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PIETRA

Acordei não sei quanto tempo depois.

Olhei ao redor e reconheci o meu quarto.

A pergunta é: como eu vim parar aqui?

Fui tentar levantar mas minha cabeça pesou, e eu fiquei zonza.

Na verdade parecia que tinha alguém dando marteladas na minha cabeça, de tanto que doida.

Eu sentia meu rosto inchado e provavelmente estava mesmo.

Eu chorei tanto que não sei como não desidratei.

Levantei segurando em tudo que via pela frente.

Fui no banheiro e joguei uma água no rosto, sentindo meus olhos arderem.

Só escovei os dentes pois estava com gosto de cachaça na boca.

Quando me olhei no espelho do banheiro, notei que não estava mais com o vestido de ontem.

Na verdade estava só com a camisa do flamengo da Ferraz, e um shor molinho de dormir, por baixo.

Prendi meu cabelo num coque alto e calcei meu chinelo.

Sai do quarto já indo em direção a escada que dava pro andar de baixo.

Mal tinha começado a descer os degraus e já ouvi vozes e logo consegui ver de quem eram.

Breno, Daiane e Ferraz estavam na sala de casa.

O casal estava sentado no sofá, e a Ferraz tava em pé, com o celular no ouvido, andando de um lado pro outro.

Marcele: eu sei mano, só vê essa fita aí pra mim, o mais rápido que der - passou a mão pelo cabelo. Ela parecia nervosa.

Daiane: ainda bem, acordou - levantou rápido e veio me abraçar. Um abraço forte e protetor.

A atenção do Breno e da Ferraz voltaram pra mim, e vi a tatuada encerrar a ligação e deixar o celular na mesa de centro e sentar de cabeça baixa num canto do sofá.

Daiane me soltou depois de um tempo, me enchendo de perguntas como: você tá bem? precisa de alguma coisa? tá com fome?

E minha resposta foi não, para todas as perguntas.

Daiane: você precisa comer Pi...- insistiu e eu neguei com cabeça. Por mais que eu estivesse prestando atenção no que ela falava, meus olhos estavam focados na marcele, que estava de cabeça baixa e quieta, ainda sentada num canto no sofá. - eu vou fazer algo pra você comer sim, tô nem ai - foi indo pra cozinha - vem me ajudar amor - chamou o Breno que levantou e foi atrás dela, deixando eu e a Ferraz sozinhas.

No momento eu hesitei me aproximar, porque ela parecia triste.

Mas meu coração falou mais alto e eu deixei a insegurança de lado, sentando na ponta da mesa de centro, ficando de frente pra ela.

Ela ergueu os olhos, e encarou os meus, como se conseguisse me enxergar por completo.

Os olhos deles estavam fundos, e avermelhados, como se não tivesse dormido na noite passada.

O maxilar trincado, e a feição séria me causaram um nó na garganta.

Pietra: me desculpa...- foi o que eu consegui falar, mesmo assim, minha voz saiu trêmula.

O rosto antes sério, agora parecia confuso.

Marcele: desculpa pelo o que? - a voz saiu rouca e ela limpou a garganta.

A DONA | SÁFICOOnde histórias criam vida. Descubra agora