Zona Cinzenta

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 Steve viu Natasha cochilar pela terceira vez diante da tela azul, sem sequer se mover do lugar; pelo que ela mesma lhe confessara, era a quinta noite em claro que passava, e o Vingador se sentia a cada momento mais preocupado com a companheira de equipe. Clint e Nat haviam terminado o planejamento da abdução de Melinda Lambert ainda no final da tarde, mas a espiã se lançara ao estudo das pesquisas, histórico, relatórios e toda sorte de documento que eventualmente se relacionasse ao alvo.

A princípio, tanto Clint quanto Steve haviam tentado demover a mulher, mas ela se mostrara irredutível; Hawkeye acabara desistindo, após algum tempo – ele próprio também sem dormir há várias noites, viradas com a amiga. Já Rogers apenas pegara uma cadeira e passara a ajudar Natalia do modo como podia, fazendo relações, esquematizando os principais nomes, levantando detalhes do histórico de Lambert... E haviam seguido assim até as quatro da manhã, quando os olhos da russa começaram a se fechar involuntariamente. Por duas vezes ela sacudiu a cabeça, tomou mais um gole de café e prosseguiu, mas na terceira vez suas pálpebras permaneceram fechadas, e por alguns momentos Steve sorriu com a visão das feições se relaxando, ao mesmo tempo em que sentia aquele desejo de confortar e proteger a mulher. E quando os segundos passaram sem que ela despertasse, tomou sua decisão.

- Nat? – Sua mão pousou levemente sobre a dela, para não assustá-la, e os olhos dela se abriram levemente, pesados de exaustão. – Hey, vem aqui. – Passou um braço pelas costas dela, o outro por sob suas pernas e a levantou, impedindo-a de protestar. – Eu sei o que vai falar, mas, se não descansar, vai cometer um erro grave quando estiver agindo. Precisa dormir, porque sua cabeça não consegue absorver mais nada, agora.

Foi uma total surpresa quando a ruiva, além de não protestar, anuiu e aconchegou a cabeça contra o peito do soldado, caindo no sono quase imediatamente, outra vez. Ele a levou para o quarto, ajudou-a a tirar as roupas e a colocou deitada.

- Steve... – A espiã ia dizer algo, mas acabou sussurrando em russo, cansada demais para seu cérebro funcionar em inglês. A única indicação de sua intenção foi o modo como segurou o braço do colega perto de si, puxando-o de leve para perto, e o americano entendeu. Tirou as roupas de cima e se deitou ao lado de Natalia, aconchegando-a em seu corpo.

- Estou aqui, Nat. – Com ela encolhida na cama, envolveu seu corpo no da mulher, puxando-a contra si e passando um braço sobre os dela, como se seu abraço a pudesse proteger de tudo no mundo. E só Deus sabia como ele gostaria que fosse verdade. Sorrindo ao ouvir a respiração lenta denunciar um sono profundo, ele escovou os cabelos dela para cima, de modo a aninhar o queixo na curva de seu ombro, e foi assim que ambos dormiram até que fosse quase hora do almoço, no dia seguinte.

*

- Testando, Capitão. – Confirmou Tony, dando permissão a Steve para testar o filme blindado que distribuíra sobre a placa de metal. Se passasse no teste, ele aplicaria a todo o carro que aprimorava, combinado com a tinta ionizante que permitia uma variação de espectros entre o violeta e o verde, todos em tons escuros que podiam ir direto ao preto, se o recurso "cor" fosse desativado. Estavam no enorme galpão de alta tecnologia em que Stark criava não apenas os protótipos das armaduras, mas dezenas de projetos de maior volume, que iam desde aprimorar os próprios carros até uma tentativa ainda em curso de criar um satélite de rastreamento próprio, indetectável. O espaço possuía pé-direito triplo, cercado por elevadores hidráulicos que moviam as enormes plataformas nas quais o equipamento era guardado. O piso e paredes eram em tons de cinza e azul, e todo o vão possuía dezenas de projetores, para o engenheiro não ter de se deslocar para acessar os próprios projetos, enquanto trabalhava.

- Certeza? – Perguntou Steve, preparando os punhos. Dois guindastes imobilizavam entre si uma placa de 1,5 m por 2m, revestida com a película de alta blindagem, que dissipava a energia do impacto, redistribuindo por toda a estrutura.

A Aranha na TeiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora