Eu quero me casar com ela, Adriana

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O anúncio da separação de Arriaga e Victoria foi um choque para a família e os amigos - ninguém imaginava que o casal poderia, um dia, seguir caminhos distintos.

No entanto, como Arriaga continuava frequentando a mansão por conta dos bebês, Victoria estava cada vez mais inquieta. Quando ele vinha durante a tarde, Victoria se refugiava na biblioteca ou no ateliê para trabalhar. Se ele vinha durante a noite, Victoria o deixava na companhia de Luciana, e aproveitava para dormir um pouco mais. Mas, inevitavelmente, seus caminhos se cruzavam nos corredores – e Victoria odiava cada instante. Odiava porque o amava demais para suportar sua presença sem sentir vontade de chorar até desfalecer ou correr para os braços dele e nunca mais soltá-lo – ou ambos, ao mesmo tempo.

Quando Tomasina ou Adriana tentavam tocar no assunto com Victoria, eram impedidas prontamente. Victoria parecia estar em negação, inclusive para si mesma. Se recusava a falar sobre o que aconteceu, como se ignorar a dor pudesse fazê-la desaparecer.

Certa noite, no entanto, enquanto Victoria trabalhava em um relatório da MetaImagem no ateliê e Arriaga estava no quarto com os gêmeos, Adriana decidiu que não podia mais esperar. Ela precisava arrancar aquela verdade, nem que fosse à força.

"Você não vai me contar o que aconteceu?" disse Adriana, de braços cruzados, parada no final da escada.

"Não há nada para contar." Victoria disse, sem sequer se virar, continuando a digitar qualquer coisa no teclado do notebook.

Adriana suspirou, nem um pouco convencida. Avançou até o meio do ateliê.

"Victoria, por favor! Não é possível que o seu relacionamento com Arriaga termine da noite para o dia e você me diga que não há nada para contar!"

Victoria suspirou profundamente, mas não se virou.

"Irmã, eu entendo que você precisa de um tempo. Mas já fazem três semanas. Não é saudável se trancar aí dentro, suas dores podem te sufocar." Adriana disse com a voz suave, se aproximando de Victoria.

"Você não está sozinha, Victoria. Você tem a mim, tem a Tomasina, tem a Nikki, a Liliana." Adriana disse, delicadamente "Se não quer conversar comigo, então fale com alguém. Tem um monte de gente que te ama aqui do lado de fora."

Quando Adriana tocou de leve em seus ombros, sentiu Victoria estremecer. Então, sem aviso, ela desabou num choro desesperado. Adriana rapidamente se abaixou e girou a cadeira, obrigando-a a encará-la.

"O meu maior medo..."  Victoria soluçava "O que eu mais temia... aconteceu, Adriana."

"O que aconteceu, Victoria?"

E então ela contou tudo. Como uma discussão banal sobre onde morariam depois de casados revelou algo que nunca tinha enxergado. Como percebeu, de repente, que Arriaga carregava crenças antiquadas, um machismo enraizado do qual ele nem se dava conta – e que, para ele, não era problema algum. Como ele a acusou de exagero, sem perceber o abismo que isso criava entre os dois. E, pior, como Victoria começou a se perguntar se seu pai... se Nelson... sempre tiveram razão.

Adriana ouviu tudo em silêncio, com o coração apertado. Compreendia Victoria, entendia suas razões, mas ver aquele amor ruir era devastador.

Depois de uma longa conversa, quando as lágrimas de Victoria secaram, Adriana a deixou sozinha no ateliê. Sabia que ela não sairia dali tão cedo, especialmente com Arriaga ainda circulando pela casa.

Ao descer, o encontrou na cozinha, sentado à mesa com Tomasina, uma xícara de café entre as mãos. Ele parecia exausto, abatido.
Adriana puxou uma cadeira e se serviu de café. Arriaga ergueu os olhos para ela, como se quisesse dizer algo, mas desistiu e permaneceu em silêncio.

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