+18 | Completo | Há quem acredite em providência divina, propósitos ocultos. Igor Asimov não é uma dessas pessoas. Para ele, as certezas alheias não passam de ilusão e a vida é um grande palco de improviso, com algumas coincidências vez ou outra. Ma...
Passando pra dar um lembrete: Se estiver gostando do capítulo, fique à vontade para comentar e votar. Isso dá aquela forcinha pra autora.
No mais, uma ótima leitura pra você. Beijos mil ✨
"Um encontro é sempre um início de universo." António Ramos Rosa
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Mente vazia, peito aberto. Nada me perturbava enquanto pilotava rumo ao meu lar provisório. Sem expectativas ou receios, segui em frente. Então, de repente, graças à minha mente vazia, o pior aconteceu.
Envolvi-me num acidente.
Não processei muito do que acabara de acontecer. Tinha certeza apenas de duas coisas: eu caí e havia alguém em cima de mim.
Esse alguém era rápido, se levantou num salto e logo começou a ralhar comigo.
— Olha por onde anda! — A repreensão me acertou como um soco de tão intensa que era a revolta.
Levantei-me com certa dificuldade e busquei entender o que aconteceu. Retirei o capacete e vislumbrei minha moto tombada adiante, por cima de uma bicicleta envergada.
Meus óculos escuros, estraçalhados no chão, deram seus suspiros finais enquanto assistia à queda do último pedaço de lente.
Por sorte, nada acontecera comigo. Estava inteiríssimo. Com um pouco de dor nas costas, mas, fora isso, nada de importante. O combo de jaqueta, calça e capacete cumprira seu papel.
Situando-me, encarei a mulher parada diante de mim enquanto ela analisava os braços esfolados. Arquejava frente a cada ferida, por menor que fosse. Só faltava sair fogo pelas ventas.
Transmitia a maior energia de barraqueira desesperada por indenização. Mas ela não se criaria comigo. Não mesmo. Onde já se viu cruzar a rua na frente de moto?
Ainda por cima quer ter razão! Olha por onde anda?! Olhe você! No meu tempo quem tinha bicicleta ficava pianinho e andava com olhos nas costas pra não ser atropelado.
— Até onde sei, lugar de bicicleta é na ciclovia — retruquei, incisivo.
— Até onde sei, nessa esquina, tem uma placa enorme de "pare" há décadas. — Ela apontou para a sinalização. — Faz bem tirar o olho do próprio umbigo e prestar atenção na rua.
— Tá, tá... — Bufei, revirando os olhos, tirando a carteira do bolso e contando as cédulas de cem. — Quanto você quer?
— Oi?! — Ela franziu o cenho, os lábios e tudo mais que poderia demonstrar o quanto se ofendera.
— Ué? — Parei de contar e ergui uma sobrancelha. — O drama todo não é por dinheiro? Essa é nova.
— Escute aqui, dono da rua: graças à sua imprudência, eu me lasquei. Meus braços tão feridos e ardendo feito a peste. Tenho todo o direito de ficar indignada. Isso não é drama. — Ela suspirou, meneando a cabeça em negação. — Mas você claramente não entende isso.