A Casa dos Sonhos

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Depois de 3 meses do nascimento de Pilar e José Ernesto os preparativos para o casamento começaram. Apesar de Victoria não ter tanta pressa, Arriaga não via a hora de estar casado. Victoria o compreendia. Apesar de tudo, haviam alguns costumes difíceis de mudar e Arriaga era um homem com suas crenças. Ele queria estar casado com a mulher com quem dividia um teto, com a mãe de seus filhos.

Os dois optaram por um casamento simples, sem grandes extravagâncias, mas que reunisse todos os amigos queridos e a família que os tinha acompanhado em sua jornada até esse momento. Escolheram a fazenda Balvanera como local da cerimônia e da festa, pois esse lugar tinha sido cúmplice de tantos momentos importantes: foi onde se conheceram naquele fatídico dia da tentativa de sequestro anos atrás, onde ficaram juntos pela primeira vez, depois de superadas todas as barreiras que os separavam - e como esquecer que foi onde viveram a experiência mais magnífica de todas, 25 anos no passado, um sonho, uma visão, que até hoje, vibrava como uma lembrança real em seus corações.

Guzmán e Adriana tinham sido escolhidos como padrinhos de casamento e ajudavam-nos com os preparativos, além de Nikki e Liliana, que estavam adorando acompanhar Victoria e Arriaga em provas de vestido e trajes do noivo.

Victoria estava fechando a porta do quarto dos gêmeos, acompanhada de Tomasina e da babá dos pequenos, uma moça jovem e sorridente chamada Luciana, quando Arriaga as encontrou no corredor.

"Vou trazer um chá, Victoria."  Tomasina disse, compreensiva. "Quer algo para comer?"

"Ai, sim, Tomasina..." ela disse e massageou o pescoço, tentando desfazer um nó "Pode ser qualquer coisa, estou morrendo de fome."

"Pode deixar, Victoria. Volto logo."

Tomasina acenou a cabeça levemente quando passou por Arriaga, que a cumprimentou de volta.

"A senhora precisa de mim para algo mais, senhora Victoria?" perguntou Luciana, num sorriso sincero.

"Não, Luciana, pode descansar. Se precisar de você durante a noite, eu chamo."

Luciana sorriu e saiu rapidamente. Arriaga se aproximou de Victoria.

"Victoria, desculpe o atraso."  ele disse, sem jeito "Como estão os bebês?"

"Dormiram, finalmente." ela respondeu num suspiro cansado "Estavam um pouco incomodados hoje, demoraram pra pegar no sono."

Victoria se virou e foi na direção do quarto, abrindo a porta. Arriaga a seguiu.

"Porque você demorou?" ela perguntou, enquanto puxava as cobertas para se deitar, tão exausta estava.

"Eu não queria me atrasar, mas acabei demorando demais em um lugar..." ele disse e puxou uma pasta que Victoria nem tinha percebido que ele trazia. "Dê uma olhada."

Victoria pegou a pasta e a abriu. Arriaga se sentou na beira da cama ao lado dela. Quando Victoria começou a olhar, se deparou com anúncios de venda de várias casas no campo. Victoria franziu o cenho e olhou para Arriaga. Ele tinha o olhar brilhante e não conseguia conter a ansiedade.

"O que é isso?"

"São sítios que andei vendo." ele disse, animado "Casas para morarmos depois de casados."

Victoria voltou a olhar os anúncios. Eram casas agradáveis, mas simples e bem pequenas, a maioria de dois quartos e todas coincidentemente muito parecidas com o ranchinho onde Arriaga havia morado com Cristina. Victoria suspirou.

"O que houve?" ele perguntou, preocupado "Você não gostou?"

"Não, não é isso."  Victoria disse, colocando a pasta de lado "Mas eu não tinha pensado em me mudar."

Laberintos CerradosOnde histórias criam vida. Descubra agora