Arriaga andava pelos jardins bem cuidados da fazenda Balvanera com toda a ansiedade do mundo pulsando no peito. Durante todo o caminho da Cidade do México até Santa Rita ele não conseguia deixar de pensar no porque da repentina mudança de planos de Victoria. Em porque ela não fora até Cuernavaca com Carlos González como tinha dito que faria e porque estava na Fazenda, um lugar que não era bem uma mudança de ares, não representava bem um retiro de descanso do mundo ao qual ela estava acostumada. O lugar ficava tão próximo da cidade que, com pouco trânsito, em menos de uma hora era possível estar nos portões da Fazenda Balvanera. Porque ela saíra tão cedo afinal?
O cheiro das flores do jardim inundava os sentidos de Arriaga. Ele quase podia antecipar o perfume de jasmim e camomila dos cabelos dourados de Victoria. E de repente, uma onda de medo lhe invadiu. E se Victoria tivesse cansado de esperar por ele? E se ela realmente pensasse que era melhor tentar algo com o tal Carlos González? E se fosse tarde demais?
Arriaga sentiu um aperto no peito e balançou a cabeça para que esses pensamentos desaparecessem. Não era momento para isso. Viu então, na distância, a figura baixinha e sorridente de Jovita vindo na direção dele.
"Jovem! Que alegria vê-lo aqui!" ela disse quando se aproximou.
"Jovita, como vai?" Arriaga a cumprimentou, sorrindo.
"Fico feliz que veio. A menina Victoria sempre fica mais alegre quando você está por perto."
Arriaga sorriu, corando, sem saber direito como responder.
"Mas entre, meu filho, entre." ela disse, animadamente "A menina está no terraço."
"E Fortuno?" Arriaga perguntou enquanto entravam no pátio interno da fazenda, que dava para as escadarias que levavam ao terraço.
"Ah, está nos estábulos. Hoje é dia de manutenção e ele está supervisionando os trabalhadores."
Arriaga sorriu e ficou em silêncio. Olhou para as escadas e suspirou, tentando tomar coragem para subir e encarar os olhos verdes de Victoria e finalmente – finalmente – transpor a barreira que os separava. Jovita, sempre sorrindo, o observou sem entender a dimensão do diálogo interno que Arriaga travava consigo mesmo.
"Acabei de fazer um bolinho de maçã para a menina Victoria, você quer que leve para você? Hoje o almoço só vai sair mais tarde... é que não estávamos esperando ninguém." ela disse tentando justificar-se.
"Muito obrigado, Jovita, mas não precisa se incomodar, de verdade" ele respondeu.
"Bem, então, se me dá licença" ela disse e saiu apressadamente pelas alamedas da fazenda.
Arriaga olhou novamente para as escadarias. Apenas alguns degraus o separavam de Victoria e de uma decisão que poderia mudar o rumo do resto da vida deles. Ele estava apreensivo e ao mesmo tempo não cabia em si de vontade de apertar Victoria entre seus braços e nunca mais soltar. Enquanto subia os degraus, um por um, o coração de Arriaga ia pulsando com todos os sentimentos que guardara para si até então – medo de se entregar ao amor que sentia, temor de não ser suficiente para uma mulher que era incrível, bem-sucedida, inteligente, culta e dona de todas as qualidades que Victoria Balvanera possuía e que, sinceramente, quase o faziam querer sair correndo de pavor porque ele sabia que, no fundo, não merecia aquela mulher. Ao mesmo tempo, havia alguma coisa que o ligava profundamente a ela, uma sensação de que pertencia a Victoria e que não podia fazer nada para evitar isso, nem lutar contra isso, porque que estava além dele mesmo.
Quando atingiu o andar superior, Arriaga encontrou Zambrano encostado em um dos pilares de pedra vulcânica que sustentava os arcos da balaustrada, com a boca cheia de bolo de maçã e uma xícara de café na mão. Ele riu. Zambrano arregalou os olhos e começou a gesticular.
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Laberintos Cerrados
FanfictionFilho de um antropólogo e de uma índia nativa de Catemaco, Vera Cruz, José Ángel Arriaga sempre esteve familiarizado com os rituais xamânicos de sua terra natal. Em meio à sua culpa e remorso, ele decide voltar para sua cidade em busca de uma respo...
