Vilão
2N: Bom dia pra você também, Vilão, eu tô ótimo, obrigado por perguntar e você? - me olhou rindo assim que entrei.
Me joguei no sofá que tinha ali na boca e encarei ele.
Vilão: Papo dez, não tô no pique pra brincadeira agora não. Me deixa na moral.
2N: Você é muito chato, já pensou em fazer algum tratamento? - riu.
Vilão: Meu tratamento vai ser te encher de porrada, fica calado não pra tu ver!
2N: Mariana perguntou de você - falou após alguns segundos em silêncio.
Puxei na mente tentando captar quem era e me lembrei.
Vilão: Perguntou pra quê?
2N: Porque talvez ela ficou contigo uma madrugada toda no hospital e quase te viu morrer?! Ela só queria saber se tu tá bem.
Vilão: tô mais vivo do que nunca - falei pegando um isqueiro no meu bolso, acendi um só pra ver se eu acalmava a minha mente.
2N: pô as vezes eu olho pra tu as vezes e acho que você realmente tá foda-se pra tudo e quer morrer, sabia? - falou agora ficando sério - pra tu que tomar um remédio atrás do outro e vive tendo crise de asma por aí isso aí não te faz bem não. Ultimamente você tá usando uma droga atrás da outra.
Vilão: Não, 2N, hoje não! Não tô afim de ouvir conselho ou sermão de ninguém. Eu sou maior de idade, a vida é minha, então se eu morrer é problema meu!
2N: Então já é, pô, tu sabe que eu tô falando pro teu bem, mas o problema é teu então, a vida é tua - levantou os braços em rendição.
Eu fingi que nem era comigo que ele falou. Puxei as três carreirinhas de cocaína que eu coloquei na mesa logo depois e limpei meu rosto.
Tava precisando relaxar a minha mente.
Tô pilhado desde de cedo, alguma coisa tem que me relaxar, pô.
Aquele pesadelo de mais cedo ainda estava na minha mente.
Achei que ia me livrar de um problema na minha vida matando o Raul, mas eu só arrumei outros piores.
Fui parar na fundação casa, lá eu fiquei por dois anos. Os piores anos da minha vida, pô eu vivia abaixo de tortura, tanto dos meninos mais velho quanto dos guardas de lá.
As cicatrizes ficaram no meu corpo...
As tatuagens que eu fiz pra tampar não foram suficientes para fazer todas elas sumirem.
Hoje em dia eu prefiro evitar que vejam, nem me lembro se algum dia eu já andei sem camisa pelas ruas aqui. Até para evitar estresse dos outros perguntando o que rolou também. Me relembrar disso tudo não me faz bem.
Com 13 anos eu consegui fugir de lá, organizei uma rebelião com uns moleques mais velhos.
Lá eu também matei mais três pessoas. Dois eram os moleques da mesma cela que eu, eles me batiam todos os dias, metade das cicatrizes que eu tenho pelo corpo foram eles que fizeram, principalmente a das costas.
E com a mesma faca que eles usavam pra machucar que eu matei os dois enquanto eles dormiam.
O outro foi um guardinha, outro fudido também. Cara gostava de me bater, ele era o pior, vivia me amarrando de cabeça pra baixo pra me bater. Era normal eu desmaiar naquelas seções de tortura, e quando eu apagava ele me acorda com uma balde água com álcool e gelo.
Passei um mês vagando pelas ruas depois que fugi, eu tava perdido mas não confiava em ninguém, tinha medo de alguém me reconhecer e me levar pra fundação de novo. Só voltei pro morro porque a Marcela, mina que era filha da vizinha da minha vó, me achou.
Morei com a Marlene até os meus 17 anos, o maior motivo dela me criar foi por dó mesmo. Foram anos com ela sempre jogando na cara que eu matei o filho único dela, que eu sou um monstro, mereço acabar sozinho. Era sempre os mesmos papo.
Mas mesmo assim eu dou uma moral pra velha, nós não se bate não, sempre rola alguma discussão quando a gente se vê, mas eu faço mais por gratidão, consideração à ela por não ter me jogado pra rua.
Ela poderia muito bem ter virado as costas pra mim e ter me deixado passar fome, mas mesmo com maior ódio ela me criou.
E eu estava aqui agora no restaurante que ela tem, é na rua de baixo da boca então os menó sempre tá por aqui. Ela nem curte muito não, mas sabe bem que o lucro que dá aqui é com o nosso dinheiro.
Apaguei o cigarro que eu tava fumando e joguei no lixo antes de entrar. Marlene me olhou balançando a cabeça em negação e me encarou feio.
Tô ligado que faz mal, óbvio, misturo remédio, droga, bebida e aí junta todos os problemas respiratórios que eu tenho. Só faz eu me acabar aos poucos. Mas ultimamente eu tô em uma fase que eu tô foda-se pra tudo.
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Mente de Vilão
Roman d'amour157 bolado, era o terror das favelas mas tive sorte no amor, achei minha cinderela. Eu só andava de peça e de carrão importado mas quando me apaixonei eu vi que tinha mudado....
