Não Desista

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Liliana abriu a porta do quarto de Victoria lentamente e entrou pé ante pé, tentando fazer o mínimo de barulho. Mas Victoria não estava na cama como ela esperava e o quarto de hóspedes que ela e seu pai ocupavam estava escuro, com as cortinas fechadas. A pouca luz do amanhecer que conseguia entrar pelas frestas dava ao ambiente um ar frio, triste, tenso.

Não deviam ser mais do que 6 horas da manhã e a Mansão ainda se encontrava quieta e silenciosa. Arriaga também não estava no quarto. Opalina finalmente estava voltando de sua longa viagem a Vera Cruz e José Ángel tinha feito questão de buscá-la na rodoviária - ele não via a hora de encontrar sua grande amiga e perguntar, implorar se fosse necessário, que ela desse alguma informação sobre a saúde de Victoria e dos bebês. Se alguém poderia fazer isso, José Ángel sabia com absoluta certeza que seria sua irmã de alma.

Liliana percebeu rapidamente a porta do banheiro aberta, a luz acesa refletindo no chão do quarto, clareando levemente o espaço. De repente Liliana ouviu um barulho vindo lá de dentro - e ela correu quase sem conseguir respirar, morrendo de medo do que iria encontrar. Imagens de Victoria ensanguentada nos braços de Arriaga duas semanas atrás, enquanto ele descia com ela pelas escadas da mansão, iam e vinham em sua mente.

Mas quando ela cruzou a porta do banheiro, o que viu a deixou com o coração partido. Victoria, ajoelhada em frente ao vaso sanitário, vomitava sem parar. Liliana se aproximou e sem pestanejar, se ajoelhou ao lado dela, e levou a mão para segurar a testa de Victoria, a amparando como podia.

Victoria só percebeu que era Liliana ao seu lado quando finalmente os vômitos cessaram e ela ergueu o rosto, manchado pelas lágrimas.

"Lili?" ela perguntou, ofegante, passando a mão pelos cabelos.

Liliana sentiu uma vez mais o seu coração apertar no peito ao ver Victoria naquele estado. Uma mulher que sempre fora elegante, cheia de vida, praticamente intocável, agora estava desgrenhada e exausta, machucada por uma gravidez que ela lutava por manter.

A menina se viu sentindo uma admiração extrema por aquela mulher, que brigava e brigava incansavelmente por seus dois bebezinhos - seus irmãos. Liliana teve que refrear as lágrimas ao lembrar das duas crianças que ela tinha visto no sonho - ou seja lá o que tinha sido aquela experiência tão incrível. Liliana só conseguia ter certeza que tudo o que experimentara era real, que essa era mais uma de suas visões, inexplicável mas absolutamente maravilhosa. E lhe doía o peito que esses dois serzinhos, essas duas crianças encantadoras, talvez nunca conhecessem a mãe. Era trágico que Victoria estivesse correndo o risco de jamais olhar naqueles dois pares de olhos verdes tão puros.

Victoria suspirou, exausta e sem dizer nada, Liliana a ajudou a se levantar e ofereceu uma pequena dose de água em um copo que encontrou na bancada do banheiro. Victoria escovou os dentes e lavou o rosto, tentando se recompor. Quando voltou para o quarto, as cortinas estavam abertas e o sol da manhã iluminava a cama que Liliana arrumava tranquilamente.

"Liliana, você não precisa..."

"Eu sei. Mas eu quero ajudar." ela disse e afofou os travesseiros. Ela suspirou ao sentir o cheiro de seu pai misturado ao perfume de Victoria que circulava quase imperceptível pelo ambiente.

Liliana ajudou Victoria a sentar-se na cama, a cobrindo com uma manta. Victoria a observava em silêncio, sem saber como reagir.

"Você quer alguma coisa, senhora Victoria?" ela perguntou timidamente "Um chá?"

"Não, obrigada, Lili. Prefiro esperar meu estômago se acalmar um pouco."

Liliana sentou-se na beira da cama e desviou o olhar por um momento para a mesinha de cabeceira de Victoria, que mais parecia uma pequena farmácia. Toda a sorte de medicamentos estavam por ali, ao lado de termômetros, medidor de pressão e mais alguns aparatos médicos. Victoria percebeu o olhar de Liliana e suspirou.

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