| Capítulo XXXI|

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Mahatma Pines.

Estava muito eufórica, e com o ânimo em cima, depois da saída com Witsel. E após me deitar na cama, entrei no WhatsApp para responder mensagem e ver alguns status. Foi quando na vi o status de uma colega minha, que tem uma prima estudando na faculdade em que Witsel está.

Ela havia feito print com a foto de Witsel e a prima, e a postagem vinha do status de Witsel com legenda " Já posso meter uma apresentação básica ou ainda é cedo?" A minha colega colocou uma sub-legenda " meu casal perfeito." O mas engraçado é que nunca cheguei a ver essa publicação no status de Witsel, ou seja, fui ocultada, não que isso realmente me surpreenda. Mas uau, e como ser jogada um balde de água fria na cara.

E foi nessa noite que eu entendi, eu e Witsel podíamos resultar como amigos e familiar, mas não como um casal. Ao ver a foto da moça ao seu lado, eu percebi que eu nem sequer faço parte do tipo de mulher que ele gosta. Loira de cabelos cacheados, corpo de guitarra e com uma maquiagem que destaca seus olhos azuis e seus lábios carnudos. Enquanto eu, ainda me vestia como um garoto, estava abaixo dos 60kg, mal sei usar maquiagem.

Uma lágrima escorreu do meu olho esquerdo, eu estava triste, mas não abalada. Agora eu percebo, eu posso ter alguém para me levantar, mas não para andar por mim. E apesar das palavras duras que Marisa me disse, agora eu olho para dentro do meu âmago e retiro o último vestígio de criança indefesa que resistia dentro de mim.

Afinal, eu sou Mahatma Pines, sou filha do meu pai, ele me criou sozinho. Quem sou eu para não vencer simples emoções?

{•••}

Meses depois...

Fiz os meus pedidos na lanchonete da faculdade que para minha sorte está próxima a minha sala de aulas. Três chamussas e um sumo Ceres pequeno. Peguei os meus pedidos e voltei para sala, onde está rolando uma discussão.

Keano, alto corpolento de pele escura e bigode estava brigando com Veddie, baixinha escura, com o corpo de guitarra, apesar de ter a mesma idade que eu seu rosto  dá uma impressão de mais velha.

Sentei-me numa das carteiras de frente e fui comendo.

— Você se comporta mal, quem é o homem nessa relação? Estás a ser vulgar porque?

— Eu estou a ser vulgar? Tenho de aceitar você dar encima das outra garotas e permanecer calada?

— Veddie melhor não levantar o tom comigo, irei te bater.

Dos murmúrios que já ouvi sobre esses dois é que Keano é um mulherengo, que não se importa em paquerar uma garota da sala sabendo que sua namorada está bem ao lado. Keano tem traços agressivos, gosta de ser dominador e odeia mulher desobedientes. E até certo ponto, Veddie é uma bela submissa, no entanto, há uma chama que arde em suas veias que não permite se submeter por completo.

— Bate! Tem boca essa gaja! Lhe mostra que você é o homem da relação!— agitam os meus colegas bastardos.

— Eu não tenho medo te ti estás ouvir? Se pensas iras me bater e eu permanecer calada estás enganado.— Veddie disse com os olhos vermelhos de raiva.

— Então você pensa que pode lutar comigo?— Keano a encarou com deboche, seus amigos agitaram ainda mais, e de repente ouvimos um estalo na bochecha de Veddie, a sala ficou num silêncio completo. Lágrimas saiam dos olhos dela, e em fracções de segundo Veddie estava saltando para cima de Keano.

É inútil, ela é pequena e fraca, em poucos segundos Keano agarrou o cabelo dela, levantou a mão contra seu rosto.

— Sua mãe não te ensinou que não se bate em mulheres!— um garoto alto, moreno, e bem vestido segurou a mão dele. — Isso não se faz! Devias ter vergonha sabes?

— Não se meta nos meus assuntos.— Keano fez força para se soltar da mão do moreno mas o moreno revidou com um soco forte que fez Keano bater-se contra carteira.

— Tente de novo.— o moreno pisou nas genitais de Keano fazendo ele urrar de dor — E então? Cadê sua força? Acha que tem colhões só porque bate em sua namorada?

Arqueie as sombras surpresa com a reviravolta do que aconteceu, meu lanchinho acabou e ainda estou com fome. Desci da carteira e voltei para a lanchonete, afinal não é da minha conta o que ali acontece.

Aquela não foi a última vez que vi o moreno, afinal, ele passou a fazer parte da turma neste segundo semestre, ele é muito bom nas aulas de anatomia humana e bioestatística, tem conhecimento amplo nessas matérias, o que me faz desconfiar que talvez ele tenha algum familiar na medicina.

Com o decorrer do tempo descobri seu nome, Thapelo Paulo, ele é bonito, charmoso e inteligente, até certo ponto me faz lembrar de um certo alguém.

— Mahatma está na aula?— o docente desviou a atenção da aula para mim, acenei a cabeça concordando ele me olhou desconfiado — Você acha que a reconstrução celular um membro é possível a partir de um outro membro externo ?

Olhei para ele com dúvida, ele só quer me testar, e aquilo que ele falou nem parece fazer sentindo.

— Se o docente está perguntando, se um indivíduo tiver lesões em ambos os braços, e a solução for enfaixar os dois braços juntos, então minha resposta é não. A reconstrução celular seria possível sim, mas iria causar uma fusão em dois membros de natureza oposta. É mas seguro enfaixar individualmente... E se... For o causo de um membro externo fraturado que precisa de auxílio na aceleração de sua reconstrução, é possível introduzir o membro daquilo que seria seu órgão interno. Por exemplo, inserir uma mão dilacerada dentro do estômago.

Essa foi a primeira vez que falei na turma, e falei muito, todos estavam prestando atenção em mim, o docente me olhava fascinado. Então ele aplaudiu, fazendo a turma o seguir, eu não entendi o porquê dessa reação, eu acho que falei algo considerado normal.

— Você falou muito bem, inclusive mais do que pedi, sem falar que falaste de uma matéria que vocês só verão no terceiro ano. Você tem excelentes pensamentos, não sei porque não participa das aulas. — sorri constrangida sem saber o que dizer.

E aquilo foi só o início, ele começou a exigir que eu participasse ativamente em suas aulas, o que me colocava em pé de igualdade com Thapelo. Os docentes começaram a me questionar, como eu sempre tiro boas notas mas nunca participo ativamente nos debates? Então eles começaram a fazer-me muitas perguntas para ter certeza se as notas eram mesmo minhas.

No princípio aquilo me irritou, eu não gosto de falar, principalmente em público. Mas a medida que o tempo passava eu ia pegando o jeito, e que inclusive me deu a chance de fazer algumas amizades.

O Que Me TorneiHistórias para pegar e não largar. Descubra agora