Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Lauren POV
Peguei o carro de Dinah emprestado, já que o meu era baixo demais para passar na estrada que eu pretendia seguir. A via estava em péssimas condições, cheia de buracos e irregularidades, o que tornava o trajeto bem complicado para um carro mais baixo como o meu. Eu sabia que, com o carro dela, seria mais fácil enfrentar aquele terreno. Por precaução, deixei o meu carro com Dinah, caso ela precisasse sair para algum compromisso. Ela poderia usá-lo sem problemas enquanto eu estivesse fora. Sentia que era a solução mais prática, e a troca de carros não me causava maiores preocupações.
- Se você aparecer com um arranhão sequer no meu carro, Lauren - ela me olhou séria e apontou o dedo em minha direção -, você estará avisada.
- Fique tranquila, você sabe que eu vou cuidar dele direitinho - falei, passando a mão pelo capô do carro. Ela semicerrou os olhos e eu sorri amarelo.
Não disse mais nada e entrei no carro. Coloquei o cinto e dei partida antes que ela começasse a me passar mais um sermão. O trânsito estava tranquilo, já que era sábado e quase ninguém trabalhava naquele dia. Os que trabalhavam já estavam em seus empregos por conta das horas; faltavam dez minutos para as nove, horário em que eu disse que iria buscar Camila.
Passei o resto da semana tentando não pensar no encontro, pois, se o fizesse, provavelmente já teria surtado antes do dia chegar. Eu queria muito chamá-la, mas não conseguia falar diretamente com ela, cara a cara. Parecia que eu estava levando um choque de tanto que gaguejava. Então, Dinah me deu a ideia de escrever um bilhete e deixou bem claro: "Se você não escrever esse bilhete, eu juro que saio por essa porta e você vai ficar sozinha nessa cafeteria. E eu nunca mais volto". Ela falou tão sério que resolvi não duvidar dela. Afinal, era Dinah, né?
Cheguei em frente à floricultura, desci do carro e fechei a porta. Fiquei em pé na ponta da calçada, olhando ao redor. Estava usando uma calça jeans clara com alguns rasgos discretos na coxa, um tênis cinza claro e uma blusa da mesma cor, sem estampa alguma. Olhei para a floricultura e fiquei em dúvida sobre o que fazer: se entrava e chamava Camila ou se ficava do lado de fora esperando. Logo, a porta se abriu e a vi saindo, o que me fez ficar paralisada no lugar.
Camila estava usando uma calça preta que se ajustava perfeitamente ao seu corpo, e uma blusa amarela de mangas longas e gola um pouco alta. A blusa não era totalmente colada, mas também não estava folgada demais. Nos pés, ela usava um All Star da mesma cor da blusa. Seus cabelos estavam soltos, e ela veio em minha direção com um sorriso lindo, seu rosto parecia surpreso, mas ao mesmo tempo encantado.
- Eu achei que você não fosse vir - ela disse, parando na minha frente. Então, colocou o pé direito à frente do corpo, ficou um pouco na ponta dos pés e depositou um beijo carinhoso em minha testa. Fechei os olhos, aproveitando o contato, e ela se afastou rapidamente, se ajeitando diante de mim.