Mahatma Pines.
No dia seguinte, Linêsia foi para casa logo pela manhã. Ela tinha seus compromissos e teve que sacrificar uma parte para ficar comigo. Por outro lado, meu pai não foi trabalhar, cancelou seus compromissos, o que é raro, para ficar comigo.
De dez em dez minutos ele ficava medido minha temperatura, não parecia convencido de que estou bem. Mal ele sabe que foi uma desculpa para não contar o verdadeiro motivo do meu choro.
Foi um dia calmo, para pai e filha. Quanto a Witsel, me certifiquei de bloquear o número dele e o mandar para o inferno. Tinha muitas mensagens dele perguntando como eu estou. Isso se deve a Linêsia ter surtado, ligado para ele e o ofender.
Ela estragou sua amizade com Witsel por minha culpa, me sinto um pouco, um pouquinho só, culpada.
Na quinta-feira tudo voltou ao normal, depois de convencido que estou bem. Meu pai foi trabalhar.
Já iam para as três da tarde quando recebi uma ligação do meu pai, ele pedia que levasse uma pasta de documentos até a cede onde ele trabalha.
O lugar é um pouco distante daqui, para além de ter de caminhar, eu tenho de pegar um ônibus. Troquei meu short por uma calça e tens, mantive a camisola, prendi o cabelo. Depois de trancar as portas guardei as chaves na minha mochila e sai de casa.
Eu não conheço o local onde meu pai trabalha, só porque nunca tive curiosidade de conhecer e ele nunca me levou. Peguei o ônibus e desci numa avenida que fica a meia hora da minha casa.
— Pai?— olhei pelo beco em que ele disse que eu devia passar.— Tem certeza que é esse o caminho?
— Sim absoluta. Não irá te acontecer nada, o filho do meu amigo estará te esperando do lado de fora da empresa.
— Certo.— enguli em seco antes de passar pelo beco, húmido, sujo e sem iluminação e olha que ainda nem deram quatro da tarde.
Mas enfim, era só paranóia da minha cabeça, não aconteceu nada. Passei pelo beco, que na verdade é um atalho para chegar a empresa. O lugar é bem movimentado, com muitos centro comercias, estavam distraída admirado a outra parte da metrópole quando ouvi uma risada debochada.
— Mahatma, como está?— minha cara de repulsa não podia ser maior ao cruzar com Augusto e seus fiéis cães. O cara nem me deu tempo de responder com desprezo a sua saudação que já começou a me atacar.— Vocês sabiam que ela foi expulsa do clube de lutas?— riu — merecido não? Após a vergonha que ela me fez passar no início das aulas.
Infelizmente o caminho que eu devo levar, está na frente dele. Respirei fundo antes de tentar passar por ele, um dos seus amigos colocou seu pé na frente para eu cair. Mas eu sempre tive bom equilíbrio. Não satisfeito, eles me seguraram pelos dois braços. São cinco, contra uma, puta covardia.
— Sabe o que eu mais gostei nisso?— ele questiona me encarando de frente — foi Witsel ter te humilhado e desprezado na frente de todos, nem parece que vocês eram amiguinhos. Ele te mostrou que você não é nada. Você não é forte, você é uma vadia fraca que acha que sabe lutar. Você se acha fodona, acha que bate todo mundo. Quis dizer, achava, pois depois do que Witsel te fez você não passa de um simples pedaço de lixo!— os amigos dele riem.
Palavras doem mais que socos, e por eu saber que tudo que ele diz é verdade, isso me dói. Ele me julga pelos motivos errados, mas não deixa de ter fundamentos certos.
— Porque você não me bate?— zombo — Não é isso que você quer? Me bater para se sentir homem? Por isso preciso de cinco homens para me segurar. Eu até posso ser uma vadia fraca, como você diz, mas você é um otário covarde. Precisa de cinco homens para segurar uma pobre garota!— ri de forma debochada — eu estou olhando aqui para um pedaço de lixo!— ironizei — e não sou eu.
Ele ia me dar uma tapa, quando alguém surgiu a sua trás e segurou seu ombro.
— O que caralhos pensa que está fazendo Augusto?— o garoto olhou para ele irritado — soltem ela agora.— os miúdos nem sequer se mexeram — querem que eu chame a polícia? Eu conheço vossas casas e conheço vossos pais, não queiram entrar em guerra comigo, irão perder.
Os caras me soltaram na hora, parece que ele sabe de algo que os deixa aterrorizados.
— Porquê está a defendendo Witsel? Depois do que fez porquê? Não há odeia?
— Cala boca, Augusto. E desapareça daqui.
— Isso não fica assim!— Augusto apontou para Witsel irritado lhe dando as costas.
— Ei Augusto!— Witsel o chamou e ele se virou — Toque nela de novo e conto para seus pais o que realmente você faz na escola.
Augusto não o respondeu. Augusto é alto, seria até bonito se não fosse otário. Ele é autoconfiante, mesmo na merda ele não demonstra o sentimento de derrota. Mas nesse estante, ele parece encabulado. Ele se vai sem sequer rebater. Quando Witsel se virou para falar comigo lhe dei um tapa, o pegando de surpresa.
As pessoas da cidade, não ligam para ninguém, por mais que Augusto tivesse me ferido, eles iam fingir que não vêm o que acontece.
— Eu pensei que éramos amigos!— grito — Você me traiu Witsel, me usou.
— Mahatma, calma.
— Como calma? Eu confiei em ti, pensei que gostasse de mim. Te adicionei na minha vida, mas na primeira oportunidade você me apunhalou pelas costas! Que mal eu te fiz?
— Se eu te disser que eu fiz isso por amor a sua pessoa você irá acreditar? — o olhei com escárnio — Não né? Certo. Não irei me justificar. Mas eu te digo uma coisa, farei o possível para te ver bem, mesmo que não queira.
— Me ver bem ? Você?— zombei. Eu estava prestes a continuar quando o meu celular tocou e tive que atender porque era meu pai. Limpei as lágrimas que queriam sair e dei-lhe as costas — Alô pai!
— Já chegou ?
— Sim.
— Olha para o lado esquerdo da mesma rua e verás um moço de camisa azul e calças pretas. Está...— ouve se uma voz no fundo — está de óculos na cabeça.
— Certo.— sou obrigada a olhar na direção em que Witsel está. E ele continua parado, me encarando e com o rosto inexpressivo.
Olho para os cantos a procura do tal garoto, mas nada. Quando caiu em mim, percebi que Witsel está de camisa azul e calças pretas, com óculos sobre o cabelo.
— Onde está o meu pai?— ele me olha sem entender — Stanford.— ainda assim ele me olha como se eu estivesse falando em outro idioma.
— Não queres dizer Ford?
— Sim isso.
— Você é filha dele?
— Me leve até ele. — caminho a sua trás, e não dou espaço para conversa. A empresa está a dois minutos do local em que estávamos.
Subimos o elevador, ficamos de frente um para o outro. Ele me encara sem desviar, e eu tentava fugir de seu olhar penetrante.
— Soube que estava com febre! Já se sente melhor?
Não o respondi. Permaneci calada até o elevador parar.
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O Que Me Tornei
RomantikO óbvio é a verdade mais difícil de se ver. Mahatma foi abandonada pela sua mãe quando ainda era pequena. Desde então sendo cuidada e protegida pelo seu pai. O porquê de sua mãe ter a abandonado e a dor da rejeição é algo que sempre lhe perseguiu. M...
