N/A: Chegamos ao penúltimo capítulo. Foi uma longa jornada até aqui, de hiatos longos, às vezes 1 ano entre um capítulo e outro, mas por fim, chegamos ao final. Quero dizer que foi maravilhoso escrever essa história, muitas vezes desafiador e muitas vezes terapêutico. Agradeço quem acompanhou até aqui fielmente. Foi motivador e essencial para que eu decidisse terminar a história. Obrigada a todos, de verdade!
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Victoria estava completamente arrependida de ter se deixado convencer. Era nisso que ela pensava enquanto andava pelas ruas de Santa Rita naquela manhã cinzenta. Ela havia chegado na noite anterior à fazenda Balvanera, acompanhada de Adriana, Vicente, Tomasina e os gêmeos. Adriana havia insistido que seria uma boa ideia — que ela precisava descansar do turbilhão de emoções que enfrentara no último mês. E Victoria, por um momento, acreditou que a irmã tinha razão. Um descanso não lhe faria mal.
Mas pisar novamente na fazenda - sem José Ángel - havia se revelado um erro doloroso. Era a primeira viagem dos gêmeos e Arriaga não estava presente - e eles tinham planejado tantas vezes esse momento. Madrugadas à dentro, quando Victoria ainda estava grávida, eles imaginavam-se dirigindo pelas estradas sinuosas que levavam até a fazenda, o cheiro da natureza entrando pelas janelas, os gêmeos dormindo quietinhos no banco de trás da caminhonete, a recepção com dezenas de abraços e a felicidade das pessoas que os adoravam e não viam a hora de conhecer seus filhos. E pra piorar a situação, era aquele o fim de semana... era justamente aquele em que se casariam.
Por sorte, Guzmán e Adriana, como padrinhos, cuidaram de tudo. Avisaram os convidados sobre o cancelamento da cerimônia, poupando Victoria das ligações e vozes carregadas de condolência. Mas isso não a impediu de chorar suas lágrimas mais amargas, quando ninguém estava olhando.
Um mês. Um mês inteiro em que mal o via, em que se cruzavam apenas com olhares fugazes, palavras contidas. Ela sabia que estavam agindo como adolescentes e que, em algum momento, precisariam conversar como adultos — afinal, tinham filhos para criar. Mas doía demais. Era como no início, quando não podia demonstrar o amor que sentia — cada toque, cada troca de olhares, parecia incendiá-la por dentro.
Mas agora... agora ela conhecia o sabor dos beijos dele. Sabia o calor de seus abraços, conhecia a intensidade daquele amor. E por isso doía ainda mais. Ver Arriaga todos os dias era uma batalha silenciosa entre o amor profundo e a dor lancinante da perda. Era viver um luto interminável. Como uma lança sendo empurrada, milímetro por milímetro, dentro do peito. E as mensagens dele... as ligações... só tornavam tudo mais cruel.
Victoria puxou a gola do casaco para cima, tentando se proteger do vento frio. As manhãs em Santa Rita, naquela época do ano, costumavam ser mais geladas. Adriana pedira a ela que buscasse algumas encomendas de pães artesanais de uma padaria local que adorava. Victoria poderia ter pedido a Fortuno, mas a irmã a incentivou a sair, dizendo que seria uma boa idéia ela caminhar pela cidade, passar um pouco de tempo sozinha, ao ar livre. Todos se prontificaram a cuidar dos bebês para que ela pudesse sair tranquila. E depois de uma enxurrada de recomendações maternas, Victoria saiu.
Fazia um bom tempo que ela não dirigia sozinha. Sentiu-se viva ao serpentear pelas estradas arborizadas entre a fazenda e a cidade. Mas agora que se encontrava ali, caminhando pelas calçadas de Santa Rita, pensava que tudo fora um engano. Que preferia estar de volta à capital, enfiada embaixo das cobertas, chorando suas dores em silêncio — onde ninguém pudesse vê-la despedaçada.
Foi então que Victoria virou uma esquina... e parou.
Teve que pisar firme e respirar fundo. E não soube dizer se seus olhos a enganavam.
A certa distância, viu Arriaga. Parado com as mãos nos bolsos da calça jeans, o olhar perdido no chão. Victoria congelou. Por um instante, não se moveu. Mas então, como num estalo, o mundo pareceu girar novamente.
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Laberintos Cerrados
FanficFilho de um antropólogo e de uma índia nativa de Catemaco, Vera Cruz, José Ángel Arriaga sempre esteve familiarizado com os rituais xamânicos de sua terra natal. Em meio à sua culpa e remorso, ele decide voltar para sua cidade em busca de uma respo...
