Flashback On (POV Narrador)
- Você está louca, Margareth? - Natasha gritou, golpeando com violência a agente britânica no estômago e correndo para os controles, inevitavelmente avariados. O manche não respondia direito, e a aeronave mergulhava em queda vertiginosa enquanto a espiã fazia todo o possível para estabilizar o avião e ao menos conseguir planar até um pouso forçado. Mas sobrevoavam a cordilheira dos Urais! Um pouso de emergência seria potencialmente letal, ainda que a única chance de sobreviver.
- Você perdeu, dessa vez, Romanova. As informações já estão em Londres. Não vai ter tempo de matar pessoa alguma, agora, e se nós duas morrermos... Fiz a coisa certa.
A russa teria baleado sua petulante rival, mas suas mãos se encontravam ocupadas mantendo o pouco controle que tinha sobre o avião, e a velocidade era vertiginosa demais para que Carter pudesse saltar de paraquedas. Além disso, mesmo o sucesso seria suicida, pois cairia no meio da cordilheira, em pleno inverno. Não havia chances de sobreviver ali, sozinha e, se sobrevivessem, Romanova daria cabo da inimiga tão logo estivesse em terra.
***
Tudo em si estava dolorido mas, por alguma estranha sorte, não havia qualquer ferimento grave no corpo de Natasha. Os múltiplos arranhões e lacerações eram superficiais, até onde podia ver, e foi com cuidado que rastejou para fora dos destroços, garantindo-se de não haver peças de metal presas a si que a houvessem perfurado, ou pudessem causar dano quando se movesse.
Com pelo menos duas costelas fraturadas, levantou-se e olhou em redor à procura da estúpida britânica que derrubara seu avião. Sua pistola Magnum se encontrava no chão, pouco à frente, e a agente a recuperou enquanto avançava cuidadosamente pelos destroços espalhados pela rocha coberta de neve. O frio mordia a pele, mas auxiliava a não sentir tanto os ferimentos, num primeiro momento, e seria seu aliado se a infeliz agente da CIA houvesse logrado uma fuga. Contudo, seus próximos passos deixaram claro não ser o caso: pouco adiante, presa sob uma grande placa de metal, com profundo corte na perna, outro na cabeça e inconsciente, jazia a mulher morena. A raiva pela trapaça que a colocara naquela situação e, principalmente, pelo consequente fracasso em sua missão, fez a mão da ruiva subir e mirar o ponto entre os olhos da inglesa. Já havia destruído muitas vidas, aquela seria apenas mais uma.
Deveria ser fácil... Era só puxar o gatilho, mas Natasha ainda carregava a cicatriz do ferimento de bala do qual aquela mesma mulher a salvara. Não apenas não a entregara à CIA - o que por si só teria quitado o débito de Carter para com Natalia - mas tratara de suas feridas, dera-lhe roupas limpas, alimento e um lugar seguro para dormir, junto com a chance de escapar livremente de um destino infinitamente pior que a morte. Tudo o que aprendera lhe dizia que Margareth fora apenas estúpida, mas puxar o gatilho parecia simplesmente errado. Após longos minutos de indecisão, a Viúva Negra guardou a arma no coldre e deu as costas à outra. Não precisava matá-la pessoalmente: se a concussão não o fizesse, o frio crescente com certeza se encarregaria disso. Presa sob a pesada peça de metal, a outra não iria a lugar algum, e morreria ali como consequência dos próprios atos. Sem culpas sobre os ombros da russa, ao menos dessa vez.
***
- Que o Diabo te carregue, Carter, por que insiste em continuar viva? - Natasha resmungou ao arrastar Peggy pela neve até o abrigo que escavara para se proteger. - Você é tão irritante que nem a morte te quer.
- Se não queria que eu sobrevivesse, era só enfiar uma bala na minha cabeça. Deixar alguém para morrer de hipotermia e hemorragia é baixo, além de não ser garantido. - Carter rebateu, abafando um grito quando foi puxada pelo acentuado declive para dentro da toca improvisada, e jogada no chão.
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A Aranha na Teia
FanficNatasha Romanoff sempre fez jus ao codinome Viúva Negra; suas mentiras e disfarces eram tecidos com a mais perfeita maestria, enredando as vítimas como a suave e invisível teia de uma aranha. Ela sempre dominou suas farsas, sempre conheceu bem a pró...
