A Filha da Black Widow (capítulo bonus)

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Heeeelllooooooo!! Tudo bom? Olha quem está aquiiiii!!!
Calma, abaixem as pedras!!! Esse capítulo está escrito há um tempo, mas TUDO resolve acontecer ao mesmo tempo, e eu literalmente não conseguia finalizar os três últimos parágrafos!!! Desculpaaaaa!!

Bom, hoje temos Lucynha contando um pouco da visão dela de tudo o que aconteceu em sua vidinha! Quem topa?

No fim do capítulo, uma ceninha fofa de novos amigos, para relaxar!

Boa leitura, e obrigada a quem continua aqui comigo! Vocês são demais!

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Lucy POV

Não sei exatamente porquê estou escrevendo isso, mas a dra Sofrza achou que seria um bom jeito de eu ver meu próprio progresso, e um registro útil para quando for mais velha, então...

Eu não gosto de falar da HIDRA, para ser honesta; sim, eu lembro de tudo, e queria muito sofrer de amnésia pós-traumática, mas infelizmente uma das coisas que minha mutação causa é hipermnésia... Ou seja, eu lembro de tudo. Em detalhes. Inclusive coisas que a maioria das pessoas não lembra, como o dia em que andei pela primeira vez (tinha cinco meses e nove dias, mas meu desenvolvimento era o dobro disso) ou refeições que fiz ao longo do último mês inteiro, ou informações aleatórias como os nomes de toda a seleção de futebol das olimpíadas (e eu nem gosto de futebol). Mas tagarelei muito. Desculpa. Acontece quando não quero falar de um assunto...

Pra falar o suficiente do meu tempo na HIDRA, só posso dizer que ser uma telepata era o que me fazia saber que aquilo era anormal e errado. Eu via nos pensamentos dos adultos que crianças não eram tratadas assim, que os filhos e irmãos e sobrinhos deles tinham casas, pais que os cuidavam, iam para a escola e brincavam... Eu odiava minha mutação, odiava ser quem era... Foi a época mais difícil da minha vida, e eu só sobrevivia porque... Porque era instintivo. Mas eu queria morrer, muitas vezes, e a raiva que sentia de tudo aquilo era o que me fazia lutar. Afinal... Sentia dor todos os dias, sempre sendo treinada, aprendendo a lutar, sendo castigada e testada de todos os jeitos para saberem tudo que eu podia fazer... Como podia machucar outras crianças, ou concordar com as coisas que queriam me obrigar a fazer...? Obedecer nunca foi uma opção. E se me matassem... Pra que servia estar viva, se tudo que eu tinha era dor e medo?

Eu não era nem mesmo uma criança normal... Ouvir o tempo todo o que os adultos pensam... É difícil explicar o que é ser um telepata: os pensamentos do outros aparecem como se fossem seus, mas não são seus. Para os não telepatas entenderem... A diferença é como ouvir a própria voz ou a de outra pessoa. Mesmo se for uma voz idêntica à sua, você sabe que não veio da sua boca. Mas de um modo mais pessoal, porque envolve todos os sentidos, além de emoções e sensações. Com tanto estímulo, meu cérebro era forçado a amadurecer mais rápido, e com isso ele forçou meu corpo a crescer mais depressa, de um modo involuntário. Isso só os fazia querer me estimular mais, obter mais da arma que eu poderia me tornar logo... Entender melhor minha capacidade. Até eu ter um ano e meio, as Babás me criaram, e não havia nada além de exames repetidos e testes e estímulos para que me desenvolvesse mentalmente. Mas quando meu corpo atingiu o tamanho e função de quatro anos, tudo mudou.

A partir dos quatro anos de desenvolvimento, me faziam treinar combate e me exercitar até meu corpo falhar, me colocavam em isolamento, outras vezes me hiperestimulavam visual ou auditivamente, sempre com sensores e máquinas lendo meu cérebro e detectando as alterações. Quando isso não foi o bastante, me prenderam a uma mesa, colocaram agulhas em mim e as usaram para dar choques que ativavam os nervos. Diziam estar "mapeando meu cérebro". E tudo isso me deixava apavorada, cada dia mais assustada, machucada e com mais raiva. Eu matei alguns dos cientistas por acidente, quando emoções ou estímulos me sobrecarregaram demais... Tudo o que sabia era que eu era uma arma letal. Mas não queria ser. Eu só queria ser uma criança como as que via nas mentes dos adultos ao meu redor...

A Aranha na TeiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora