As três crianças se olhavam com curiosidade e alguma empolgação, como filhotes de gato que se cheiram sem ter certeza se devem ou não começar a brincar. Cooper e Lila pareciam fascinados com Lucy, que não era indiferente aos dois, nem demonstrava medo, mas parecia confusa com os dois pequenos que não apenas não a temiam, mas eram tão diferentes das demais crianças que conhecera em sua breve vida.
- Então... Você é filha da tia Nat? – Perguntou o menino, fazendo a garota Romanoff dar de ombros.
- Alguma coisa assim. Ela não... – Desistiu da explicação ao perceber que precisaria falar mais do que queria, para esclarecer. - É, sou sim.
- Você parece com ela. – Lila estendeu devagar a mão e tocou uma mecha cacheada e ruiva da nova amiga. – É bonita como a tia Nat. – um momento de silêncio e sobrancelhas franzidas. – Papai disse que você lê pensamentos. Isso é muito legal!
- A maioria acha só esquisito. – Ela olhou para a mãe, tentando obter alguma pista de como agir. Aquelas crianças eram tão... Sem medo, curiosas e expansivas! Olhavam para ela como uma potencial companheira de jogos, não como uma rival ou ameaça... Nada a preparara para isso! – Por que não estão com medo?
- Por que estaríamos? Você é nossa prima! – Cooper sorriu, um pouco confuso, até olhar para o pai e se lembrar do que ele falara, sobre Lucy ter sido muito machucada por outras pessoas, e precisar de muita gentileza e paciência até se acostumar. – E se quer saber, é muito legal, mesmo. Ler mentes, como os Jedi...
- Como os o quê? – Ela levantou uma sobrancelha enquanto puxava um meio sorriso do lado esquerdo, cópia do gesto da mãe.
- Ah, você não conhece Star Wars... – O garoto sorriu e lhe estendeu a mão. – Quer ver com a gente? Íamos te chamar para brincar lá fora, mas o papai e a mamãe vão sair, e vamos ficar com a tia Nat. Quando eles voltarem, podemos andar no trator, com o papai, e te mostrar a fazenda.
A ruivinha hesitou por um momento, antes de estender sua mão e segurar a do... Primo. Os dedinhos dele se envolveram nos seus e um sorriso divertido brotou em seus lábios, enquanto a alegria dele e da irmã a contagiavam, levando-a a sorrir também, mesmo sem entender exatamente o motivo. Ou talvez fosse sua própria felicidade, por não ser temida... Por saborear o que sempre vira nas mentes de outras pessoas, mas nunca tivera por si mesma. Lançou um olhar incerto para a mãe, procurando confirmação sobre estar agindo corretamente, e seu coraçãozinho acelerou ao receber um sorriso e um gesto de cabeça encorajador, enquanto ouvia os pensamentos que, claramente, a mãe se esforçara par que ouvisse:
"Vá. Estou bem aqui, e não vou sair. Já, já, vou para a sala com vocês."
Os pequenos foram para a sala de TV, deixando os adultos livres para falar entre si; os Barton estavam prontos para sair, mas Laura queria ter certeza de que a amiga ficaria bem:
- Consegue dar conta do trio? – E ante o levantar de sobrancelhas da amiga – Você entendeu o que eu perguntei.
- Eu dou conta do seu marido, em campo: acho que consigo cuidar dos meus sobrinhos e da minha filha, enquanto vocês fazem compras. Não sou um prêmio em maternidade, mas mantenho todos vivos.
- E você está bem para isso, Nat? – Foi a vez de Clint perguntar. Ele sabia tudo o que a amiga passara durante aquelas semanas, e o quão exausta ficara mentalmente. Não que ela algum dia fosse admitir isso, é claro.
- Estou bem para chutar você até o carro, Hawkeye. – Ela sorriu e gesticulou a porta com a cabeça. – Vão, sumam, os dois! Tirem um tempo para vocês! Sempre lidei com o Esquadrão Selvagem, é só mais uma adesão.
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A Aranha na Teia
FanfictionNatasha Romanoff sempre fez jus ao codinome Viúva Negra; suas mentiras e disfarces eram tecidos com a mais perfeita maestria, enredando as vítimas como a suave e invisível teia de uma aranha. Ela sempre dominou suas farsas, sempre conheceu bem a pró...
