94. Estreia na areia

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Nos dias seguintes, eles ficaram os quatro juntos. O Gustavo, saia para trabalhar, e a Maiara ficava com as duas meninas. Ela ainda não tinha voltado ao trabalho, depois de a Júlia nascer. A bebé estava com 5 meses, cada dia mais esperta. Era uma menina sorridente e bem animada, adorava brincadeiras, a que respondia sempre com um enorme sorriso. Amava os carinhos tanto da mãe, como do pai, além dos da Beatriz, a quem a menina respondia sempre muito bem, e com quem adorava passar tempo a brincar.

Era dia de semana, e o Gustavo tinha começado a trabalhar no início da manhã, e só saia a meio da tarde. Como hábito, com as duas meninas em casa, acordavam cedo. Estavam as três na mesa, enquanto a Maiara e a Bia comiam o pequeno almoço, a Júlia estava ao lado delas, na cadeira, depois de já ter tomado o seu leite.

Maiara: Estava a pensar que, hoje, podíamos ir à praia - sorriu para elas - o que achas, Bia?

Beatriz: Eu gostava mamã, nunca fui - sorriu amorosa

Maiara: Então vamos pôr a nossa roupa de praia, e vamos passar lá a manhã - fez um carinho na cara da menina - o que achas de convidar a tia Maraisa e a tia Marília?

A menina fez uma festa, ela gostava muito delas. E as duas, tratavam-na muito bem. Elas ligaram para a Maraisa que, na hora, alinhou na ideia delas, e combinaram de se encontrar na praia.

Elas, depois de arrumarem tudo na cozinha, foram até ao quarto da Júlia, colocaram-lhe um maiô que a Bia escolheu, e passaram-lhe o protetor. Depois disso, foram até ao quarto da menina mais velha.

Maiara: Qual queres usar? - colocou alguns conjuntos em cima da cama e a menina ficou perdida a olhar para eles - está tudo bem? Não gostas?

Beatriz: Gosto mamã - quando olhou para a mais velha, dava para ver que estava emocionada

A Maiara sentou-se na cama, com a Júlia sentada sobre uma das suas pernas, e a Bia encostou-se na outra.

Maiara: E queres contar-me o que te está a deixar assim? - ajeitou uma mecha do cabelo dela

Beatriz: É que - suspirou - eu nunca tive estas coisas - olhou para a Maiara - na outra casa, eu estava sempre no quarto, eles trancavam a porta e eu não podia sair - a Maiara sentiu o coração apertar mas tentou não passar isso à menina - estava sempre a ver os desenhos na televisão, mas não tinha brinquedos

Pela primeira vez, desde que tinha ficado com eles, a pequena estava a abrir-se, e a desabafar, o que era um ótimo sinal, e a Maiara estava ali para a ouvir.

Beatriz: Havia sempre barulho lá, muitas pessoas, mas eu nunca vi ninguém, porque não saia do quarto - respirou fundo

Maiara: Alguma vez alguém te magoou? Alguém fez alguma coisa contigo, que te magoou, filha? - perguntou com medo da resposta, tentando manter a calma - podes dizer-me

Beatriz: Não mamã, eu nunca via ninguém - deu de ombros e, pelo menos isso, fez a Maiara respirar um pouco de alívio - ninguém me magoou mesmo

Maiara: Ainda bem, meu amor - fez um carinho na cara dela

Beatriz: Eu só tenho medo, mamã - suspirou com lágrimas nos olhos

Maiara: De que tens medo, filha? - sorriu como forma de a encorajar a falar

Beatriz: Que vocês também me deixem - agarrou-se ao pescoço da mais velha e chorou

Maiara: Meu amor - não conseguiu segurar as lágrimas - olha para mim - pediu com carinho - eu prometo, que nem eu, nem o pai, a Júlia, ou alguém da nossa família, te vai deixar. Nós não te vamos deixar nunca, meu amor, nunca - abraçou a menina com força, com o seu braço livre, o outro segurava a Júlia

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