1. Lembranças

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    Grencheers, três meses depois

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    Grencheers, três meses depois.

    O relógio tiquetaqueia em meus ouvidos.

Não consigo ter controle sobre minha perna que balança nervosamente, enquanto encaro a mesa pequena a minha frente.

    — Quanto tempo falta? — Quebro o silêncio agonizante entre mim e minha psicóloga, que está sentada há alguns metros de mim com uma caderneta em mãos, apenas me esperando falar algo.

    Ela consulta seu relógio de pulso.

    — Dez minutos — revela — podemos ficar aqui em silêncio, apenas esperando completar nossos cinquenta minutos passarem ou... pode falar sobre algo.

    — Não tenho o que falar.— Me afundo no sofá, evitando contato visual.

    — Não é o que parece, Liz. — Encaro a mulher loira, que mantém sua postura dócil. — Está se consultando comigo há muito tempo. Desde quando era menina. Lembra disso?

Assinto.

    — Como esquecer? Foi você que ouviu tudo o que aconteceu comigo desde o início.

    — É, foi. E me sinto bem em saber que consegui te ajudar na época. Assim como ficarei se me der um voto de confiança e contar de si mesma, o que se passa.

    Mordo os lábios, encarando minhas mãos que suam em meu colo e me endireito, respirando fundo.

    — Matei uma pessoa. — As três palavras saem tão frias que até eu me assusto por fala-las em voz alta. Olho para Nancy, que parece um tanto que surpresa com minha revelação. — Na verdade eu não matei, eu... foi um acidente.

    — Ok e... de quem estamos falando?

    Pisco algumas vezes, tentando me manter em controle.

    — Meu melhor amigo. Tyson.

    — O que aconteceu?

Minha perna volta a se balançar compulsivamente e borrões de lembranças vem à tona na minha cabeça.

    "Vamos logo para casa, já está tarde.'"

    "Tá bem, eu estou indo. Vejo vocês amanhã!"

    "Tyson..."

    "Está tudo bem... vai ficar..."

    — Lizzie?

    Ergo o olhar para Nancy, sentindo minhas irises pesadas e ardendo. Nego com a cabeça, me levantando abruptamente.

    — Desculpa, eu não consigo. — Ando apressada para a porta e a abro, batendo com certa força e me encostando na parede clara ao meu lado.

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