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Mariana 

O caminho estava calmo até demais, eu deveria saber que isso não é sinal de coisa boa.  

Um homem ligou para o Vilão e avisou que em uma das avenidas que ele ia passar estava tendo uma blitz e que até a polícia Federal estava junto. Era uma operação para alguma apreensão de carga ilegal que iria passar por ali.  

E ele, claro, não podia passar, o filho da mãe tava com flagrante no carro.  

Arma, drogas e dinheiro.  

E se ele é pego aqui até eu vou junto com ele.   

Tô me perguntando até agora como que  simplesmente não passou pela minha cabeça que sair com ele pra fora do morro é um b.o do caralho.  

Mariana: Você vai fazer o quê? — passei a mão entre os meus cabelos de tanto nervoso e ele balançou a cabeça.  

Vilão: Não sei Mariana, eu tenho que pensar, caralho.  

Mariana: Ah, então pensa, ok? — respondi no mesmo tom que ele. — Porque eu não quero que você se foda e me leve junto contigo!  

Ele tinha encostado o carro em uma rua sem muito movimento, agora estava mexendo no celular, acho que conversando com alguém.  

Vilão: É certeza que eles não vão sair dali tão certo, essa blitz vai rolar a madrugada toda. Mas também não dá pra ficar parado aqui.  

Mariana: E não tem nem uma outra rua pra passar? Algum lugar pra cortar caminho? Sei lá.  

Vilão: Ter até tem, pô. Mas de qualquer jeito a gente tem que passar por lá. A avenida principal é ali. Não vou arriscar de passar contigo, se eu rodar tu vai junto. Dá b.o pra ti.  

Ele estava calado, pensando em alguma coisa. Eu estava na minha só olhando o movimento da rua.  

Vilão: Quer pedir um uber pra tu voltar pra tua casa? — me olhou.  

Mariana: E você? — foi a primeira coisa que eu perguntei. 

Vilão: Preocupa comigo não, eu dou um jeito de voltar.  

Mariana: Como? Tu tá bem louco né? Tu não consegue passar ali nunca! E se passar eles vão atrás de ti, se você não sair preso sai morto.  

Vilão: Tem neurose não, Mariana. Eu já fiz isso várias vezes — falou simples e eu ri falso.  

Eu me calei, mas por algum motivo eu não queria que ele fizesse isso. Acho que um sentimento ruim, não sei. Talvez seja a minha consciência que caso aconteça algo de ruim com ele vai ficar super pesada pelo simples fato de saber que eu poderia  ter feito mais. 

Mariana: Não quero ir! Eu vim contigo, a gente volta juntos.  

Vilão: Agora eu te pergunto se é você quem tá maluca? — me encarou sério.  

Mariana: Vilão, raciocina aqui comigo. É sério que você acha mesmo que vai conseguir passar no meio de centenas de polícias e sair ileso? Isso é suicídio cara.  

Vilão: Ah, aí tu vai ficar aqui comigo e vai resolver o quê, Mariana? Fala pra mim? Me dá uma solução?  

Mariana: Eu não sei! — gesticulei estressada com toda essa situação e o meu tom de voz saiu um pouco mais alto — Não sei, mas deixar você fazer essa maluquice eu não vou, coisa sem noção.  

Ele não falou nada, me olhou sério e desviou o olhar.  

Mente de Vilão Onde histórias criam vida. Descubra agora