Dois dias se haviam passado com rotina similar, até que algo rompesse o ciclo: o comunicador de pulso similar a um relógio que os membros do Programa usavam constantemente recebeu uma mensagem ordenando a Melinda Lambert que seguisse para a Sala XV, geralmente usada para entrevistas e relatórios. Ela não era tola de achar que não haveria algo por detrás disso, e fortaleceu ainda mais a imersão em seu papel: se tivessem a menor desconfiança, trataria de destruí-la com uma atuação impecável, e foi com confiança que rumou para o lugar ordenado, mesmo que seu andar espelhasse apreensão, algo esperado de uma subordinada convocada para um interrogatório.
O silêncio no corredor incomodou e alertou Natasha; geralmente seus músculos se preparariam para o combate, mas ela os forçou a relaxar. Era apenas outro teste. Não podia reagir, nunca, pois seria entregar a si mesma, e no fim, tudo se resumia a não sair do personagem, não importava o que lhe fizessem, mental ou fisicamente.
Assim que abriu a porta, mãos brutas a agarraram com força e bateram contra a parede interna da sala ora vazia. Melinda gritou de susto e dor, encolhendo-se e tentando empurrar para longe quem quer que fosse. O lugar estava escuro demais para observar feições, e tudo o que enxergava era a forma do homem assomando-se sobre ela.
- Pensou que poderia se esconder sob nossas vistas, Black Widow? Você não é tão boa assim. - Ela foi batida novamente contra a parede, e um joelho veio ao encontro de seu estômago, arrancando todo o ar de seus pulmões, fazendo-a dobrar ao meio e cair para frente, trêmula e desesperada, em pânico e choque:
- Do que está falando?! - Sua voz soava cortada e falha de susto, medo e dor.
- Sua farsa pode parecer convincente, mas sabemos quem você é. - Ela não soube dizer se foi um pé ou mão que a acertou no rosto; doeu, obviamente, mas para quem fora treinada na SV, não causava efeito maior que um hematoma brando para um pugilista profissional... Ainda assim, não conteve um grito, e tentou recuar de costas quando seu corpo atingiu o chão. Todos os seus instintos de luta haviam sido voluntariamente suprimidos, e reagia totalmente guiada pelo desejo de fuga. - REAJA!
Era tudo uma armadilha: se soubessem mesmo tratar-se dela, Natasha Romanoff, teria sido uma bala em sua cabeça, e não um espancamento. A sala escura servia para instigá-la ainda mais a reagir e se entregar com a falsa sensação de segurança que isso lhe traria em relação à vigilância da central. Obviamente as câmeras possuíam modo noturno, e captariam qualquer movimento de combate.
- PARE! - Gritou encolhida em posição fetal, quando chutes acertaram suas costas e pernas. Dedos duros se enrolaram em seu cabelo e empurraram seu rosto contra o chão, enquanto chorava e tentava pateticamente se levantar e fugir. Mais golpes se seguiram nas costas, arrancando gritos e pedidos desconexos para que a agressão cessasse. Seu corpo foi bruscamente virado de costas para o chão, e dois tapas no rosto a aturdiram.
- Eu não sou quem você pensa! - Gritou ela, em pranto convulsivo, implorando. - PARE, POR FAVOR! Eu não sei... Não sou! Pare! Por favor, pare!
- Até onde vai sua disposição a não reagir, Black Widow? - Seu atacante, quem quer que fosse, reuniu ambas as mãos da mulher na sua, prendendo-as acima da cabeça, e com a outra desferiu repetidos golpes contra suas costelas. Cada ataque era cuidadosamente direcionado para causar dor e instigar reações, mas não acertar de modo realmente lesivo.
Natália apenas se encolhia no fundo de sua mente, enquanto deixava Melinda reagir como uma mulher normal. Mas quando a mão que a agredia parou de desferir socos para correr por seu corpo de modo mais que sugestivo, foi quase impossível não lutar.
- NÃO! O QUE ESTÁ FAZENDO?!
Em vez de resposta verbal, mais um tapa, agora bem mais forte, e então um aperto forte em seu seio esquerdo, arrancando um grito de agonia dela; seu decote foi rasgado até expor o sutiã, o peso de seu agressor todo sobre seus pulsos e coxas, de um modo que apenas uma lutadora treinada poderia escapar, e então a boca dele estava em seu pescoço, mordendo até que ela sentiu a pele quebrar, e uivou em desespero.
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A Aranha na Teia
FanficNatasha Romanoff sempre fez jus ao codinome Viúva Negra; suas mentiras e disfarces eram tecidos com a mais perfeita maestria, enredando as vítimas como a suave e invisível teia de uma aranha. Ela sempre dominou suas farsas, sempre conheceu bem a pró...
