Witsel Rocha.
Desde o dia no balneário, minha relação com Mahatma mudou muito. Ela não tenta me afastar ou me rejeitar.
Estamos no final do primeiro trimestre, e temos um campeonato. Neste meio período, Mahatma tem treinado muito, ela se entrega de corpo e alma quando está no ringue, é como se ela virasse outra pessoa. Um ser insano, calculista e frio. Aposto que se alguém morresse durante a luta ela não sentiria remorso. Porque se tem algo que eu aprendi sobre Mahatma, é que ela tem dificuldade de sentir algumas emoções. Como se ela tivesse algum tipo de bloqueio emocional que lhe impede de sentir.
Às vezes, quando ela não tem compromisso com o clube de jornalismo e nem treinos connosco, ela vem por sua conta treinar. Como agora. Ela está sozinha no ringue, com a sala pouco iluminada, com roupas de treino, socando o saco de boxe.
Eu me gabo por ser um ótimo analista, e se tem algo que eu aprendi analisando Mahatma é que ela gosta de sentir dor. Ela gosta de infringir dor a si mesmo, para se sentir viva. Mahatma é sadomasoquista, e boxe nada mais é do que uma fonte de dor, lhe oferece e lhe dá oportunidade de dar.
Uma vez ela me confessou, que sua verdade paixão era MMA, artes marciais mistas, onde vale tudo. Só que, seu pai nunca deixou ela participar. Então eu penso, que o pai dela, deve ter descoberto antes dela, as tendências sadomasoquistas dela.
Seus pulsos começam a sangrar, então ela relaxa os ombros e o sangue pinga contra o ringue, enquanto ela encara o saco sem desviar o olhar. Ela permanece imóvel, em transe. Coloquei minhas mãos nos bolsos e me retirei, à deixando com seus demônios.
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— Você anda muito distante!— ela diz sentada no carpete do meu quarto, enquanto joga seu ioiô de um lado para o outro — são os treinos ou achou uma nova namorada?
— Nenhum dos dois.— respondo sem desviar a atenção do celular já que estou teclado.
— É a Patrícia?— eu fiquei com a Patrícia algumas vezes relevantes, quase namoramos mas não gosto de mulheres que gostam de aparecer e de cobrar minha atenção.
— Nem de longe.
— Então o que foi?— ela diz brava — é muito chato ter um único irmão, e homem além do mais e ainda ser proibida de sair de casa é por isso que eu odeio ficar em casa. Vocês não me dão atenção.
Tirei o olho da tela e olhei para minha irmãzinha indignado. Ela é quatro anos mais nova que eu. E é muito dramática.
— Sherrim não enche tá!— ela se levantou e atirou o ioiô na minha direção — não seja mal educada!
— Eu te odeio!— bateu a porta do meu quarto e saiu.
Respirei fundo.
Meus pais são muito protetores, não podemos sair sem segurança, não podemos falar com tudo mundo e sempre estar atento. Por quê? Meu pai é um empresário renomado, e minha mãe uma modelo, apesar dela já não atuar muito na área. Somos muito alvo da mídia.
— O que você fez a sua irmã?— pergunta Camila minha mãe.
— Nada!— dou de ombros.
— Você devia brincar mais com ela sabia?
— Eu tenho que estudar.
— Mas você fica no celular o dia todo! Se não é isso, passa tempo fora de casa. Sua irmã deve ser sua prioridade também.
— OK.— desde que minha mãe parou de atuar como modelo e virou uma espécie de dona de casa, ela se tornou muito chata e controladora. Vê erro nas mínimas coisas, e não aguenta ficar sem reclamar. — A senhora devia procurar fazer outra coisa para se distrair invés de ficar só em casa!— ela me olhou brava, antes de tirar a jarra de leite e colocar em dois copos.
— Eu sei, seu pai não deixa. Se dependesse de seu pai eu não iria trabalhar, ele odeia a ideia deu ter um chefe que levante a voz para ou que ouse me insultar. Seu pai é pânico e quando ele pensa nisso ele surta. Foi uma guerra eu continuar trabalhando até onde cheguei — depois que minha irmã nasceu minha mãe parou de trabalhar — Mas enfim o que eu posso fazer.
— Criei seu próprio negócio!— bebo o leite todo de uma só vez — Se o pai não quer que ninguém mande na esposa dele, seja você a chefe. Mãe tem muitos talentos, sei que pode criar algo criativo que não seja cuidar da nossa vida!— reviro.os olhos antes de piscar e sair, ela sorri.
Caminho em direção ao quarto de Sherrim que está bagunçado e ela está deitada de barriga na cama, resmungando.
— Ei pirralha, vamos passear!— num estante ela está em pé e tagarelando.
— Prá onde vamos, pra onde vamos!— diz batendo palminhas.
É aquilo que minha mãe disse, Sherrim é minha prioridade, somos ligados não sou por ser irmãos mais por seremos amigos. Por isso as vezes entendo o ciúmes dela quando não lhe dou atenção.
— Espero que não cruzemos com os seus amigos! Eu não os suporto. Só falam de garotas, e de uma tal de Magandi. — resmungo comendo a pizza.
Lhe levei para um shop que tem próximo de casa, viemos apê mesmo.
— É Mahatma, Mahatma. E ela não é uma garota qualquer!
— Eu a conheço? É amiga da Patrícia.
— Não para ambas as questões.
Ela da de ombros.
— Lançaram Frozen 2 na Disney, eu quero assistir.
— Acho que ainda para para ir a bilheteria, assim que você terminar. — ela olha para mim e sorri.
Acho que no momento que eu for a amar alguém de verdade, eu irei a tratar como trato minha irmã, farei de tudo para a ver feliz, inclusive assistir princesas Disney. Por isso, eu facilmente sei quando não amo alguém, porque se eu não consigo colocar o desejo dessa pessoa como prioridade então eu sei, que ela será só mais uma.
Eu não sou o tipo de cara desesperado para ter um relacionamento sério, por isso, não me incomodo por não conseguir amar alguém fora da minha família.
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O Que Me Tornei
RomanceO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
