Liliana estava acomodada em uma das poltronas na ala dos guarda-costas, enquanto José Ángel perambulava inquieto. Ele tinha considerado várias maneiras de conversar com Liliana, examinado todas as possibilidades, mas, por algum motivo, não havia planejado como começar.
Agora que estava a ponto de colocar tudo o que havia dentro de si - seu coração inteiro - nas mãos de Liliana, parecia que não era tão simples. Bem, ele sabia desde o início que não seria simples. Mas agora - ah, chispiajos! - parecia pior.
Liliana não o encarava, se mantinha olhando para as próprias mãos sobre o colo, calada. Ela parecia pressentir que havia algo escondido em toda a história de Victoria, algo que ele não havia dito. E é claro que havia, e - é claro - que ela podia pressentir.
"Papai, se você veio falar comigo sobre a senhora Victoria..." ela disse, numa voz muito baixa.
José Ángel parou de caminhar e a encarou. Liliana olhou para ele finalmente. Os olhos brilhavam com lágrimas que ela se recusava a deixar cair.
"Bem, eu sinto muito por tudo, mas você está perdendo o seu tempo." Liliana completou e desviou o olhar novamente.
José Ángel teve vontade de gritar pela segunda vez naquele dia. Mas ele suspirou e sentou-se ao lado de Liliana.
"Minha filha, eu não acho que é perda de tempo conversar com você, muito menos sobre coisas importantes pra mim. Para nós dois."
Liliana deu um sorriso de desdém. Mas não se moveu.
"Liliana, eu quero ter uma conversa civilizada com você. E espero que você tente fazer o mesmo. Eu sei que há vários sentimentos desencontrados no seu coração, várias feridas para serem cicatrizadas. E eu quero ajudar a curar as suas dores, respondendo suas dúvidas e também ajudando você a enxergar de outra maneira as circunstâncias que nos mantém separados."
"Eu não quero enxergar nada de..."
"Bem, mas você vai ter que ouvir o que eu tenho a dizer." Arriaga a interrompeu "Pois eu vim até aqui... Viajei durante horas só pra termos essa conversa. Então acho que mereço ser ouvido. Depois, se você quiser, você pode ignorar tudo isso. Mas vamos ter essa conversa."
Liliana suspirou, cruzando os braços. Arriaga respirou profundamente, tentando manter a calma.
"Liliana, me responda, o que você viu no Francisco Guzmán, que a fez se apaixonar por ele?"
Liliana foi pega de surpresa e olhou para Arriaga, virando seu corpo totalmente para ele.
"O que?"
"Exatamente o que eu perguntei. Como foi que se apaixonou pelo Francisco Guzmán?"
"Ah, papai, eu..." ela hesitou, seus olhos brilhando, "Ele é tão nobre, bom e atencioso. Um homem íntegro, preocupado com os outros. Nunca tinha conhecido alguém assim."
"E você reconhece que, mesmo sabendo que ele gosta de outra pessoa..."
"Ah, por favor, aquela ridícula da Nicole Balvanera..."
"Você reconhece", Arriaga a interrompeu novamente, "que, apesar de saber que ele ama outra pessoa, seus sentimentos não mudaram, certo?"
"Não, porque são verdadeiros."
"Entendo. Mas ao mesmo tempo, você se apaixonou pelo tal do Roy Pavia, não?"
"Ah, não, eu não acredito que você me chamou no meio da madrugada para..." ela disse se levantando, mas Arriaga a segurou pelo braço, a fazendo se sentar outra vez.
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Laberintos Cerrados
FanfictionFilho de um antropólogo e de uma índia nativa de Catemaco, Vera Cruz, José Ángel Arriaga sempre esteve familiarizado com os rituais xamânicos de sua terra natal. Em meio à sua culpa e remorso, ele decide voltar para sua cidade em busca de uma respo...
