+18 | Completo | Há quem acredite em providência divina, propósitos ocultos. Igor Asimov não é uma dessas pessoas. Para ele, as certezas alheias não passam de ilusão e a vida é um grande palco de improviso, com algumas coincidências vez ou outra. Ma...
"Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado."
Clarice Lispector
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Quem era a mulher misteriosa por quem eu me apaixonara?
Como eu não soubera responder com palavras, decidi convidá-la para mais uma das festas despropositadas do Hoffmann no Risca Faca e, assim, apresenta-la ao bonde. Conhecendo-a pessoalmente, poderiam tirar suas conclusões.
O anfitrião com certeza as tirou, pude perceber de imediato ao entrar na área VIP e encontrar determinado senhor cheio de assunto com uma mulher que era muita areia para o seu caminhãozinho.
Mais cedo, preso na minha própria empresa, sem estimativa de um horário de saída, assumi que me atrasaria para o evento. Havia pedido a Amanda para adiantar, caso quisesse, de modo que ela não se sentisse obrigada a me esperar em casa por questão de consideração. Seria muito melhor passar o tempo ocioso sem mim sob as luzes da boate, ouvindo música, comendo, enchendo a cara.
Pelo visto, eu havia errado nas minhas suposições. O destino dela estava sendo pior do que ficar confinada no tédio do apartamento, constatei ao me aproximar.
Eu já vira o Hoffmann errando a mão ao dar em cima de mulher bonita, mas nada me preparara para algo tão catastrófico quanto o que entreouvi ao me sentar atrás dele (com a maior discrição do mundo para não ser detectado).
Coitada, assim pensei milhões de vezes ao longo da sôfrega troca de ideias. Amanda, como eu esperava, mantivera-se inacessível, apesar de sempre respondê-lo — não importasse quão estúpida fosse a pergunta.
Quando ele soltou a fatídica cantada proibida, o nível da minha indignação foi mais de 8000. O desgosto me moveu, eu me levantei, pronto para intervir, então Amanda — minha salvadora da pátria —, pronunciou-se.
— Quem disse que tô sozinha? — Cruzou os braços, contestadora.
— Não me entenda mal — pediu ele. — Você chegou cedo, sem ninguém... Apenas não vi nenhum acompanhante — tentou se explicar. — Onde...?
— Atrás de você — respondeu antes mesmo de ele terminar de formular a pergunta.
Aproveitando a deixa, pus a mão no ombro do Hoffmann, apertei-o para dar aquela ênfase e mandei a real para ele.
— Juninho — sussurrei ao pé do seu ouvido —, para que tá feio — pedi com a melhor das intenções. — E aprenda a pensar duas vezes antes de flertar com a mulher mais bonita desta porra no dia em que avisei que iria apresentar alguém especial a vocês.
Após deixar o recado, fitei-a. Sem pressa, somente para admirá-la melhor. Demorei o olhar em seu rosto, seduzido pelo seu convidativo brilho labial, e desci devagarinho para não perder um único detalhe do resto daquele corpo — semicoberto por uma bela roupa que valorizava seus atributos físicos.