindo.
— Bom dia, João. Já tomou seu café hoje? — parei perto dele. Quase sempre ouvia a neta dele reclamar, dizendo que ele quase nunca tomava café da manhã, apesar de insistir que era a refeição mais importante do dia. Mas ele não dava ouvidos.
— Já sim, menina. Se eu não tomasse, a Gina enfiava goela abaixo — disse ele, sorrindo, e eu o acompanhei no riso.
Acenei com a cabeça e saí porta afora. Parei na calçada e não avistei nenhum táxi. Como a Normani precisou fazer uma entrega depois do expediente, ela ficou com a Kombi, então estou a pé. Continuei sem sinal de táxi e, para não chegar tão tarde, optei por ir andando mesmo.
O tempo continuava fechado e ventava bastante — um vento frio, porém agradável. Apertei o sobretudo contra o corpo e caminhei pelas calçadas, passando por entre as pessoas e ouvindo trechos de conversas, risadas de crianças, choros, latidos de cachorros e o som constante dos carros.
Senti uma gota pingar em minha bochecha direita e, automaticamente, olhei para o céu. As gotas começaram a cair com mais força. Olhei para os lados e avistei uma cafeteria. Já que eu me atrasaria de qualquer forma, melhor esperar em um lugar que sirva algo quente. Corri até a porta e a empurrei, ouvindo um tilintar vindo de cima. Caminhei até uma mesa no canto do estabelecimento, próxima à vidraça que dava para a rua.
— Café, moça? — um rapaz me perguntou enquanto segurava um bloquinho na mão esquerda e uma caneta na mão direita.
— Oh, sim, por favor. Quero um cappuccino e um pedaço de torta de limão, tem? — tirei meu sobretudo e o deixei no canto da mesa, perto da vidraça.
— Tem sim. Daqui a alguns minutos volto trazendo seu pedido, com licença — ele se retirou e foi até outra mesa.
Olhei pela vidraça e vi algumas pessoas correndo da chuva, que parecia ficar mais forte a cada minuto. Observei o ambiente que escolhi para me abrigar e me encantei. Era decorado em tons de marrom — claro e escuro —, com alguns desenhos em linhas pretas enfeitando as paredes, além de fotos de artes feitas com espuma de café. O local era calmo, e uma música baixa preenchia o ambiente suavemente.