Capitulo 5

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RK💣

Acordo sentindo minha boca seca, sento na cama e pego o copo de água na cômoda do lado, dei um gole grande e respirei fundo.

Olhei para a janela e vi o sol começar a nascer, ver o nascer do sol sempre foi uma coisa que eu amei, desde menor eu fugia pra praia só pra ver o sol nascer, bagulho bonzão de ver.

Me arrastei pra beirada da cama e puxei minha cadeira, com o tempo eu aprendi a me virar sozinho. Com ajuda das minhas mãos coloquei minhas pernas pra fora da cama e peguei impulso no braço da cadeira me sentando todo torto.

Depois de um bom tempo me arrumando e finalmente consegui ir até a janela, abri ela toda e vi o sol já brilhar iluminando boa parte do quarto. Fechei os olhos sentindo os raios fracos tocar meu rosto e pensei em tudo que vem acontecendo.

Passar 4 anos dormindo é foda pra caralho, acordar sem saber onde está, sem conhecer ninguém e ainda por cima não sentindo nada da cintura pra baixo é pior ainda.

O tal do Beto vem me ajudando pra caralho, depois de tudo que ele me contou eu devo ele pra caralho. Mas o que mais me mata é a saudade da minha indiazinha e do meu moleque.

Eu vejo direto fotos deles no Instagram dela e a vontade de voltar pro lado deles é enorme, mas quero voltar pra eles inteiro, não um merda de um inválido que não consegue fazer porra nenhuma sozinho.

Voltei pra perto da cama e peguei o celular que o mano me emprestou, disquei o número dela pela milésima vez nos últimos anos, ouvir a voz dela é a única coisa que me motiva a continuar tentando.

- alô - a voz dela do outro lado me fez arrepiar é meu coração acelerar.

Era sempre assim, sempre as mesmas sensações.

- vamos mãe, vou me atrasar - ouvi uma voz masculina, porém meio fina ainda e sorri sabendo ser o Cauã.

Saber que depois de tudo, ela ainda cuida do meu filho e por tudo que eu vejo me faz ter certeza que eu escolhi a melhor.

A porta do quarto abriu e eu desliguei a chamada e sequei uma lágrima que caiu antes de virar pra porta.

- bom dia - Vânia falou animada como todos os dias.

Ela é tia do Beto, outra que me ajuda pra caralho nessa porra toda.

- achei estranho que não tava na cozinha - ela falou e veio até a cama arrumando o lençol e os travesseiros.

- tô sem fome - falei vendo ela terminar de arrumar tudo.

Desde pequeno dona Cássia sempre me obrigou a arrumar minha cama, um bagulho que eu já fazia no automático, assim que levantava já esticava tudo e deixava certinho. Não poder fazer isso só deixa mais claro o quanto eu tô inválido.

- nem um café?- ela perguntou e eu neguei.

Ela suspirou e me olhou por um tempo, mesmo eles me ajudando pra caralho, eu não sou de falar não. Falo a básico e fica por isso mesmo, eles não sabem nada da minha vida, acabei contando pro Beto sempre a Quésia e o Cauã, mas nunca falei nada do morro ou da minha vida.

- daqui a pouco o Beto passa aqui pra fazer seus exercícios, sabe que não vai poder fazer se não comer nada - ela falou e eu ignorei olhando pro canto do quarto- a Maria trouxe um pote da sua geleia, ta fresquinha - falou e eu olhei pra ela.

Aqui a cidade é pequena pra caralho, todo mundo se conhece e se gosta. Maria é uma amiga da Vânia que faz umas geleias dahora e sempre trazia pra Vânia, a que eu mais me amarro é a de amora.

Soltei um suspiro e sai do quarto e ela veio atrás, fui direto pra cozinha e ela já passou na minha frente colocando o pote da geleia em cima da mesa com a faca e pegou a bolacha de água e sal.

- dormiu bem?- perguntou se sentando e pegando um pedaço de bolo e eu assenti.

- bom dia - Beto falou se sentando na mesa e colocando café pra ele.

Abri o pote e passei bastante na bolacha e enfiei ela na boca.

- adoro essa geleia - ele falou puxando o pote e passando no pão dele.

Dei uma olhada feia pra ele que ignorou e mordeu o pão. O resto do café se resumiu nele falando sobre o plantão dele no postinho da cidade que era mais morto que qualquer coisa e a Vânia contando das fofocas das velhas da cidade.

Terminei de comer e voltei pro quarto, com um pouco de esforço deitei na cama de novo e logo o Beto veio.

- pronto pra sessão de hoje?- perguntou e eu revirei os olhos.

- não vai mudar em porra nenhuma mesmo- falei e ele suspirou. 

- sabe que nos últimos meses você tem tido uma melhora - falou e eu ignorei ele.

Ele pegou o equipamento e conectou os fios nas minhas pernas e ligou tudo, no começo eu não senti nada como sempre, mas depois de uns minutos eu senti o choque.

Foi fraco, nada muito emocionante, mas eu senti!

«§»

Vamos ver se vcs batem a meta dessa vez em.

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Louco Pra Voltar {2º Temp} [CONCLUÍDO]Onde histórias criam vida. Descubra agora