+18 | Completo | Há quem acredite em providência divina, propósitos ocultos. Igor Asimov não é uma dessas pessoas. Para ele, as certezas alheias não passam de ilusão e a vida é um grande palco de improviso, com algumas coincidências vez ou outra. Ma...
"Uma mulher como você e um homem como eu não se esbarram muitas vezes na face da terra."
Joseph Conrad
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Coloquei um pornô no volume mais alto, esperando sua ilustre aparição para reclamar da minha conduta. Dito e certo: ela bateu na minha porta (quase a derrubando, de tão fortes as batidas) e eu a recepcionei, com a televisão latindo atrás de mim.
— Pois não? — Atendi à porta, completamente vestido, para seu espanto.
— Sério, Igor? — Amanda bufou. — Se manca, velho.
— Um homem não pode se divertir com entretenimento adulto? — retorqui, satisfeito por ter alcançado meu objetivo. Ela atendera ao meu chamado e estava puta. Combinação perfeita para me atiçar.
— Tô cansada — resmungou. — Desligue essa merda, faça o favor.
Ela me deu as costas para ir embora, confiando em meu bom senso para abandonar o filme. Segurei seu braço para evitar sua partida.
— Quer entrar? — convidei-a. — Desta vez, tem bolo de verdade. Não tá muito gostoso, mas dá pra comer.
— Tipo você? — ela rebateu.
Não levei a ofensa a sério, sabia que ela só queria me atazanar porque perturbei sua paz.
— Aceitarei a oferta — decretou ela, após ponderar. — A fome falou mais alto — justificou-se, fitando-me com um olhar nada inocente.
A fome de piroca, só se for. Devolvi a olhadela, com as piores intenções possíveis, enquanto ela entrava no apartamento e passava por mim. Abençoada seja a hora em que decidi "invocar" essa mulher, agradeci mentalmente.
Como um bom anfitrião, servi os brownies de qualidade questionável — que eu fizera de acordo com um tutorial de internet mais duvidoso ainda — e aguardei o feedback.
— Hum — boquejou após a primeira mordida. — Dá pro gasto — deu o veredito e continuou a comer, como se estivesse degustando algo saboroso em vez do brownie mais insosso do mundo.
— É sempre um prazer te agradar — afirmei, saboreando o duplo sentido. — Aceita um chá?
— Obra sua também? — Arqueou a sobrancelha, interessada em meus dotes culinários (inexistentes).
— Obra da indústria. — Apontei para os sachês sobre a mesa de canto. — Caso não queira uma bebida quente, tem suco da Embasa à vontade.
— Ficarei com a água, então — disse ela. Aguardou-me enquanto fui à cozinha. — Obrigada. — Segurou o copo que a entreguei. — A que devo tanta hospitalidade?
— Você é uma convidada de honra — atestei, lisonjeiro. Não costumava empenhar tanta dedicação para comer uma só mulher, mas Amanda valia o esforço. Aliás, qualquer esforço seria pouco em comparação à qualidade da recompensa.