José Ernesto e Pilar

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Victoria estava deitada na cama, tentando ler, mas era inútil. Pela milésima vez, mudou de posição, procurando um jeito de se acomodar. Com quase oito meses de gravidez, seu corpo não lhe dava trégua. Cada músculo doía, cada movimento parecia uma tarefa monumental, e encontrar uma posição confortável era um sonho distante. Ela sabia que as semanas finais eram as mais difíceis, mas nada a havia preparado para esse nível de exaustão.

Do banheiro, Arriaga saiu ajustando a camiseta do pijama. O cabelo ainda levemente úmido, a pele morna do banho. Ele continuava lindo como sempre - irritantemente lindo, na verdade. Victoria olhou para ele e pensou, com um suspiro carregado de cansaço, que o mundo seria muito mais justo se ele tivesse engravidado no lugar dela.

Arriaga percebeu o desconforto e, sem dizer nada, sentou-se ao pé da cama, puxando os pés dela para uma massagem. Assim que seus dedos começaram a trabalhar, Victoria soltou um longo suspiro de prazer.

"Está tão ruim assim?" ele perguntou, preocupado.

"Você não faz ideia..." ela murmurou, os olhos fechando de alívio"Não me entenda mal, eu amo esses bebês, mas, sinceramente? Eles podiam nascer amanhã."

Arriaga deslizou as mãos pelas pernas dela, subindo devagar, aprofundando a massagem.

"Ah, meu amor, se eu pudesse trocaria de lugar com você. Não suporto mais te ver sofrer."

Victoria se espreguiçou na cama, tentando se acomodar melhor.

"Bem, pelo menos falta pouco."

Por alguns segundos, ficaram em silêncio, apenas aproveitando o momento de calma. Então, Arriaga falou, casualmente:

"Victoria, você não acha que já passou da hora de escolhermos os nomes dos gêmeos? Sei que decidimos não saber o sexo, mas era bom termos uma lista de opções, para não sermos pegos de surpresa e acabarmos chamando eles de, sei lá... Cantinflas e Chespirito Balvanera de Arriaga."

Victoria explodiu em uma gargalhada, jogando a cabeça para trás. Mas, de repente, o riso se desfez. Seu rosto ficou sério. A culpa pesou em seus olhos.

Arriaga notou a mudança imediatamente. Seu sorriso desapareceu.

"Victoria?"

"Ai, José Ángel, me perdoe..." ela disse, a voz cheia de culpa.

"Mas o que foi que aconteceu?"

"Sei que combinamos que seria surpresa, mas acabei descobrindo sobre os bebês sem querer..."  Victoria confessou, sem conseguir olhá-lo nos olhos.

O impacto da revelação foi imediato. Arriaga arregalou os olhos e, num pulo, ficou de joelhos na cama, a empolgação infantil iluminando seu rosto.

"Você sabe?"

Victoria sorriu, não conseguindo evitar o riso diante da reação dele. "Na verdade... foi a Liliana quem me contou."

A euforia dele vacilou por um segundo. "A Liliana?"

"Ela teve uma visão."

Arriaga piscou, tentando absorver a informação.

Victoria hesitou, as lembranças das longas conversas com Liliana invadindo sua mente. O que a menina dissera... era impossível que soubesse, a menos que fosse real.

"Ela me falou uma coisa que..." a voz de Victoria fraquejou "Não teria como saber, a menos que fosse verdade."

José Ángel se aproximou devagar, os olhos suavizando à medida que sua mão encontrava o rosto dela. O calor do toque fez Victoria perceber que estava chorando.

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