| Capítulo XI |

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Mahatma Pines.

Estamos de férias de uma semana na escola. Mas continuamos com os treinos no clube. Como mais uma manha de terça qualquer, quando deu minha hora fui aí clube. Quando cheguei lá o ar estava meio pesado, e eu entendo disso. Até parece que cheguei atrasada, porque entrei todos treinado, o que não é normal. Será que alteraram o horário.

— Mahatma, faça seu aquecimento, hoje você vai lutar.

— Está bem.

Acatei as ordens do treinador, fui me trocar e comecei a me aquecer, como sempre Witsel está do outro lado, treinado com seus amigos. Eu prefiro me aquecer sozinho, não gosto de barulho.

Ao fim de quinze minutos, o treinador me chamou para arena. Eu pensando que seria mais um treino comum, como qualquer outro. Até mesmo quando Witsel chegou na arena, poucas vezes lutamos juntos. Já que segundo ele não consegue se concentrar. E dificilmente vence. E como se ele tivesse um bloqueio, mas quando luta com Flávio ou qualquer outro garoto ele trava. Ele diz que não consegue lutar com mulheres, por mais profissional que seja.

Eu subi na arena pensando que seria mais um daqueles dias que o venço por nougat, e depois ele me acompanha para casa como se nada tivesse acontecido. E por causa disso, eu deixei de levar muito a sério as lutas com ele.

Mas, no nosso primeiro embate, senti muita seriedade e concentração, ele nem sequer sorria. Perdi dez pontos sem me aperceber, estou soando o que não é normal, Witsel está me pressionando.

O treinador subiu na arena para nos separar, e uma pausa de um minuto.

— Tem uma coisa que não deixei claro Mahatma, se você perder, você está fora do clube. — o treinador disse.

— Mas porque??— eu não sou do tipo que questiona, mas essa eu simplesmente preciso entender. — Eu ganhei no campeonato, porque estão fazendo isso?

Vejo que meus colegas de treino também estão confusos, todos, menos Witsel. Por que?

— Witsel propos um duelo, e ele disse que se vencesse, queria que você saísse do clube. Por ser a única mulher você causa um certo desequilíbrio na equipe. Witsel é meu aluno desde que entrou nessa escola, anos atrás. Ele me fez escolher entre  ele ou você, se você permanecer ele sai. E entre o novo e o velho, prefiro o velho. — olhei para Witsel sem acreditar, até ontem agente está trocando mensagem de forma entusiasmada, eu o deixei entrar, eu fiz dele meu amigo, o considerei, para depois ele me apunhalar, é isso que eu ganho por confiar?— e por último, como será sua última luta aqui e em qualquer outro clube de lutas.

— Como assim?

Os meus colegas começaram a reclamar com o treinador não acreditando nessa sacanagem.

— Já falamos com diretor e ele concordou. Você pode fazer parte de qualquer grupo, excepto de lutas e atletismo. — eu juro que irei o matar, eu vou te matar Witsel. Mordi a língua com raiva, desesperada. — Como eu ia dizendo, por essa ser sua última luta, não haverão regras, luta livre. Aquele que ficar imóvel por dois minutos perde.

O treinador se retirou da arena. Witsel me olhava sem expressão, não parecia arrependido, ele estava diferente. Eu nunca conheci esse lado dele, esse lado indiferente.

Eu fui com tudo, porque eu queria o rasgar, o despedaçar, o humilhar, eu queria o fazer chorar. Mas tomei um susto quando ele agarrou meu braço por trás e me deu uma rasteira. Caí dolorosamente no chão, meus colegas fizeram o som de gemido de dor, como se estivesse sentindo por mim. Quando tentei   me levantar ele me deu um chute na barriga e chutou minhas mãos para longe me fazendo cair de novo.

Ele deu um pouco de distância, me deixando levantar. Estou sentindo dor, num péssimo sentindo. Porque a dor no coração dói mais, me sinto traída por ele.

Quando tentei lhe dar um soco, ele esquivou, dobrou meus braços enquanto minha cabeça estava em seus ombros , e eu gritei de dor. Era como se ele quisesse arrancar meus braços.

Então passaram-se os dois minutos, e não conseguimos me desfazer de seu aperto. Eu mal tinha forças psicológicas para continuar, eu só queria desistir.

Fiz de tudo para não cair sequer uma lágrima, não trocamos nenhuma palavra. Peguei minhas coisas e sai do clube. Liguei para Linêsia desesperada, ela não estava na escola, mas chegou primeiro que eu na minha casa.

Meu pai não está. Ela mal me viu correu para me abraçar.

— Porque você está tão ferida?— me abraçou.

Eu comecei a chorar, chorei como um bebê. E eu odeio chorar na frente das pessoas. Mas eu precisava de alguém, alguém que não estivesse me apunhalado pelas costas, pelo menos não naquele momento. Caímos no gramado do jardim da minha casa.

— Não chora Mahatma, eu tô a ficar preocupada!— ela disse com a voz chorosa — por favor! Não chora!— ela começou a chorar comigo, ela mal sabia porque eu estava chorando, mas se entregou ao choro.

Linêsia é o mais próximo de uma irmã, que eu já tive na vida.

Depois que me acalmei, ela me ajudou no banho, ligou para a mãe dizendo que ia dormia na minha casa, porque eu estava com o febre e meu pai não estava. Até certo ponto era verdade.

Dormimos abraçadas, e quando despertamos eram 21:00.

— Eu não acredito que ele fez isso! E chegar a pensar que eu achei que vocês iam namorar, Witsel foi um escroto, que ódio dele!— contei para ela com mas calma o que havia acontecido.

— Já passou!— respirei fundo e suspirei — já superei!— ela me olhou desconfiada — estou com fome, vamos ver o que tem na cozinha.

— Certo.

Quando descemos, encontramos meu pai terminando de por a mesa.

— Quando cheguei vocês estão dormindo, senti pena de vós acordar.— meu pai disse assim que nos viu.

— Mahatma estava a passar mal de febre, então decidi ficar para cuidar dela, mas cai no sono também!— Linêsia diz se sentado.

— Falei com seus pais que você estava dormindo, então eles disseram que você já havia avisado. Obrigada por cuidar da minha menina.— meu pai olhou para mim preocupado — está bem amor?— deu um beijo na minha teste.

— Sim. Já passou, foi só uma recaída. — dei de ombros me sentado.

— Obrigada Linêsia, nem sei como te agradecer!— meu pai deu um beijo no topo da cabeça dela — não sei o que seria de mim se você não tivesse vindo cuidar dela a tempo! — meu pai se sentou — eu acho que devo contratar uma babá.

— Pai! Eu já não sou uma criança!— revirei os olhos, e eles riram.— sei cuidar de mim.

— Só para prevenir!— ele provocou, bufei constrangida.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora