Mahatma Pines.
O novo ano início de forma tedioso, estávamos nos recuperando das longas férias que tivemos. Por outro lado, desde que falei com Witsel no dia 28 de Dezembro nos não voltamos a falar e nem ele me mandou sequer uma mensagem.
Estávamos todos com os ânimos embaixo, até chegar o dia 14 de Fevereiro, o dia dos namorados, eu em particular não gosto desse dia, é irritante e cheio de pessoais felizes. Os alunos da minha escola destroem o jardim da escola, por arrancar flores e dar as suas namoradas. Garotas preparam doces e presentes para seus namorados ou pretendentes, eu por outro lado nunca recebi nem dei.
Linêsia achou divertido, comprarmos presente uma para outra e depois nos levarmos para sair, já que somos duas solteiras. A primeira parte da meta foi comprida, eu lhe dei um cachecol marrom e ela me deu sandálias novas, só para gozar comigo porque sabe que não uso sandálias.
Na mesma semana Witsel mandou uma mensagem no grupo da escola nos convidando para sua festa de aniversário no dia 28 do corrente mês. Do jeito que eu me conhecia, eu não iria aparecer, da última vez que fui, acabei o beijando ele pensa que eu esqueci, quis dizer para ele aquilo não significou nada por isso também decidi me fazer de tonta. Eu me recordo de tudo que aconteceu, eu sei que chorei, só não recordo exatamente o que desencadeou o choro. E me alivia que ele não tenha tocado no assunto.
São 17h do dito dia 28 e eu estou deitada de costas na cama de pijama escutando metálica, enquanto tentava acertar o meu cubo mágico. Parece que ouvi o som da porta, mas ignoro essa sensação até que meu pai entra no quarto.
— Ainda não estás pronta? A festa começa daqui a meia hora.— olhei para meu pai que estava vestido de forma casual, lhe dando um aspecto mais juvenil e sedutor, a maior parte das pessoas não acredita que ele tem filha, uns pensam que somos namorados quando nos vêem juntos. Se eu não soubesse que ele é meu pai e sua idade lhe dava vinte anos.
— Que festa?— meus pés estão na parede enquanto da cintura até a cabeça está na cama.
— Mahatma, é o aniversário do Witsel você esqueceu?
— Ooo isso? O senhor vai?— estranhei.
— Mahatma, os Rocha são meus amigos e para além disso somos sócios. Manter bons convívios é essencial.
Me coloco em pé já que é falta de educação falar com seu pai virada de cabeça para baixo.
— Desde quando o pai se importa com isso?
— Desde sempre filha, eu sempre fui!
— Mas eu não, porque eu tenho que ir agora?
— Porquê dantes eles não ti conheciam.
— Mas sabiam que eu existia. Eu era seu segredo pai?— perguntei tentando não parecer magoada.
— Você nunca foi meu segredo.— ele tenta se aproximar mas recuo. Nada que ele for a dizer irá tirar isso da minha cabeça.
— Estou indo me trocar, saio em dez minutos.— digo seca indo ao banheiro.
Tranco a porta do banheiro e me encaro no espelho regulando minha respiração, me encaro por segundos que parecem eternidades. Reparo no meu cabelo, e vejo que se afasta do ombro, eu odeio quando ele cresce desse jeito. E o que mais me faz odiar o meu cabelo é o fato de que a senhora que me pariu tem um idêntico, eu vi nas fotos, somos muito parecidas, só tenho um e outro traço que é semelhante ao meu pai. Eu odeio ser parecida com ela. Pego da tesoura e corto meu cabelo, fazendo-o voltar ao seu tamanho habitual.
Depois de fazer minha higiene pessoal, coloco calças prestas, sapatilhas brancas e uma camisa azul social. Eu não sou muito feminina, nem desejo ser, quando uso saias ou vestidos, me sinto fraca e indefesa, e eu odeio me sentir assim gosto de me sentir autosuficiente. Eu e meu pai, estamos literalmente combinando na roupa, eu queria usar uma camisa preta, mas achei que ia pegar mal aparecer só de preto.
Quando chegamos ao local da festa, um salão de eventos, estava tudo minimamente organizado, muito formal, não esperei isso de Witsel. Provavelmente não foi ele quem organizou a festa. Witsel é muito festeiro, pensei que estaríamos numa boate, corpos suados, álcool, música muito alta entre outras coisas idiotas. Mas não, tocava a Jazz, as mesas estavam devidamente ornamentadas e os convidados bem comportados. Mas que a metade da turma estava aqui, os familiares dos Rocha também.
Fomos recebidos pelos seus pais, e nos sentamos na mesma mesa que a deles. Eu pouco falei com Witsel, ou Sherrim já que eles estavam entretidos com seus familiares. Não sou muito amiga dos meus colegas de classe, e como Linêsia não estava, permanece inerte, observando apenas. Meu pai conversava com Ricardo animadamente, até que quando chegou a hora da entrega , uma ruiva surgiu carrega um enorme presente embalado.
Ela é alta, tem o corpo como da Linêsia, cheio e bem curvado, seus cabelos ruivos são lisos e chegam até o ombro, seus olhos são azuis como os de Witsel. Está de terno rosa, e saltos altos dourados. Eu reparei que mal que a mulher surgiu, meu pai ficou bobo, ele nem sequer conseguia formular uma palavra, estava perdido.
—Tia Sheid, finalmente decidiste dar as caras!— Witsel disse a abraçando.
— Não faltaria no seu aniversário tesoura. Amo você, daqui a um ano você vira um homem. Nem parece que andava no meu colo e mal vivia sem mim.— os convidados riram.
Às pessoas foram dando seus presentes. Sheid se aproximou da mesa em que estamos cumprimentou Camilla que é sua irmã, e Ricardo seu cunhado. Quando chegou ao meu pai ela também congelou, parece que eles se conhecem e não se vê a eras.
— Stanford, a quanto tempo!— meu pai se levanta para a cumprimentar.
— Sheid, digo o mesmo! Voltou a muito tempo?
Ela ri sem graça, colocando o cabelo atrás do cabelo.
— Não, faz alguns meses. — não fui a única pessoa que notou o clima romântico aqui, porque vejo Ricardo e Camilla sorrindo, como se estivesse vendo uma novela mexicana. Sheid, para seus olhos param em mim — É a sua filha.
Instantaneamente o clima fica tenso, então eu percebo que o problema está em mim. Meu pai se aproxima de mim, tentando esconder seu constrangimento.
— Sim, filha se apresente.
Me levanto e dou um meio sorriso.
— Boa noite, eu sou a Mahatma, muito prazer senhora.
— Me chame apenas de Sheid, o prazer é todo meu.— ela estende sua mão e eu aperto — Você é muito linda — ela olha para meu pai — Ela é bem parecida com a Marisa.— meu coração gela então seu olhar volta para mim — Como está sua mãe?
Uma gota de água no oceano, escuro e frio. Essa essa gota transmite, ondas e mais ondas que se tornam um Vortex.
Solto sua mão, e ela percebe minha mudança de comportamento. O clima fica pesado.
— Não sei. — digo secamente — Estou indo apanhar ar!— me retiro do recinto.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
