Infiltrada - parte 2

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Uma viagem de 14 horas até lago Michigan, com Steve e Clint se revezando no volante, embora a adrenalina em seus corpos não os deixasse chegar sequer perto da sonolência. Ainda assim, precisavam estar totalmente alertas, e a atividade repetitiva entorpecia os dedos e pernas, de sorte que as breves paradas para trocar de lugar já se faziam um alívio para levar o sangue a fluir normalmente pelos membros.

Com o comunicador de Natasha totalmente silencioso, falavam eventualmente um com o outro quando o silêncio se tornava opressivo demais, uma válvula de escape para ambos em relação às emoções turbulentas que tanta imundície descoberta causava.

- Temos alguma estimativa de duração, para tudo isso? – A voz de Steve quebrou o silêncio reinante após duas horas na estrada. Era ele quem dirigia, enquanto Clint apoiava os pés semiadormecidos no console do carro, olhos fixos na estrada. – Natasha não foi muito verbal, essa semana.

- Pode durar dois dias, ou duas quinzenas. – O Gavião deu de ombros. – Temos um tempo máximo de um mês. Quarenta dias, se a Nat aguentar muito, mas não mais do que isso.

- Baseado em quê?

- Na capacidade dela de dormir sem sonhar. É uma técnica de trabalho, um sono alerta que descansa, mas não completamente. Em um mês, mais ou menos, o cansaço começará a provocar falhas de concentração, ameaçando expô-la. – Clint deu um esboço de sorriso, quase nostálgico, mas simultaneamente carregado com algum divertimento. – O recorde dela foi de seis meses.

- Seis meses sem dormir adequadamente. Por que não me surpreendo, mesmo? – Steve suspirou com resignação, mas também sorriu. – Foi quando ela veio para a SHIELD?

- Foi. Como o Sam diz, ela é um tanto paranoica. E era dez vezes pior, quando chegou. Não conseguia mais do que um sono absurdamente leve, deitada de costas para a parede, e até a roupa de baixo virava uma arma, para se defender de algum perigo. E perigo era qualquer pessoa além de mim, Fury e Diretora Carter.

- Muitas mortes?

- Não. Algumas contusões, ossos partidos e deslocados, desmaios... Mas a maioria era inteligente o bastante para evitar aquela parte da ala de detenção e, quando Nat saía, era sempre com um de nós. – Agora havia real diversão no rosto do arqueiro. – Mas havia o problema do sono. Chegou a um ponto em que ela teve os reflexos prejudicados seriamente, e depois já não conseguia falar ou entender outras línguas além do russo, pela exaustão.

- Peggy não interveio?

- Não. Eu resolvi, antes.

- A menos que tenha colocado Natasha em coma, não imagino como ainda está vivo. – O Capitão tinha um leve sorriso no rosto.

- Eu comentei que os reflexos dela estavam muito lentos: um dia, enquanto andávamos num corredor, consegui espetá-la com um sedativo. – o espião deu de ombros. – Não a sedou de imediato, e Nat me deu um murro na barriga, mas segurei o próximo golpe. Joguei aquela russa louca no meu ombro, aprendendo todos os palavrões em russo existentes, e alguns que ela criou no improviso, e levei de volta para o quarto dela. Algemei na cama, coloquei uma cadeira do lado do leito e disse que, se ela tinha medo de alguém a ferir enquanto dormia, eu iria ficar ali pelo tempo que precisasse, até vê-la refeita.

Steve segurava o riso, imaginando muito bem a cena e constatando que algumas coisas não haviam mudado em Natasha, em todos aqueles anos. Ela provavelmente agiria do mesmo modo, se os eventos se repetissem. Curioso para saber o desfecho de tudo aquilo, insistiu:

- E afinal?

- Ah, ela dormiu... Por trinta e duas horas seguidas. – A expressão de culpa de Barton foi hilária. – Achei que tinha colocado a mulher em coma, e precisei e reportar à Diretora Carter... Quando Natasha acordou, estava no hospital, com a diretora e eu do seu lado. E aquele chute foi o melhor que já tomei na vida: mostrou que ela estava bem, e fez minha chefe parar de me olhar como se fosse arrancar minha pele, o que acho que realmente considerou fazer. Mas quando Tasha acordou, deixou que ela mesma se vingasse. Elas conversaram em particular e, o que quer que tenham falado, funcionou. Ela passou a só usar essa técnica a trabalho, para evitar pesadelos que a delatassem. Na maioria das noites, tomava hipnóticos que bloqueavam os terrores noturnos, e depois as coisas melhoraram. – Ele suspirou e riu num som quase inaudível, uma risada preocupada e nervosa. – Ela sempre se coloca nessas coisas. No começo eu ficava preocupado, mas agora... Bom, não que não fique, mas é a Nat. Ela sempre vai voltar.

A Aranha na TeiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora