Desta vez, acordei muito cedo, para poder fazer as coisas com calma e não me atrasar à educação física. Me equipei, e então sai do quarto, eu estava passando pelo corredor quando ouvi a voz do meu pai, ele parece muito bravo.
Eu não sou de bisbilhotar, e se meu pai está falando assim ele deve estar pensando que ainda estou dormindo. Mas um determinado nome me fez recuar e me encostar a porta.
Se não estivesse no alto falante eu dificilmente entenderia aquilo que meu pai esbraveja. Já faz anos desde que ouvi a voz dela, se não fosse pelas fotografias nem me recordaria de seu rosto, mas não tenho áudios dela, então não sabia qual era o som de sua voz até aquele estante.
— Ela é sua filha Marisa, sabes muito bem que eu não me importo com o que você faz da sua vida...
— Ford não fale assim comigo, nós já fomos melhores amigos, mas do que ninguém você conhece meus sonhos e pesadelos.
— Já fomos, no passado. Quando eu pensava que você tinha carácter...
— Ford o que você queria que eu fizesse? Você conhece bem minhas condições.
— Não me importo. Não faço isso por mim, mas por Mahatma, se eu pudesse eu a dava outra mãe, a criança não merece passar por isso. Mas eu não posso fazer isso, e você, nem depois de anos tem coragem de aparecer, você já conseguiu se estabelecer, eu sei bem. Conquistou seus sonhos, mas não esqueça do seu passado. Você não pode apagar Mahatma de sua vida.
— Eu sei!— Marisa diz com pesar — isso foi um erro, não devia ter acontecido. Nós dois sabemos disso!— suspira — Mas, um dia eu irei aparecer.
— Um dia será tarde, um dia Mahatma é que irá te rejeitar, escreve o que te digo, você irá se arrepender amargamente. Bom amigo é aquele que avisa.
— Stanford o que você quer que eu faça?— diz brava — que estrague meu casamento? Sabe o quão complicado será para mim reviver esse assunto, relembrar o meu marido da traição e contar meu filho que ele tem uma irmã mais velha? Você entende isso? Entende Stanford? Óbvio que não né, afinal você não é casado, não tem outros filhos além dela, é só você, sozinho como sempre, não deve satisfações a ninguém da sua vida. Mas eu devo.
— Olha Marisa... Vá para o inferno.— meu pai diz antes de desligar a chamada.
Rapidamente saiu do porta correndo, esqueço que queria comer, esqueço que ainda são 5:30, esqueço de tudo, simplesmente corro em direção a escola.
Eu fui um erro?
Fruto de uma traição?
Como?
Porquê?
{....}
Witsel Rocha.
Como sempre quando tenho educação física, meu pai passou e me deixou na escola. E graças a isso, quase sempre sou o primeiro a chegar a escola, nos dias de educação física. E deixa-me que vós diga, eu odeio isso.
Eu sou o tipo de cara que sempre chega em cima da hora, pontual apenas quando a benefícios em jogo. Eu gosto de fazer as coisas ao meu passo. Não me preocupo com o que é desnecessário, e não sofro por antecipação. Até certo estado, sou estável e saudável.
Fui em direção ao balneário para urinar, o balneário feminino e masculino estão no mesmo corredor a diferença é que um está do lado direito e outro do lado esquerdo. Entrei no banheiro, fiz minha necessidade, me lavei. Parei na porta já irritado, são ainda 5:55 e as aulas só começam as 6:00.
Puta merda.
Estava pronto para voltar para área do treino quando ouvi o som de um choro, se tem algo que eu tenho de bom, é audição. Me cabo disso.
Como sou curioso, abri a porta do balneário feminino para ver quem está chorando em plena manhã. O balneário feminino é todo rosa e branco, organizado e acolhedor.
Num dos acentos do balneário vejo a silhueta de uma garota de cabelos pretos da altura do ombro chorando. Acho que ela não tem noção de que está chorando, porque ela olha para o teto, enquanto lágrimas caem de seus olhos como cachoeira.
Ela é a garota mais linda que já vi, não se enquadre no tipo de garotas com as quais já saí, mas ela foi a garota que mais me intrigou. Sua personalidade sombria, a forma como ela tenta ocultar sua presença. Mas se ela soubesse o quão seus cabelos negros são atraentes, e o quão a escuridão de seus olhos é excitante, ela notaria a quantidade de garotos que cai aos seus pés.
Me aproximei a passos rápidos, e sem dizer nada a abracei. No início ela estranhou e tentou reagir, mas mal me reconheceu se acalmou.
— Isso dói, dói muito, eu...eu...— diz ficando sem fôlego — odeio tanto ter nascido. Odeio minha vida, me odeio, odeio ser um erro. Witsel, eu quero morrer. Quero sumir.
— Eu não irei deixar isso acontecer. Não irei deixar você morrer, por mais que eu tenha de amar você em seu lugar, w fazer você se amar. Creio que eu nunca teria conhecido a plenitude do que é se sentir a vontade se nunca tivesse te conhecido, por isso, para mim, seu nascimento foi uma benção.— digo olhando no fundo de seus olhos.
— Está falando de boca para fora, porque ninguém se importa de verdade.— limpei suas lágrimas.
— Eu escolhi você, farei de tudo para que você veja verdade em mim.— a abracei.
— Você fala isso, mas para outros eu sou um erro que nunca devia ter existido.
— A não ser que me queira implorando para seu pai, para viver consigo e cuidar de você pessoalmente para que você veja o quão certa você é nessa vida. Não volte a repetir isso.
Ela deu um sorriso fraco.
— Obrigada... é bom me sentir especial para alguém que não seja meu pai.
Ela não precisa me contar, mas eu já sei que a causa de seu surto e de sua tristeza e sua mãe. Aquém, ela nunca fala sobre e nem a forçarei. A mãe dela vez estragos de mais em seu coração, eu também ficaria do mesmo jeito se minha mãe tivesse o feito, mas graças a Deus estou sendo criado por meus pais que me amam.
Neste momento, estou abortando tem todos os planos que eu tinha de a conquistar. Eu não sou um cara sério, e nem gosto de relacionamentos sérios. Odiaria fazer parte de suas decepções. Mahatma é alguém que eu quero proteger, não usar para meus caprichos.
— Eu disse eu sou seu guardião, irei cuidar de você.
— Porquê? Porque está tomando esse fardo para ti?
Dei um sorriso fraco não sabendo o que responder.
— Não é um fardo. — nós levantei — Eu faço o que quero, apenas isso.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
