Meraki (v.) - do grego μεράκι: fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si naquilo que se faz.
Numa tarde chuvosa em Melbourne, na Austrália, uma jovem de cabelos castanhos encontra abrigo em uma pequena e acolhedora cafeteria. Do...
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Camila POV
Fazia uns três dias que eu tinha ido à cafeteria de Lauren e deixado o bilhete com a receita, e ela ainda não tinha aparecido aqui. A espera, na verdade, parecia mais longa do que realmente era, e o silêncio se tornava mais pesado a cada dia que passava. Sei que ela pode estar ocupada, a rotina dela deve ser cheia, mas a incerteza começou a me incomodar. Será que eu fui longe demais? Será que falei coisas que não devia? Talvez tenha assustado ela.
Não gosto de esconder o que sinto, e acho que isso, de alguma forma, me define, mas talvez eu tenha me exposto demais. A verdade é que, quando estou com Lauren, me sinto bem de um jeito que não consigo explicar, como se tudo ao meu redor perdesse um pouco da sua urgência. Algo em mim se acalma. Eu queria que ela soubesse disso, que ela soubesse que, por mais que eu tenha essa necessidade de dizer o que penso, a presença dela, mesmo sem palavras, já me diz tudo o que preciso ouvir. E se ela não voltar? E se eu tiver sido só mais uma pessoa que passou por ela, mas que não significou nada além de um momento? Eu me pego pensando nisso, mas não consigo me arrepender.
Eu só queria estar perto dela, mais uma vez, para ver se ela me olha de novo da mesma forma, com aquela suavidade que me faz querer me perder nos próprios sentimentos.
— No mundo da lua? — me viro e observo Mani me encarar, ela segurava um pequeno regador em sua mão. — Te chamei e você não me respondeu.
— Estava pensando na Lauren — respondo, desviando o olhar por um momento, como se tentasse afastar os pensamentos. — Eu acho que assustei ela com aquele bilhete.
— Eu tenho certeza — Mani diz, soltando uma risada enquanto eu nego com a cabeça, tentando afastar a ansiedade que ainda sentia. — Ela deve ter ficado tipo...
Normani deixa o regador em cima do balcão e, de repente, sua expressão muda. Ela arregala os olhos e começa a mexer a boca, como se quisesse falar, mas não conseguisse encontrar as palavras.
— Ela é uma fofa quando fica toda sem saber o que dizer.
— Isso é a mais pura verdade — digo, rindo junto com ela. Então, um som vindo da entrada da floricultura chama minha atenção. Olho rapidamente e vejo um rapaz de boné vermelho entrando com uma caixa e um papel na mão.
— Senhorita Camila? — ele chama, olhando na direção de Normani, que imediatamente levanta a mão e aponta o dedo na minha direção. Ele me vê, e seus olhos se suavizam. — Oh, senhorita Camila, isso é pra você, poderia assinar bem aqui?
Ele me estende o papel e, distraída com a situação, assino onde ele indica, tentando processar o que estava acontecendo. Ele me entrega a encomenda e, com um sorriso, se vira para ir embora.
— Obrigada — respondo automaticamente, e antes que ele saia pela porta, uma dúvida me surge. — Eu pedi algo e não me lembro?
Pergunto olhando na direção de Normani, que dá de ombros antes de se afastar e voltar à sua tarefa de regar as flores. Ela parecia imune à minha curiosidade, como se já soubesse que não obteria resposta. Olho para a caixa em cima do balcão, tentando encontrar algo que me indicasse de quem era, mas nada. Sem nome, sem pista, só o papel marrom claro que a envolvia. Com um suspiro de curiosidade, puxo a tampa e, ao abrir, descubro uma caixa preta dentro. Abro a caixa com cuidado e não consigo evitar um sorriso, negando com a cabeça, como se aquilo fosse algo que eu já deveria esperar.