Sexta-feira.
Eu nem tive de pensar muito, após as aulas fui me inscrever no clube de artes marciais. E calhou que hoje de acordo com o calendário do clube é dia de luta.
— Sério não te entendo porque se inscreveu nesse grupo? Você será a única garota!— Linêsia reclamou quando soube que não iríamos para casa juntas, já que os treinos no clube são as 17:30 para sair às 19:00. — Você podia muito bem ter se inscrito no clube de literatura e jornalismo.
— Não gosto de ler e muito menos de pessoas. — ela riu sem humor. Às vezes parecemos namoradas ou mesmo irmãs, pelo nível de intimidade que construímos em alguns meses.
— E no clube de artes marciais você estará com fantasmas?
Ri.
— Calma!— segurei sua mão.
— Eu sei o que você vai dizer, que sei pai tem clube de boxe e você está acostumado com isso. Mas eu queria que você estivesse comigo, somos amigas. Queria compartilhar até o último momento do dia consigo poxa!
Outra coisa de diferente entre eu e ela, é que Linêsia é mais expressiva e eu não. Linêsia diz o que quer, enquanto eu me limito a tentar atingir meu objetivo sem ninguém saber.
— Ainda tem vaga no clube de jornalismo.— seu rosto se iluminou e começou a bater paminhas.
— Vou já escrever seu nome, te passo o horário pelo WhatsApp. — me deu um beijo na testa, já que ela é um pouco mas alta que eu, então ela abusa disso.— Se cuida e me avisa quando chegar à casa.
— Sim mamãe.— zombei.
Nunca fui o tipo de pessoa que faz algo para agradar os outros, a não ser a mim mesma, mas com ela eu abro exceções, gosto da energia que ela transmite quando sente que venceu uma batalha. E eu por outro lado, gosto de me sentir, como a irmã que concede desejos.
— Antes de se inscreverem em qualquer um dos subgrupos do clube de artes marciais vocês terão uma demostração do que realmente acontece aqui.— disse o treinador
Após isso, tirem lutas de esgrima, Taekwondo e por último boxe.
E dos alunos que aguentaram com as brutalidades das lutas, eles se inscreveram, e das quinze garotas que eu contei, nove foram para o grupo de esgrima e cinco para o grupo de Taekwondo. Como se fosse uma premonição, fui a única garota que sobrou neste grupo de boxe.
Somos dez novos membros do grupo de boxe. Estamos separados dos veteranos que estão do lado direito da arena, de shorts e luvas. Alguns garotos eu reconheci como sendo meus colegas de classe, e outros nos novos integrantes dois foram meus ex colegas de classe.
Cada subgrupo, está sendo dirigido por um treinador e em salas diferentes. Então aqui só estamos os que praticamos boxe.
— Se algum de vocês tem algum tipo de experiência em lutas de boxe de um passo para frente.— disse o treinador.
E assim foi.
Eu e um garoto, Augusto, meu antigo colega. Demos um passo para frente.
— Só dois...espera aí você é a única garota? — o treinador cruzou os braços — Como se chama menina?
Os imbecis riram.
— Mahatma Pines.
— Mah? O que não entendi.
— Mahatma Pines.
— Mahat.. Mahatma você é indiana?— brincou — Conhece a origem de seu nome.
— Sim treinador!— os imbecis continuaram a rir.
— Do que se riem?— tudo ficou em completo silêncio — Você tem um bom nome.
— Obrigada.
— Vamos fazer um pequeno exercício de abertura — continuo o treinador — como são somente vocês dois que tem algum conhecimento de boxe, vocês serão os anfitriões. Recordem-se das regras, isso não é luta de rua, é só para testar suas capacidades. Se um dos lutadores cair e ficar no chão por 10 segundos a luta termina automaticamente por nocaute. Golpes na linha da cintura, ou abaixo dela, são proibidos. São válidos apenas golpes na frente ou na lateral da cabeça, ou no torso corporal do oponente. Golpes nos braços não são contabilizados. Golpes baixos, socos na nuca ou golpes e agarramentos de mão aberta são considerados faltas. A luta para imediatamente quando um dos lutadores cair no chão. Mordidas são proibidas em quaisquer lugares do corpo. É proibido falar durante a luta— fez uma pausa olhando para todos nos
Os principais golpes do boxe são: direto, cruzado, jab, gancho e uppercut, mas vocês dois devem saber disso, já que tem alguma experiência nisso!— disse sarcástico, fazendo a turma rir.
Eu e Augusto subimos na arena, Augusto estava com o sorriso presunçoso, como se já tivesse vencido a luta.
— Eu em particular não gosto de bater em mulheres, se você desistisse, estaria se poupando de tal humilhação!— fez careta.
Continuei calada, escondendo minha irritação, eu em particular não gosto dele, ele me infernizou, fazia bullying no meu uniforme ou do meu cabelo, ele simplesmente me irrita.
— Comecem.
Fiquei na posição de ataque, com os punhos próximos do rosto, coisa que o idiota fez de forma errada. Então sem aviso prévio ele tentou me socar, mas esquivei facilmente, foi um soco mal feito, ele pensa que isso é briga de rua. Ele cortou a distância e tentou me acertar uma direta para o nariz, mas consegui defender. Ele mordeu os lábios irritado, não imaginava que eu tive tanta resistência, tentou acertar meu estômago, mas troquei dois passos então fugi de seu alcance.
Então quando ele se posicionou onde eu o queria, eu desferi com a mão de trás da guarda e por de forma lenta e, para ganhar mais impulso, bem mais forte. O direto exige uma rotação maior do torso e um pequeno impulso com a perna para ganhar mais potência. Então eu aceitei o seu rosto, fazendo ele cambalear e cair de bunda atordoado. A sala ficou num estranho silêncio.
— Tem certeza que tem algum conhecimento de boxe Augusto?— o treinador se pronunciou entrando no ringue — Mahatma foi expedida, controlou a luta, não usou força desnecessário e agiu no momento certo. Está de parabéns garota.
Bateu as palmas, fazendo os outros acompanharem.
— Foi sorte!— Augusto disse com raiva — Pura sorte, aposto que nem ela mesmo sabe o que fez.
Se levantou querendo vir para cima de mim.
— É também acho! Foi sorte!— disse um dos amigos dele, então a sala começou a se encher de murmúrio.
Foi sorte.
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O Que Me Tornei
RomantikO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
