024

26.8K 1.8K 282
                                    

PIETRA

Terça-feira.

Acordei com um pouco de dor de cabeça, talvez fosse porque eu só consegui dormir às quatro e quinze da manhã.

Fui levantar mas senti um peso na minha cintura.

Olhei vendo um braço meio tatuado, e logo depois focando nas unhas de gel pintadas de vermelho.

Daiane.

Ontem, depois que eles vieram buscar a Ferraz.

Eu fiquei sozinha, e sinceramente, foi horrível.

Só vinha na cabeça a cena da Ferraz sangrando, do corpo do policial.

Foi pesado demais.

Meia hora depois deles terem saído daqui, a Daiane apareceu aqui.

Não tão abalada quanto eu, mas também estava um pouco.

Ela disse que veio porque a Ferraz disse que eu não tava bem pra ficar sozinha.

Ela pode ter todos os defeitos, como ser putona, traficante, chata, implicante.

Mas é atenciosa, e isso eu não posso negar.

Daiane acabou dormindo aqui comigo, e sinceramente, era tudo que eu precisava.

Levantei com cuidado da cama pra não acordar ela.

Fiz minhas higienes, escovei os dentes e desci pra fazer café da manhã.

Daiane acordou logo depois e tomamos café e passamos dia juntas.

Parecia que ambas precisavam disso.

Uma da outra.

[....]

Quarta-feira.

Mais um dia de trabalho.

O clima do morro já estava como o de costume: criança brincando, morador trabalhando, velhas fofoqueiras cuidado da vida dos outros, vapores pra cima e pra baixo, funk alto de um lado e pagode do outro.

Mesmo sendo dia de semana, o clima era animado.

E como tudo tinha voltado ao normal, eu também precisava voltar a trabalhar.

Hoje eu iria trabalhar quase até às cinco da tarde, sendo que acordei às sete da manhã.

Os atendimentos acumularam por conta da invasão.

Falando em invasão, não vi a Ferraz desde de segunda.

Daiane falou que ela tá de repouso, e que o Breno afastou ela dos assuntos do morro e da boca por duas semanas.

A Dai disse que ela não gostou nada nada disso, claro, teimosa como ela é.

Mas não tinha muito o que fazer, ela precisava mesmo focar em se recuperar.

A DONA | SÁFICOOnde histórias criam vida. Descubra agora