trinta e um

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— Cê tá de sacanagem, caralho? — Richarlison praticamente gritou, soltou minha mão e já deu um empurrão no Guilherme.

Guilherme levantou os braços em redenção e se afastou. Sei que ele fez besteira, mas é um velho amigo meu e não quero que eles briguem por algo que pode ser resolvido na conversa. Passei rapidamente pelo Richarlison e parei na frente do Guilherme, levantei os braços na frente do rosto quando percebi que o Richarlison não tinha me visto na frente do Guilherme e estava pronto para acertá-lo com um soco.

Assim que consegui segurar a mão dele, ergui o olhar até seus olhos e pude ver um certo pânico em quase ter me acertado, mas assim que ele percebeu que eu estava bem, notei a fúria voltando em seu olhar.

— Não vai bater nele, Richarlison! — Ordenei séria e o encarei.

— O cara beijou minha namorada na minha frente, tá maluca pensando que vou ficar parado e aceitar? — Ele reclamou como uma criança injustiçada, sua mão estava apontada na direção do rosto do Guilherme e ele estava me olhando chateado.

Sei que posso estar errada tentando defender o Guilherme, mas não vou aceitar que os dois briguem. Não quero ser injusta com o Richarlison, imagino a raiva que ele está sentindo, mas briga nunca é a melhor maneira de resolver as coisas.

— Ele é meu amigo, Rich. Sabe disso, ele vai se arrepender. Esfria a cabeça primeiro e depois conversamos, por favor! — Pedi séria e tentando esconder meu medo por estar no meio de dois homens irritados.

— Não me arrependo, Bela. Você sabe muito bem disso. — Guilherme falou entrando em uma conversa em quê eu estava tentando ajudá-lo.

No mesmo instante, Richarlison me deu um empurrão sem muito esforço com o braço e não pensou muito em ir pra cima do Guilherme. Meu corpo bateu no braço do sofá por cima do meu pulso esquerdo, resmunguei com a dor, mas nenhum dos homens escutaram. Ajeitei a alça do meu vestido e olhei pros dois apavorada e sem muita opção, eles são maiores e mais pesados que eu, entrar na briga só iria me machucar. 

Nada ao meu redor iria pará-los sem feri-los. Só conseguia me esquivar deles praticamente rolando na minha sala. Meu celular havia ficado lá na área de lazer e o telefone fixo na minha parede só servia de enfeite.

— RICHARLISON! — Gritei o mais alto que consegui alguns segundos depois de ver que não tinha outra opção a não ser tirá-lo de cima do Guilherme, consegui segurar ele pela bermuda e puxar pro lado, usei toda força e orei para ele perceber que eu queria que aquilo acabasse.

Richarlison deu uns três passos para trás quando levantou ofegante, ele ainda olhava furioso pro Guilherme, mas logo o olhar veio para mim, que ainda estava sentada no chão com a força usada por ele para levantar. Richarlison limpou o suor com o braço e cuspiu no Guilherme que ainda estava no chão, ele pegou a chave do meu carro que estava no chaveiro ao lado da batente da porta e saiu rapidamente do meu apartamento.

— Ah merda! — Reclamei tentando levantar e com um pouco de dor nos braços e quadril. 

No instante em que levantei e dei o primeiro passo para ir atrás do Richarlison, a mão do Guilherme segurou minha perna. Olhei pra ele e vi seu rosto com sangue e alguns ferimentos, me assustei por alguns segundos antes de lembrar meu objetivo.

— Me larga, Guilherme! — Pedi e sem muito esforço, quando balancei a perna, a mão dele escorregou pro chão.

Olhei por mais alguns segundos pra ele e sai do apartamento, encostei a porta e corri pro elevador, apertei o botão várias vezes e hoje percebi o quanto ele demora, parecia uma eternidade. Corri até as escadas e desci o mais rápido — e cuidado — que consegui.

𝙞𝙣𝙨𝙩𝙖𝙜𝙧𝙖𝙢 || 𝘳𝘪𝘤𝘩𝘢𝘳𝘭𝘪𝘴𝘰𝘯Onde histórias criam vida. Descubra agora