Seu tornozelo ferido doía como o inferno, amortecendo sua perna até acima do joelho e comprometendo sua velocidade. Ela corria com todas as forças, saltando e escalando escadas e passarelas a fim de fugir ao alcance da fera gigantesca cujos rugidos pareciam mais e mais próximos, mas Natasha não se atrevia a olhar. Receava que a fração de segundo requerida pudesse ser a diferença entre conseguir ou não escapar ao golpe seguinte.
Sua perna afetada falhou na aterrissagem de um salto, levando Romanoff ao chão numa queda nada graciosa, a qual instintivamente a espiã amorteceu com rolamentos para o lado, bem a tempo de não ser esmagada por pés quase tão grandes quanto seu corpo! Deviam ser tão enormes? Parecia ainda maior do que na última vez... Espere... Última vez? Não, não, não, isso era apenas um sonho! Um loop no qual fugia ininterruptamente do Hulk e, quanto maior seu terror, maior e mais apavorante o monstro pareceria!
- É um sonho. Acorde. ACORDE. - Tentou gritar consigo mesma, mas os movimentos instintivos para escapar do brutal atacante estavam além de seu controle. Congelar não era uma opção... Mas era apenas um sonho! Por que não conseguia controlar?
- Só está sonhando, Natasha. Controle. Mude isso... - Um golpe violento atingiu em cheio seu tronco, arremessando-a de costas contra uma pilha de canos, grades e placas de metal. Uma dor aguda atravessou seu ventre, espalhando-se para todo o abdome e, quando a mulher baixou o rosto para ver, percebeu-se empalada por uma grossa haste metálica, cravada na parede às suas costas e entortada na ponta, impedindo-a de sair dali, não importava quanta força fizesse para arrancar o objeto de seu corpo!
Agora o monstro sorria e farejava o sangue, avançando em sua direção lentamente, pronto para lhe dar seu destino final. MERDA, ERA APENAS A PORRA DE UM SONHO! POR QUE NÃO CONSEGUIA MUDÁ-LO?! Era quase como se... Como se houvesse outra mente controlando aquele espaço! E a súbita percepção fez o coração da Viúva Negra gelar, principalmente ao ouvir uma voz infantil chamar, como o mesmo tom de autoridade e audácia que ela mesma usara naquele dia:
- HULK! - Não, não, não... Lucy não estava ali. Era apenas projeção de sua mente. Droga, Romanoff, acorde logo! Ela se forçou contra a extremidade torta da barra, ansiando pela dor potencialmente capaz de despertá-la, mas só o que conseguiu foi um grito abafado escapando de seus lábios. Não!
A criatura verde chegava mais e mais perto da criança, que vestia o uniforme preto de Black Widow e tinha seus cachos rebeldes cortados na altura dos ombros... Desafiando o monstro como a mãe o fizera. Não...
- LUCY, SAIA DAQUI! - Não podia ser. A garota não podia estar de fato em seu pesadelo. Era apenas uma projeção de sua mente traumatizada que, afetada pelos eventos do dia, não conseguia despertar. Precisava ser! - HULK! EU ESTOU AQUI! FUI EU QUEM TE TROUXE PARA CÁ! Você não vai terminar o serviço?!
Seus gritos irritaram o monstro, cujo interesse na garotinha se desfez e o levou a arremessá-la para longe com um tapa, enquanto se voltava para a vítima inicial. Ela era a culpada. Fora quem começara aquilo. Quem o buscara em seu refúgio seguro. Ela queria o monstro... Teria o monstro.
A última coisa que Natasha sentiu foi a dor lancinante da haste grossa como um punho masculino sendo arrancada de seu corpo, e então cravada novamente em seu peito.
***
- NAT!!! - Steve já ultrapassara o ponto de se preocupar minimamente com qualquer autopreservação e, montando os quadris da Viúva Negra a fim de impedir-lhe o uso das pernas para partir seu pescoço, tinha as mãos em seus ombros, sacudindo-a vigorosamente a vir de acordar a mulher de seu terror. Soube que tivera sucesso quando as mãos femininas golpearam a face interna de seus cotovelos e empurraram suas mãos para longe, fazendo-o perder todo o apoio do próprio peso e cair sobre ela, perto o suficiente para uma cabeçada passar a milímetros de acertar seu nariz, e a base de uma palma acertar a lateral de sua cabeça com força suficiente para deixar o americano tonto. Ainda assim, ele não soltou a companheira, mas começou a lhe falar com voz calma. - Nat, sou eu. Você está em casa, amor, foi só um pesadelo. Só um pesadelo. Respire. - Foi difícil contê-la, mas entre seu peso e a confusão dela, Rogers a teve firmemente segura sob si até sentir os espasmos furiosos de luta se acalmarem, e ver os olhos verdes recobrarem sua lucidez.
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A Aranha na Teia
FanfictionNatasha Romanoff sempre fez jus ao codinome Viúva Negra; suas mentiras e disfarces eram tecidos com a mais perfeita maestria, enredando as vítimas como a suave e invisível teia de uma aranha. Ela sempre dominou suas farsas, sempre conheceu bem a pró...
