Witsel Rocha.
Não existe nada mais doloroso que ter o inimigo na sua casa.
Conseguimos passar nas finais, como era previsto nesse campeonato de final de trimestre, então como bons finalistas. Tivemos de receber os nossos inimigos na escola, duas horas antes do início das lutas.
Eles ficaram com uma das salas que pertence a um dos clube da escola. Nada mais chato que ser anfitrião.
Eu estava passando pelo corredor, indo em direção a cantina quando de relance vi Mahatma conversando com um dos nossos adversários. Eu conheço aquele jovem, ele é o treinador da equipe rival. Ele olha para Mahatma com luxúria e como se a conhecesse a bastante tempo. Ele tenta colocar sua mão no cabelo dela, mas recebe um tapa na mão. Então ele recua.
— Você luta bem, devia deixar de brincar com crianças, deixar de se prender ao boxe e ir ao MMA, para aquilo que você foi feita, deixar de ser presa pelo que seu pai disse. E daí que você é uma garota órfã de mãe? Você pode se sobressair sabia?
— Cala boca.
— Não gosta de ouvir a verdade, que não tem mamãe!— o treinador debocha — Sabe que eu conheci sua mãe? Bom, alguns meses antes dela deixar o bebê. Você sabe o quão fodido seu pai ficou ao saber que ia ter que cuidar de um bebê sozinho sendo segurança.
— Caim, eu sei o que você está tentando fazer e não vai funcionar. Não vai ser esse sei jogo psicológico que vai me fazer falhar na luta de hoje. Se prepare , porque vocês irão perder. E irão perder feio. — ela diz friamente, o treinador ri, e com vontade.
— É por isso que eu gosto de você criança, você não sente nada. E é desse tipo de pessoas que o clube de luta precisa.
Ela não respondeu nada só deu minha volta, na direção em que eu estou. Mas antes que ela me visse, eu saí. E me retirei de forma apressada.
{•••}
Parece brincadeira, mas foi como ela disse, eles perderam, e de forma feia. No nosso clube só temos os melhores e os mais competentes. Eu, Flávio e Mahatma é que havíamos passado para a final. Flávio venceu com 55 pontos contra 40, eu venci 67 contra 65 o meu oponente foi muito formidável. Já Mahatma, Mahatma venceu com 20 pontos a zero. A ideia era se prolongar, mas para uma briga de academia não ficava bem que um jovem saísse direto para o ambulância.
Mahatma tem realmente sede de sangue, ela não se cansa enquanto não ver sangue. As suas mãos estavam cheias de sangue quando foi nomeada a campeã. Isso porquê, porque ela não deixou o inimigo sequer marcar.
— Boa garota!— o nosso treinador gritava eufórico, e a escola não ficava atrás.
Mahatma já tinha má fama por ser fria e insensível, ela afugenta os garotos com seu jeito rude. E dúvida que agora as coisas melhorem, tá mais que claro que ela pode quebrar um cara na porrada.
Depois do festejo, ela se afastou discretamente, então fui atrás.
— Senti o seu olhar me queimar por toda a parte — ela diz se virando para me encarar. Seus cabelos estão presos num coque e seus olhos negros, estão pagãos como sempre. — Algum problema?
— Estou cuidado de você!
— A distância?
— Sim. — ela sorri, antes de entrar no banheiro feminino. Eu vou atrás.
— Sabe que não pode entrar aqui. — disse lavando suas mais na pia, e todo o sangue de desfez sobre a água.
— Vá fazer seu banho, quando sair te faço uns curativos e depois vamos comemorar sua vitória no Jemis!
— Você ouviu o que eu disse! Posso fazer isso sozinha.
Olhei para ela sereno.
— Estou cuidado de você. — seu rosto corou. Pegou a toalha, suas roupas e entrou no banheiro.
Me levantei, fui para o balneário masculino, me troquei e vesti roupas novas. Peguei minha carteira e meu celular.
— Não vai ficar para comemoração?— Flávio pergunta.
— Tenho um encontro.— os caras do clube começam a fazer sons irritantes de beijo.— Nós vemos mas tarde seus viados.
— Então vamos ficar com a Mahatma!— Flávio tem um súbito interesse por Mahatma, ele é um louco corajoso, eu admiro isso nele, ele sempre foi fã de garotas duronas. Enquanto eu gosto das frágil, daquelas que eu me sinto competente para proteger. Parei olhei para ele pelo canto do olho e dei um riso debochado, antes de sair.
Quando voltei ao banheiro erra antes dela sair. Me sentei, por uns dez minutos até que ela saiu. Seus cabelos estão molhados, chegam até ao ombro. Está de macacão jeans, uma camisa Mackey branca por dentro e Vans preta.
— Senta aqui.— me levantei de onde eu estava e deixei ela sentar. Peguei outra toalha enxuguei sei cabelo, lentamente.
Mahatma é a única garota do clube de boxe, então usa o balneário feminino sozinha nos campeonatos. Isso anula a chance de aparecer alguma garota querendo usar o banheiro, a não ser que venha aqui para transar.
— Você usou muita força muscular, suas veias estão quase saltando. — falei enquanto passava atadura pelos seus pulsos — vencer rápido e se forma feroz, trás grandes consequências. Você pode ficar com sequelas e sem poder lutar.
— Não era para ser assim — diz olhando para o movimento que estou fazendo — eu só estava irritada, só queria descontar em algo ou alguém.
— Você não pareceria irritada. — finjo não saber de nada — parecia calma.
— A ideia é sempre essa. Não transparecer minhas emoções, mas fazê-las serem sentidas pelo punho.
Olhei para ela por alguns segundos e imaginei que talvez num outro universo, fosse minha irmã na mesma situação, e eu não ia querer ver ela resolvendo seus problemas com o mundo desse jeito.
Quando chegamos ao Jemis pedimos uma dose de frango, um litro de sumo e sorvete. Começamos pelo sorvete.
— Esqueci de mandar mensagem para Linêsia, ela vai me matar se souber que sai sem avisar!— Mahatma é linda, quando não está em volta da aura sóbria de sua alma. Ela tem uma voz de princesa, pode não parecer mas ela tem, sua voz é delicada e harmónica , parece uma rainha recém formada falando. E é linda, sua beleza é dark, mas ela é bela e muito bela. Seus lábios são rosados, seus olhos negros me lembram um lobo solitário. Será que ela tem noção do quão é linda?
Mahatma é alta, a altura ideal para alguém de sua classe. Seu corpo é delicado e cheio de curvas graciosas. Se ela fosse minha namorada, com certeza eu seria paranóico que nem meu pai, e não a deixaria trabalhar, nem sequer sair de casa sem mim. Possessivo? Talvez.
— O que foi?— ela me olha sem graça — está me olhando assim porque?
Porque estou com vontade de transar com você? É, seria uma boa resposta, caso a mesma não fosse estragar nossa tarde.
— Além de boxe o que tu gostas de fazer?— desconverso.
— Não sei! Nunca tentei fazer outra coisa.
— Pensa. — insisto.
— Bom, eu gosto do clube de jornalismo, gosto de fazer resenhas, resumos e tals. Quando estou de bom humor eu pratico meu dotes culinários!— ri sem graça — e você?
— Gosto de ficar com você.— o resto dela esquenta, e isso é muito fofo, gosto do jeito que ela reage a mim — quando não estou no boxe!— não sou viciado em lutas, apesar de ter um treinador particular que é o segurança do meu pai — ajudo meu pai na empresa. Meu sonho é me formar na área administrativa. — faço uma pausa.— Já sabe o que vai cursar quando terminar o ensino médio.
— Não sei! Não gosto de pensar muito no futuro!— deu de ombros.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
