Victoria Balvanera Gil

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Victoria estava na biblioteca quando José Ángel chegou. Passava das duas da manhã, e Luciana cuidava dos gêmeos naquela noite para que ela pudesse descansar. Mas o sono não veio. Em vez disso, Victoria resolveu adiantar algumas pendências da MetaImagem. Tentou se concentrar, mas seus pensamentos não lhe davam trégua. Eles iam e vinham, sempre retornando ao mesmo ponto: dúvidas a respeito do que eles tinham, de uma crise pela qual ela não esperava, para a qual não estava preparada.

Nenhum casal está preparado para uma crise, é claro. E Victoria já enfrentara sua cota de problemas matrimoniais, para hoje não ter ilusões com uma vida perfeita. Mas acreditava que com Arriaga seria diferente. Esperava que construíssem algo juntos, que compartilhassem um propósito. Que afinal, ele tinha se apaixonado pela Victoria Balvanera que existia e era real, não por uma versão dela que ele gostaria que existisse.

Era exatamente isso que a decepcionava tanto. A sensação de que, no fundo, ele desejava outra mulher. Que a vida com ela tinha sido um erro, um tropeço no caminho, um capricho movido pela paixão passageira e que eles não eram nem nunca seriam compatíveis. E Victoria não queria considerar a hipótese, pois lhe machucava no mais profundo, mas não conseguia evitar o pensamento de que Arriaga queria na verdade uma mulher como Cristina. E que ela nunca tinha sido seu amor verdadeiro.

"Victoria?" a voz de Arriaga tirou Victoria de seus pensamentos.

Ele estava em pé, com as mãos nos bolsos das calças, parado no meio da biblioteca, olhando para ela. Victoria nem o tinha percebido entrar.

"Arriaga, não senti você entrar."

"Eu bati. Você não ouviu." ele disse, a voz grave, tensa "Está trabalhando?"

"Estava revisando alguns contratos da próxima campanha..." Victoria respondeu num suspiro cansado e tirou os óculos, esfregando os olhos.

"E as crianças?" ele perguntou, apoiando as mãos na cadeira em frente à mesa de Victoria.

Victoria deu um sorriso irritado. "Você se importa, Arriaga? Já que passou o dia inteiro fora, sem me avisar nada, sem ligar pra saber deles. Sorte minha que tenho os meus luxos."

"Eu avisei a Tomasina..." Arriaga disse, respirando profundamente.

"Ah, que ótimo! Não sabia que você estava num relacionamento com a Tomasina!"

"Victoria, por favor, eu não quero brigar." ele disse, fechando os olhos por um instante.

Victoria respirou profundamente, tentando se acalmar. Ela estava tão frustrada. Tão triste com o que eles haviam se tornado em tão pouco tempo. Ela fechou os olhos.

"Então o que você quer?" Victoria perguntou e a voz saiu carregada, cansada.

"Eu quero pedir desculpas." ele disse, a voz baixa e grave.

Victoria abriu os olhos e viu que ele não olhava para ela, mas sim para o chão. Ela se levantou e deu a volta na mesa, se aproximando de Arriaga. O pegou pela mão o puxando para sentar-se ao lado dela no sofá.

"Você sabe pelo que está me pedindo desculpas, José Ángel?"

Arriaga olhou pra ela com confusão no olhar.

"Você entende o motivo pelo qual brigamos? Porque eu não sei se você entende. E isso me preocupa muito mais do que onde vamos morar e se a casa é uma mansão ou uma cabana."

"Victoria, eu posso procurar outras casas." ele disse, segurando as mãos dela. "Posso construir uma casa do jeito que você quiser, se isso te fizer feliz."

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