Maiara: O que é que vocês querem? - falou brusca para o casal
O Gustavo não estava a entender a forma como a Maiara estava a falar, mas reparou que, no momento em que o casal ouviu a voz dela, gelou inteiro. O médico, segurou a filha no colo com mais força, em jeito de proteção, encostou a cabeça da menina ao seu peito e foi para perto da noiva. Ele entendeu que a ruiva ficou afetada por ver aquelas duas pessoas, e queria mostrar-lhe que estava do lado dela, além disso, queria proteger a filha de qualquer situação que acontecesse ali.
Maiara: Respondam - falou nada simpática
O Gustavo nunca tinha visto a Maiara assim, nem na vez em que achou que ele a tinha traído com a Laura.
Maiara: Eu não vos quero perto da nossa filha - falou ríspida
X: Maiara, calma - o homem falou
O homem deu um passo na direção da ruiva, e o Gustavo colocou-se ao lado dela, com uma postura defensiva, depois de colocar a filha no carrinho, porque, se fosse preciso, não tinha o mínimo problema em andar ao soco para defender a noiva, daquelas pessoas que ele já estava a supor quem eram, mas que ele não conhecia.
Maiara: Calma? Como é que se atreve a pedir-me calma, depois de se aproximar da minha filha e do meu noivo. Eu não vos quero perto deles
Gustavo: Amor? - chamou ao lado dela e deixou uma mão na cintura da mulher
X: Nós queremos conhecê-los, afinal, somos família - falou a mulher
Maiara: Não, não somos - falou de repente e com sangue nos olhos
Gustavo: Quem são os senhores afinal? O que querem de nós? - interrompeu a conversa
X: O meu nome é Marco Pereira - esticou a mão na direção do Gustavo que não retribuiu - esta é a minha mulher, Almira Pereira - apontou para a mulher ao seu lado
Gustavo: Pereira? - olhou para a noiva que tinha os olhos no chão - amor?
A ruiva não disse nada e apenas confirmou com a cabeça, o médico puxou-a, e abraçou-a pelos ombros. Ele sentia o quanto o coração dela estava acelerado, sabia que ela se estava a controlar para não desabar em lágrimas.
Gustavo: Ainda não me responderam, o que querem de nós?
Marco: Queremos recuperar o tempo que perdemos com a nossa filha - falou com os olhos na Maiara que continuava a olhar para o chão - conhecê-lo a si, e à nossa neta
Maiara: Já vêm tarde, para recuperar tempo comigo, não acham? - o médico tentou segurá-la, mas ela deitou a raiva toda para fora nessa hora, dando alguns passos na direção do casal - vocês não têm direito nenhum a chamar-me filha, ou a ela neta, não tem direito nenhum a dizer que somos família, porque isso, foi aquilo que nunca fomos. O que é que vos deu na cabeça, para aparecerem agora aqui, como se nada fosse e tivessem só ido de férias? Eu não vos quero próximos do Gustavo, da nossa filha, nem de mim. Vocês que nunca foram meus pais, que nunca me deram um carinho, que nunca estiveram ao meu lado quando estava doente, no aniversário, no Natal ou em datas importantes, em que todos tinham as famílias, menos eu, que só tinha o motorista à minha espera - falou cheia de raiva - eu perdi um filho e recebi um postal vosso de condolências, que merda de pais vocês acham que são? Acham que depois de tudo o que fizeram, ou neste caso, não fizeram, eu vos quero ver à frente?
Almira: Filha - tentou falar
Maiara: Não me chame de filha quando nunca foi minha mãe - falou cheia de raiva e alto, com o dedo apontado na direção da mulher - vocês nunca foram meus pais, a única coisa que me deram a vida toda foi desprezo e frieza, agora, que sou adulta, aparecem como se nada fosse? Agira é fácil, já não têm de me sustentar, já não vos dou trabalho, não é?
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Contramão
FanfictionMaiara, uma engenheira cheia de gavetas desarrumadas na sua mente, encontra em Gustavo o ombro amigo que lhe fazia falta, para voltar a sorrir depois da sua vida ter sido virada do avesso. Além de uma bela amizade, haverá espaço para algo mais? Fiq...
