Lar e dever

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A dupla de espiões demorou algum tempo arquivando as novas informações e lançando-as no sistema compartilhado, enquanto usavam os novos dados para filtrar o enorme arquivo e conseguir direções mais precisas para sua próxima atuação.

Isso feito, seguiram para os respectivos apartamentos a fim de tomar banho, trocar de roupas e retirar as "máscaras" vestidas durante o trabalho. Não eram as mesmas pessoas no trabalho e em família, tampouco desejavam trazer para perto de Lucy o pior de si mesmos.

Já mais relaxada e desvinculada das ações que tivera ao longo daquele dia, a russa subiu para o andar comum ou, como vinham chamando, o Avengers Floor. Mas não esperava a cena que encontrou: sentada à mesa e de pijama, Lucy fazia seu dever de casa com Tony ao seu lado, explicando-lhe métodos mais avançados para resolver os problemas. Pepper se sentava de frente para ambos, olhando a cena de modo terno e carinhoso, enquanto Steve preparava o jantar. Ter uma criança em casa parecia ter contribuído muito para tornar os Avengers cada dia mais unidos, fora das missões. Tornava-os ainda mais uma família, embora Natasha suspeitasse que dificilmente teria ocorrido o mesmo se fosse qualquer outra criança que não Lucy. A pequena possuía uma doçura, altruísmo e gentileza que, mais ainda do que a pronunciada maturidade mental, tornava-a alguém que atraía todos para si, e uns para os outros. Até mesmo mediar e apaziguar conflitos a diabinha fazia!

- Privet, mama!! - A vozinha pueril e alegre a tirou de seu devaneio, fazendo Romanoff sorrir. - Terminou o trabalho?

- Por enquanto. E você, como está o dever?

- Quero demitir meu assistente e colocar a Lucy no lugar. – Foi Pepper quem respondeu, bagunçando os cabelos da afilhada enquanto Natasha ficava à esquerda da menina, observando-a com um sorriso. Equações de primeiro e segundo grau, resolvidas com a mesma facilidade de uma soma simples... Lucy absorvia o conhecimento como uma pequena esponja, não apenas das aulas, mas pelo contato mental com pessoas ao seu redor. E tendo contato constante com Stark e Banner... Não era surpreendente, mas a espiã tampouco conseguia se acostumar.

- A matéria é fácil, mama. Tio Tony faz ficar ainda mais, e já estou acabando! Amanhã vou começar a ter mecânica, em física! E também química de ácidos e bases! Você me ajuda?

Romanoff sorriu e beijou a bochecha da pequena, ainda estranhando, mas adorando a sensação calorosa que se espalhava por seu peito quando interagia com a criança:

- É claro, moya kukla. E como está com história? Piotr disse que você andou discutindo com o professor.

- O professor Graham conta a história como se a América fosse a única heroína de tudo, e você e o papai já me contaram muita coisa bem diferente. Os livros no nosso apartamento contam diferente, os que estão em russo, alemão e francês. Eu só disse que a história não é uma só, que depende de quem conta. – Pelo canto do olho, Natasha viu Steve balançar a cabeça e sorrir discretamente. Ah, a praguinha! Estava se saindo melhor do que ambos!

- O professor vai te contar a versão que aprendeu. A sua parte é saber que essa não é a única versão, e que a história sempre vai ser contada de um modo diferente, dependendo do ponto de vista de quem conta. Não vale a pena brigar por tão pouco, mas... É bom que você não aceite simplesmente o que te dizem. Que questione. Mas faça isso fora da aula, em particular com seu professor.

- Está bem, mama. – A garotinha tinha um sorriso deslumbrante, e voltou a prestar atenção na página onde resolvia os problemas. A felicidade de Stark era estampada não apenas em seu sorriso, mas no modo como passava o braço em torno da afilhada e lhe ensinava com paciência, fascinado com a velocidade de aprendizado da pequena. Eis ali uma cena que ninguém jamais esperara ver!

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