Dias quase comuns

1 1 0
                                        


A pequena mutante vibrara ante a ideia de um quarto apenas seu e, mesmo sendo um aposento de hóspedes, impessoal, trouxe um brilho de felicidade e gratidão a seus olhinhos; a Black Widow a ajudou a organizar suas coisas no armário, nas gavetas da cômoda e sobre esta, o que de imediato conferiu certa personalidade ao aposento, especialmente com as miniaturas do universo de Tinker Bell cintilando sobre o móvel e o cobertor verde e felpudo com silhuetas de fadas estendido sobre a cama, com o dragão azul de pelúcia junto aos travesseiros. Embora houvessem arrumado tudo de modo metódico e prático – Lucy possuía a mesma praticidade e ações mecânicas da mãe, obtidas pelo condicionamento – não deixou de haver certa emoção desconhecida no ar... Ambas estavam felizes por Lucy estar ali, e o ato de arrumar o quarto aos poucos se tornou algo cúmplice, que finalizaram com uma troca de sorrisos antes de a espiã mandar a criança para o chuveiro.

Enquanto Lucy tomava banho, Natasha checou os arquivos que Jane lhe enviara, apenas uma passagem rápida de olhos para se inteirar do andamento da busca pelo Cetro. Obviamente, o rastro desaparecia em outra antiga base da HYDRA, e precisariam ir ao local investigar, o que provavelmente significaria mais problemas. Nenhuma novidade. Quando todas as análises estivessem completas, voltaria a estudar os arquivos para ver o que poderia descobrir. Por ora, eram dados incompletos, e podia se dar mais uma noite de folga antes de mergulhar novamente no trabalho.

Assim que a menina saiu do banho, foi a vez de Romanoff, e não demorou para estarem ambas vestidas com roupas mais simples e confortáveis, e subirem novamente para se encontrar com os demais.

O jantar foi estranhamente descontraído: as conversas eventualmente passaram pelo trabalho conjunto na busca pelos remanescentes da HYDRA, mas não tocou nos aspectos mais obscuros e nauseantes de tudo aquilo, e no geral os assuntos se afastaram desse rumo. Uma coisa boa, pois Jane, Selvig, Ian e Darcy haviam tido pouco contato com os Vingadores, e havia muito a ser dito; Lucy era a mais falante, com certeza, fazendo mil e uma perguntas e brincadeiras, – compensando o silêncio atento da mãe – e, em certos momentos, servindo como ponte para manter a conversa fluindo entre todos. Por alguns momentos, Natasha considerou consigo mesma que a garota seria uma diplomata brilhante, e tratou de sufocar o lado que tentou imaginar o quão excepcional Lucy seria no ramo da espionagem, com sua facilidade em mudar de atitude e se adaptar. Não. Aquilo não era uma hipótese; Lucy não enveredaria pelos caminhos que ela havia seguido, não importava o que precisasse fazer.

Finalmente, quando a maioria começava a se preparar para se recolher, Natasha levou Lucy para seu apartamento e colocou a filha na cama. Acendeu o abajur em forma de flor no criado-mudo, e se certificou de que a pequena estivesse confortável, aconchegada e segura.

- Você está bem, Lucy?

- Estou, mama. – A pequena reprimiu um bocejo, caindo de sono. – Mais feliz do que já fui. – A espiã sorriu e beijou sua cabeça, colocando um celular programado para chamar seu número ao ser apertado "discar".

- Se precisar me chamar, durante a noite, é só apertar esse botão, está bem? Depois que você dormir, eu vou subir e conversar mais um pouco, mas se me ligar, volto para cá na hora. Tudo bem? – A pequena assentiu, sonolenta demais, e provavelmente dormiria direto até o dia seguinte, mas Romanoff preferia não arriscar. – Boa noite, Malen'kaya.

- Boa noite, mama. – A última palavra saiu como um sussurro enquanto a garotinha exausta caía no sono, deixando um formigamento e calor estranhos e desconhecidos se espalharem pelo peito da agente, que sorriu levemente.

Ficou ali por quase meia hora, até ter certeza de que a filha estava em sono profundo, e então pegou as escadas: não ia subir muitos andares. Assim que bateu à porta de Steve, o soldado atendeu com uma expressão apaixonada, envolvendo a Black Widow nos braços quando seus lábios se encontraram em um beijo feroz.

A Aranha na TeiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora