Estrada, pôr-do-sol e novos começos

298 24 10
                                        

Arriaga fechou a parte de trás da caminhonete numa batida e limpou as mãos nas calças jeans. Observou, não muito longe de onde estava, Victoria abraçando Jovita, na varanda de entrada da fazenda. Quando se separaram, Jovita acenou para Arriaga.

"Façam boa viagem!" disse Jovita, alegremente.

"Obrigado, Jovita." respondeu Arriaga, vendo Victoria se aproximar.

"E não demorem tanto a voltar!" Jovita disse, ainda acenando.

Victoria se aproximou de Arriaga que estava ao lado da porta do passageiro e sorriu, cheia de expectativa.

"Está pronta?" ele perguntou, num sorriso.

Victoria fechou os olhos e respirou fundo. O sol de fim de tarde refletia nos cabelos dourados dela e Arriaga sentiu uma imensa vontade de beija-la.

"Estou." ela respondeu e abriu os olhos verde esmeralda para mira-lo.

Arriaga abriu a porta da caminhonete para que Victoria entrasse e logo em seguida deu a volta e sentou-se no banco do motorista. Victoria olhou para ele com os olhos brilhando. Poderia parecer bobagem, mas ela se sentia como uma adolescente com o primeiro namorado. Entrando no carro dele pela primeira vez, cheia de expectativa de como as coisas iriam acontecer dali por diante.

Arriaga deu a partida e após alguns instantes eles cruzaram o portão da fazenda, acenando para Fortuno. Em seguida pegaram a estrada secundária, coberta de árvores de ambos os lados. Victoria abriu o vidro permitindo que o ar puro entrasse pela janela. Ela respirou fundo e fechou os olhos, relaxando. Arriaga a observou de canto de olho, e não pode evitar de se apaixonar um pouquinho mais por ela. Victoria tinha a expressão serena e seus cabelos dourados esvoaçavam com o vento, inundando o interior da caminhonete com o aroma de jasmim e camomila. Ela era tão bela que ele não conseguia parar de admira-la. E agora ele poderia observa-la o quanto quisesse, sem precisar fingir que não estava olhando, como fazia antes, num tempo em que lançava olhares furtivos pelo espelho retrovisor do carro, quando Victoria estava concentrada no trabalho e não percebia. Nesses momentos ele podia decorar cada pedacinho dela e imaginar como seria tê-la nos braços, beijar aqueles lábios, se perder naqueles olhos. E agora, como um sonho maravilhoso, ela estava ali, presente e viva ao lado dele.

Arriaga não pode evitar e levou a mão para segurar a pequenina e delicada mão de Victoria. Ela abriu os olhos, surpresa. Ele apenas sorriu de volta e permaneceu segurando a mãozinha dela na sua, enquanto dirigia.

O sol começava a se pôr lentamente no horizonte. Victoria respirou profundamente mais uma vez.

"Esse é o meu momento preferido do dia." ela disse, simplesmente.

Arriaga olhou pra ela por um momento e sorriu.

"É um instante tão mágico, não é?" ela continuou "Tudo fica mais bonito, as cores ficam mais vivas. E dura tão pouco tempo que é como se a vida nos obrigasse a viver esse momento."

Arriaga assentiu e observou as cores do horizonte. Era tão bom ouvir Victoria. Ela criava novas perspectivas dentro dele – expandia os interesses e explicava com poesia seu jeito de ver a vida.

"É como as estradas. A estrada obriga a gente a viver o momento. Porque não podemos fazer mais nada senão estar aqui, presentes. Viramos espectadores da vida, de certa maneira. E esse movimento para frente dá uma sensação de propósito, se você parar pra pensar. De que você avança para um objetivo." ela disse, com o olhar perdido na paisagem "Eu amo a estrada. Amo essa sensação de liberdade."

Victoria olhou para Arriaga depois de instantes e percebeu que ele sorria em silêncio.

"O que foi?" ela perguntou.

Laberintos CerradosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora