| CAPÍTULO I|

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Mahatma Pines.

Meu pai costuma me lembrar, o quão especial eu sou, quando me fala do significado do meu nome.
Mahatma (ou Mahatman) é uma palavra do sânscrito que significa maha, grande, mais Atman, alma ou espírito. Mahatma significa uma grande alma; seres humanos, considerados perfeitos, também conhecidos como Irmãos mais Velhos, Mestres, Santos etc.

Eles são seres humanos que, através do poder da vontade e evolução espiritual em muitas encarnações, atingiram um estado espiritual avançado. É isso que ele diz ou melhor foi isso que lhe fez escolher esse nome para mim, porque para ele sou sua filhinha perfeita.

Filha de pai solteiro, pouco me recordo da minha mãe a não ser das poucas fotos que tem meu pai tem guardadas dela. Minha mãe foi embora quando eu tinha dois anos, num dia ela acordou decidiu até não dava mais e me abandou. Mas eu tenho o melhor pai do mundo, que quase nem sinto falta.

— Pai — falando entrando em seu quarto sem bater — fui transferida.

Meu pai estava arrumando seu quarto, quando parou de fazer sua limpeza e me encarou. Stanford Pines, dono de sua agência de seguranças, tem praticamente dois metros de altura, forte e musculoso. Mas é o homem mas legal que conheço.

— O que vem a ser isso outra vez?— ele segurança o documento.

Ano passado também fui transferida, porque a escola em que eu estava ficou sem salas para agrupar alunos, e novamente estou sendo transferida porque a escola em que estou não leciona penúltimo e último ano do ensino médio. Não sou, somente eu, meus colegas também, o governo anda incompetente ultimamente.

— Não é muito distante de casa, mas se você quiser posso te matricular numa privada, para evitar um possível transtorno ano que vem.— meu pai falou apoiando o queixo na vassoura.

— Não, não precisa!— dei de ombros — Eu também não me importo, gosto de conhecer novos ares sem ter que pagar!— meu pai riu — só vinha te avisar para quando fizeres a matrícula e comprar o uniforme novo.

— Certo. Farei isso. — fez uma pausa — já fez o almoço?

— Sim, agora estou indo a academia.

Ele olhou para mim de relance, eu sei o que ele vai dizer, mas ele não disse, apenas suspirou.

— Não exija muito de si. Se cuide. Se eu terminar a tempo virei te levar, caso não chegue a tempo de jantar.

— Sim pai.

A diarista vem uma vez por semana, e meu pai não gosta muito de terceiras pessoas na casa, por isso fazemos nossas próprias tarefas. Para uma casa do tipo três que só vivem duas pessoas não há muito o que se fazer, sem falar que nem sempre meu pai está em casa. Já que ele passa maior parte do tempo trabalhando.

Usei meu equipamento, e sai correndo em direção a academia que fica a algumas kilometers de casa. Agora que estou prática finalizando o ensino médio, meu pai acha que eu devia procurar fazer amizades, viver como uma garota normal e não uma reclusa.

Mas eu não consigo, me sinto presa dentro de minha alma. Presa numa escuridão imensa que mal consigo me direcionar, eu só sei continuar a frente, mesmo não me sentindo em concreto.

A academia é do meu, venho aqui desde que ele comprou o espaço, uns cinco anos atrás. O tipo de luta que eu mais gosto, Box. O som da mandíbula quebrando num soco, os dentes cheios de sangue, o desespero do oponente quando é pego numa sucessão de socos, os ossos se quebrando e por fim o apito do treinador mandando agente se afastar.

Dor me faz sentir viva, descobri isso com doze anos, e desde então tento tentando aplicar de forma constante. De um jeito que a sociedade não ache perturbador, de um jeito que se enquadre no sistema padrão da sociedade. Se assim não fosse, meu pai não hesitaria em me levar para um psicólogo, e isso é algo que eu não quero e nem preciso. Não preciso de ninguém fuçando minha vida, ninguém além do meu pai.

Porque eu sou filha dele.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora